O ex-presidente, Lula lembrou o “auto-golpe” de Jânio em 1961

Nelson Valente

O ex-presidente lembrou o auto-golpe de Jânio em 1961, quando o então presidente deixou a presidência alegando a pressão de “forças ocultas” e fez um paralelo com a trajetória de Serra:

–  “Esse país teve uma vez um politico (Jânio Quadros) que falava como esse (Serra) está falando agora. Falava contra a corrupção toda hora”, disse Lula em comício no ginásio do Canindé.

 Jânio Quadros foi o precursor da modernidade no Brasil. Ele foi o primeiro a falar em equilíbrio orçamentário, decreto ecológico, reforma agrária, austeridade, rigor nas contratações do serviço público, nos gastos públicos, bandeiras até hoje usadas. Os discursos de hoje de V.Sa., são repetições do que Jânio falava há 51 anos: reforma administrativa, redução do déficit público e defesa da desestatização.

A desinformação é um tipo de informação que o senhor Luiz Inácio não détem. O Presidente. Jânio se exasperavaquando lhe falavam em “forças ocultas”. Nunca falou em “forças ocultas”. Mas falou em “forças terríveis” – e nunca disse quais eram… Ocultas, por quê? Segundo, Jânio Quadros: – “Falei em forças terríveis, porque ocultas não foram.”

Carta de Jânio Quadros, enderaçada ao General Castelo Branco, em 1964, que lhe custou o confinamento em Corumbá/MT.

– “No documento (da renúncia), acusei as “forças terríveis” que me pressionaram. Lembro-o porque as “forças ocultas”, que me foi atribuída, corre por conta dos interesses dos grupos que castiguei, procurando rasgar outros rumos, locais e cristãos, para a nossa pátria.  Essas forças, às vezes, poderiam aparecer mascaradas, mas ocultas não o eram. Não quis, no meu benefício, rasgar a Constituição – embora anacrônica – dissolver o Congresso – embora deformado pela lei eleitoral e quase inoperante – lançando nosso povo à inevitável guerra civil.  Sacrifiquei-me sem hesitações.”

Segundo, Jânio Quadros: – “Se houve golpe, eu não o comuniquei a nenhum militar. A Presidência da República não me deu nada. Pelo contrário: andou me tirando. Lá furtaram-me um terno, uma camisa e um par de sapatos. Cair à frente do Congresso Nacional de joelhos eu nunca faria, porque significava abrir o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal à voracidade da politicalha que (ele, Jânio da Silva Quadros) vencerá nas eleições.” Veja o exemplo do mensalão.

Jânio havia formulado solenemente perante o Congresso Nacional o seguinte juramento: – “Prometo manter, defender e cumprir a Constituição da República, observar as suas leis, promover o bem geral do Brasil, sustentar-lhe a união, a integridade e independência”.

Se quiserem ingressar na ficção, conversem com o Vladimir Toledo Piza, que tem mais de dezoito versões. Escolham uma delas.

E o senhor Luiz Inácio, tem a mais nova versão sobre a renúncia e “auto-golpe”, mas por favor, não espalhe, senão acabam acreditando.

Nelson Valente é jornalista, professor universitário e escritor. Pesquisador nas áreas de psicanálise, comunicação, educação e semiótica. É mestre em Comunicação e Mercado e doutor em Comunicação e Artes. O autor também é especialista em Legislação Educacional, Psicanálise,Teoria da Comunicação e Tecnologia Educacional e já publicou 16 (dezesseis) livros sobre o ex-presidente Jânio Quadros e outros sobre educação, parapsicologia, psicanálise e semiótica, no total de 68 (sessenta e oito) livros e alguns no prelo. Ex-presidente da Academia Blumenauense de Letras/ALB, Acadêmico. Membro da Sociedade dos Escritores de Blumenau/SEB.

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