Excrentes e Escroques

Ivani de Araujo Medina

A debandada das pululantes igrejas ou denominações religiosas ainda não ganhou o destaque que merece. Também não há interesse em divulgar essas notícias quando as demonstrações organizadas de fé dão muito mais lucro promovendo produtos destinados a esse nicho de mercado.

Os escroques sabem navegar nas carências alheias. Como vão longe com a antiga arte dos intrépidos navegantes das esperanças alheias. São iniciantes ou veteranos a torcerem pela possível realização de uns poucos congregados para enganarem a muitos mais. Cada crente é um engodo em potencial e representa uma pequena fração das riquezas e prestígio social das suas lideranças.

Excrentes e escroques
Cada crente é um engodo em potencial

Os escroques são bastante conhecidos e os excrentes ficam mais pela Internet, lavando suas almas nesse lago de oportunidades que a tecnologia oferece. Ali trocam experiências com outros excrentes que vivem ou já viveram o mesmo e severo drama emocional.

Sentir-se enganado por uma vida inteira é nada agradável. A primeira dificuldade é admitir que fosse traído com a própria colaboração. É duro constatar que já foi sócio do próprio engano e ajudou a enganar a outros também. Como é possível? Como não pode enxergar aquilo?

Ficar remoendo o fato de ter aprendido que o modo mais eficiente de se fazer o mal é fazê-lo em nome do bem, nessa hora, não ajuda muito. Nada destrói tanto. Lição que precisou de tempo para ser aprendida e precisará de muito mais para ser cicatrizada.

Se tiver sorte, depois dos abalos da decepção, o excrente poderá reconstruir sua vida em terreno mais firme.

Ivani de Araujo Medina

Ivani de Araujo Medina é um Homem com a percepção do descompasso existente entre a história e o favorecimento ideológico ao cristianismo

8 resposta para "Excrentes e Escroques"

  1. Atena   16/01/2013 em 18:50

    Infelizmente são poucos os excrentes comparando-se com o aumento catastrófico e amedrontador do número de evangélicos bem como de novas igrejas.
    É a atual corrida ao ouro e vale tudo para terem sucesso.
    abraços

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    • Gilberto
      Gilberto   17/01/2013 em 09:52

      Olá Atena,
      Eu vejo este fenômeno como uma somatória de fatores.
      Primeiro, antes as pessoas cumpriam com suas palavras, hoje já não podemos confiar em ninguém e para quem não tem estrutura psicológica boa, isto é motivo para se sentir desamparado;
      Segundo, na maior parte dos países, educação e cultura estão sofrendo uma grande degradação, ou seja, estamos estamos formando pessoas com menor capacidade de raciocínio e menor capacidade de discernimento entre o que é real e o que não é;
      Terceiro, as sucessivas crises econômicas e políticas, somadas ao crescente aumento da violência e criminalidade, fazem com que as pessoas precisem de um herói, fenômeno este que fez com que o ministro Joaquim Barbosa virasse um destes heróis, apenas pelo fato dele estar cumprindo seu papel, mesmo sendo muito bem pago para isto. Com divindades, acontece o mesmo fenômeno.
      Quarto, é a péssima mania das pessoas quererem conquistar o melhor pelo menor esforço, ou seja, é melhor rezar por um milagre para eu ter um melhor emprego, que ir para uma escola e fazer um curso de graduação e/ou aprendizado profissional.
      Se unirmos todos estes fatores e colocarmos um cidadão que tem educação e cultura acima da média, mas com má índole, teremos aí uma receita de igreja cheia de fieis e estes fieis não percebem que estão sendo enganados.
      O pior é que as várias pessoas que abandonaram tudo e viajaram para os centros de meditação, no caso do Brasil foi para o interior de Goiás, por conta do final do mundo pelo calendário Maia e acreditam que o planeta foi salvo por conta de suas orações.
      Só quem poderia dar fim a toda esta enganação é o governo, porém este se beneficia muito do baixo nível intelectual do povo, pois assim podem continuar a engana-los e a população continuará esperando o milagre da melhora.
      Grande abraço

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  2. Ivani Medina
    Ivani Medina   17/01/2013 em 10:43

    Olá Atena
    Você tem razão, são poucos mas é sintomático e vem da própria reflexão popular. Dizem que ela não existe, mas não é verdade a despeito de tanto. Até passaporte diplomático em troco de votos está valendo nesse jogo 171. Mas vão se ferrar, pode crer.

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  3. Atena   18/01/2013 em 20:08

    Giba e Ivani, concordo com ambos no que disseram e acrescento mais um fator para a expansão das igrejas picaretas: a nossa porca legislação. Se quiserem saber o porquê, leiam o seguinte texto:
    http://expandiraconsciencia.blogspot.com/2010/06/o-comercio-da-fe.html

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    • Gilberto
      Gilberto   19/01/2013 em 02:23

      Pois é Atena, o problema é bem maior que este, já que os nossos políticos se beneficiam do mercado da fé.
      Você acha que um Celso Russomano, que teve sua campanha para prefeito do município de São Paulo totalmente apoiado pela IURD está interessado em mudar a legislação?
      Você acha que as empresas que ganham milhões de reais em produtos religiosos estão interessados em mudar a legislação?
      Tudo é lucro e lucro fácil.
      Errado para eles são as pessoas inteligentes que percebem o que está acontecendo e não tiram nenhum proveito em benefício próprio.
      Infelizmente é assim em todo nosso planeta.

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  4. Ivani Medina
    Ivani Medina   19/01/2013 em 09:50

    Atena
    Obrigado. Eu já conhecia a matéria. A necessidade de ser imbecil responde à necessidade de ser esperto e manipulador. Uma novidade preocupante se apresenta nesse quadro lamentável nacional, pois aonde vai a corda, vai a caçamba. Dê uma olhada nesse link.
    Abraço.
    http://por-que-deixei-o-cristianismo.blogspot.com.br/p/pastores-brasileiros-convertidos-ao.html

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  5. Ronaldo Leme   27/04/2013 em 05:21

    Interessante os pensamentos e muito bem externados. Mas na minha opinião, só ha uma explicação: A corrupção do homem, somente. Nada a ver com o soberano Deus.

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  6. Ivani Medina
    Ivani Medina   27/04/2013 em 10:05

    Caro Ronaldo

    Agradeço a leitura e o comentário. Mas não consigo separar a corrupção do homem da concepção de Deus.

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