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Davambe

Estava debruçado sobre as patas, quando percebeu que o sol queimava com intensidade suas costas, era um calor incomum, mas o que o assustou foi a presença de formigas que em fila indiana seguiam para o norte, menos uma que ficou a encará-lo por um tempo. Desde então, passou a ter nojo das formigas, não suportava aquelas infinitas perninhas que só de ver ficava arrepiado, de certa forma tudo foi novidade, era seu primeiro contato com a natureza animal. Alguém o despertava para brindar com sua presença no mundo imanente.

Cresceu sendo perseguido pela remanescente formiga que se escondia sempre que o Leão adulto se aproximava, atormentava o leãozinho recém-nascido. Foi quando uma alcateia se reuniu e decidiu procurar uma hiena expert em lidar com formigas.  A hiena vendo possibilidade de ganhar uma boa soma de verdinhas, foi sem esforço cuidar do pequeno leão, mas algo era desfavorável à hiena, sempre que exagerava no consumo de água ficava cansada e gostava de curtir despreocupadamente a sombra.

– Quanto tempo é necessário para pegar essa formiga? Perguntou a mãe do Leãozinho.

– Não se preocupe.  Em sete meses pego esse desgramado, arrematou a Hiena.

– Nossa! Santo padre. Tudo isso para pegar uma formiga? Perguntou descrente a Leoa.

– Oh, dona! Isso é muito complicado, não sabe: tenho que armar uma gaiola, e, convencer a formiga a entrar.

– Viu? É rápido, não tenho sete meses para esperar, concluiu a Leoa se ausentando em busca do Leão, disposta a dar uma surra na Hiena para pegar a formiga o quanto antes.

Mas a Hiena sabia o quanto, de fato, precisava para desmobilizar o bichinho. Foi então convocado a dar explicação ao Leão do porquê tanto tempo. A hiena era muito ruim de retórica, mal sabia se defender, apenas era expert em araponga de formiga, na verdade, discurso não era a praia dela.

– Sete meses para pegar uma formiga? Perguntou o Leão.

– Você endoidou, foi? Sentenciou a Leoa.

– Tá bom. Deixem-me em paz, vou começar a trabalhar no caso. – Concluiu a Hiena.

Ela não pensou muito para começar armar uma gaiola para aprisionar a formiga, construiu a armadilha e jogou ingredientes para atraí-la, ficando de longe a espiar.

Sem se abalar a formiga chegava próxima a armadilha, olhava e não se entusiasmava a adentrar, dava meia volta e sumia no meio do capim.

No dia seguinte, a formiga quase sumida, sem dar notícias demorou a chegar no local da armadilha, foi então que a hiena bebeu água de forma não comum. Bebeu, tomou, até que se encheu. Tudo aconteceu no toldo preto, danação, danação. A formiga de forma muito espetacular comeu tudo sem se importar.

Os meses foram, os dias se somaram. Era semana após semana. Dia seguindo dia, Sábado a chegar próximo do domingo e isso parecia cíclico. Seis meses se foram e nada da formiga na gaiola. O Leãozinho crescia pulando e rugindo como os demais. Foi então que a Leãozada decidiu se reunir para cobrar resultados da Hiena, que estava debaixo de uma sombra fresca da divina árvore, se viu cercada por uma alcatéia nunca vista antes, era rugido para tudo quanto era lado, que o despertou do seu descanso.

– Desgraçada, preguiçosa, cadê a formiga?

– Sei não senhor, anda por aí, não anda?

Os reis da selva, bravos de dar dó, exigiam da coitada Hiena a captura da dita formiga.

A Hiena tentou fugir, mas sem sucesso. Tinha que se explicar por que tanto tempo se passou.

Deixexplicar. Começou a tatear;

Xisplicar coisa nenhum! Cadê a formiga?

– Senhor! Exclamou a Hiena, desesperadamente, já se foram seis meses, eu prometo que mais alguns dias pego a formiga.

– Caramba, até quando tu enrolarás! – Questionou o Leão franzino,

– Eu avisei que, precisava de sete meses…

– Eh, ela falou isso.

– Maldito animalzinho, acabo com a sua raça.

Assim os reis decidiram dar um voto de confiança para finalmente em um mês capturar a formiga, mas a Hiena sentido-se contrariada optou por fugir, desistindo da captura, começou com choraminhices, pegou a trilha e caminhou para Leste, sem adeus dizer. Estava muito nervosa, parecia não sentir o chão que firme pisava, ora errando os passos, ora tropeçando. Sabia que só uma Hiena era capaz de aprisionar uma formiga, mas ninguém a tirava da cabeça: era absolutamente necessário um planejamento para tudo e só um expert podia determinar o prazo para cumprimento desse plano. Assofria por imediatismo. Para ela tinha que haver premeditação, tinha que haver momento de ócio, de lazer, todo o ritual hienica, sem nada improvisar.

– Eu avisei que precisava de sete meses para engaiolar uma formiga, uai, uai, dgiu, giu. – Latia a pobre Hiena.

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Davambe é consultor de TI, mais de 25 anos de experiência em TI, Professor, Escritor, Autor dos romances: O Segredo da Felismina, Tanto Lá Quanto Cá e a Sereia de Tupa.

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