E Agora, Jesus?

Ivani Medina

“Hoje, praticamente, não há historiador que negue a existência do Jesus histórico” Quanta cara-de-pau. Sempre houve pesquisadores a negar, não só o Jesus histórico como a existência do cristianismo na Palestina no século I, com todos os seus personagens, aventuras e desventuras. Uma bela invenção grega. O que dizer de uma história que a própria história não confirma e cuja confirmação ficou a cargo de historiadores que compartilhavam dessa fé que sempre viveu da propaganda?

A imprensa contribui, até por vezes involuntariamente, com esse estado de coisas. E o ridículo das notícias não é percebido pelo leitor comum. O peso dos nomes de Doutores especialistas em encontrar evidências daquilo que nunca existiu, parece legitimar tais notícias mantendo a opinião pública nos domínios do favorecimento ideológico à credulidade, como no exemplo abaixo:

“No setor das ruínas desenterradas ultimamente cite-se a casa de Cafarnaum, que Charlesworth, entre outros especialistas, está convencido tratar-se da casa de São Pedro referida nos Evangelhos, entre muitos outros motivos pelo fato de terem sido encontrados anzóis num dos seus compartimentos, exatamente um dos instrumentos de trabalho de seu presumível proprietário. “A descoberta é virtualmente inacreditável e sensacional”, observa Charlesworth. Nessa casa Jesus hospedou-se e operou milagres, segundo os Evangelhos. Charlesworth enfatiza, extasiado, que com a descoberta da casa de Pedro tem-se “o mais antigo santuário cristão já desenterrado em qualquer parte”. (Roberto Pompeu de Toledo)

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E Agora, Jesus?
E Agora, Jesus?

James H. Charlesworth, professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

Professor de Língua e Literatura do Novo Testamento. Ele é especialista nos apócrifos e pseudepígrafos do OID e Novo Testamento, o Mar Morto, Josefo, pesquisa Jesus e do Evangelho de João. Como diretor do Seminário do Projeto Pergaminhos do Mar Morto, ele trabalhou nos Manuscritos de Qumran a disponibilizar, em cooperação com mais de 50 especialistas internacionais, um texto exato com aparelho criticus, uma tradução em Inglês, e uma introdução. Ele tem escavado em Migdal, Betsaida, Nazaré, Jerusalém, Beza Khirbet, Qumran, e em outros lugares. Charlesworth ensinou na Universidade de Duke, Universidade Hebraica e do Instituto Albright, tanto em Jerusalém, e da Universidade de Tübingen. Ele atuou como professor visitante distinguido na Universidade de Nápoles e McCarthy Professor da Pontifícia Università Gregoriana, em Roma. Ele tem dois doutorados honorários, honras de mais de 18 países, e medalhas numerosas, incluindo a medalha de Brancoveanu Mosteiro em Sambata de Sus, a citação Distinguished Achievement de Ohio Wesleyan University, a Medalha Comenius da Charles University, em Praga, e com a Medalha de Pentecostes, apresentado por Sua Beatitude, o Patriarca greco-ortodoxo de Jerusalém, Teófilo III. Charlesworth, ministro ordenado na Igreja Metodista Unida, serve como conselheiro para a denominação do Conselho Missionário Mundial prega e faz palestras no mundo todo.

http://www3.ptsem.edu/Content.aspx?id=1917

É por isso que os crentes imaginam a existência de provas “científicas”, divulgadas em documentários na televisão daquilo que os ateus e os críticos contestam, e, também, desconhecem a facilidade que esses defensores da cultura dominante têm para conseguirem verbas com tal objetivo. A questão ideológica nunca é mostrada propositalmente para que permaneça reduzida a ideia idiota de uma disputa entre os “bons” ou os crentes, e os “maus”, os ateus. Na verdade a questão é bem mais séria e profunda do que aparenta. A lenda cristã atingiu o insustentável porque na época em que foi concebida não se podia imaginar que um dia a tentativa de dar a ela uma feição histórica esbarraria no progresso dos métodos de investigação histórica.

Os cristãos cultos não sabem o que fazer para sair desse difícil impasse. A ética está comprometida no ensino de história e isso vai ter que mudar. Especialmente aqui no Brasil, país declaradamente laico, não fica bem fazer proselitismo disfarçado de história em instituições de ensino públicas e privadas. A maioria dos acadêmicos cristãos entende que eles devem continuar dando suporte à tradição, custe o que custar. Setores liberais do cristianismo buscam uma solução mais realista para a preservação da fé. Ainda que eu duvide, tomara que encontrem.

Quando o assunto ressurge na imprensa, sãos esses eméritos Doutores e conhecedores da religião, como Charlesworth, os entrevistados. Contudo, ninguém ainda teve a coragem de dizer claramente nos meios de comunicação que eles são muito mais comprometidos com a religião do que com a história. A opinião antiga da escolástica, em especial a de Agostinho, de que a filosofia tinha que ser uma serva da religião, contemplando o pensamento acrítico, continua se aplicando a história porque esta depende da “filosofia” do historiador.

O cristianismo nunca foi filosofia, pois se trata de uma crença, isto é, o seu oposto. Absorveu muitas técnicas ensinadas pela filosofia para contra argumentar com desenvoltura. Mas é só isso. No que diz respeito à história, aqueles que optam por dar sustentação “histórica” à lenda, vão agravar ainda mais a situação ao insistirem na tradição das invenções e das fraudes como solução a grande farsa. Pior ainda se se atreverem a utilizar a tecnologia disponível nesse sentido. Os crentes não defendem instituição alguma, defendem suas ilusões. Quando se sentirem traídos, hão de serem os maiores adversários dessas instituições e daqueles que os enganaram. Que se cuidem, o céu e o inferno são aqui.

Ivani de Araujo Medina

Ivani de Araujo Medina é um Homem com a percepção do descompasso existente entre a história e o favorecimento ideológico ao cristianismo

2 resposta para "E Agora, Jesus?"

  1. Ailton   04/01/2013 em 20:47

    Se tudo que é o CRISTIANISMO no mundo hoje,e não existiufoi apenas invenção dos povos da época,imagine se JESUS CRISTO existisse mesmo,veja:Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram. João 20:29

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    • Gilberto
      Gilberto   05/01/2013 em 08:30

      Ailton, existem no mundo tantas mentiras em que a população é levada a aceitar como verdade, que você pode muito bem escolher qual quer seguir.
      Um dos exemplos é o tal de aquecimento global, uma mentira grandiosa que a ONU implantou por conta de fins comerciais e vemos mais da metade do planeta acreditando.
      O atentado ao WTC, que visivelmente foi uma grande fraude, para justificar uma guerra sem necessidade e conseguir arrecadar impostos indevidamente, porém a maior parte da população do planeta não questiona, pois é mais fácil acreditar que procurar provas e ir em busca da verdade.
      Se Jesus Cristo tivesse existido como conta-se na bíblia, não haveria necessidade de a Igreja Católica ter implantado durante tantos anos a tal da santa inquisição, para obrigar as pessoas a se dizerem cristãs ou serem assassinadas, depois veio a inquisição protestante com o mesmo intuito, ou seja, obrigaram as pessoas a aceitarem e ensinarem seus filhos a acreditarem, para que lhes fosse poupada a vida.
      Fizeram no passado o que os radicais islâmicos fazem hoje no oriente médio, o que não caracteriza que o islã seja verdadeiro, como muitos pensam.
      Se a história do cristianismo fosse verdadeira, não haveria necessidade de líderes religiosos pregarem que a dúvida é heresia, pois saberiam que por mais pesquisa que se fizesse, chegariam todos ao mesmo resultado, mas não é o que acontece.
      Os líderes religiosos não incentivam a pesquisa séria, pois sabem que estão divulgando uma mentira em benefício próprio, muitos até com benefícios políticos e financeiros.
      Faça um estudo sério, com pesquisas sérias, sem pré conceitos, sem pré julgamentos e você chegará na verdade histórica.
      Um grande abraço

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