Salve Jorge – A invasão dos Signos (3ª Parte)

Nelson Valente

Opiniões afinadas com o ceticismo chamam de sonho ingênuo, de romantismo risível a ideia de uma sociedade humana expurgada do mal.

A exploração desse tema oferece amplas oportunidades de exercício à ficção.

A indiferença às nossas virtudes e o fascínio pelos nossos defeitos excitam a fantasia da escritora Glória Perez, em sua novela Salve Jorge.

A ficção e a criação é um ato de amor e de liberdade.

Houve momentos em que não sabia definir se estava frente a uma ficção. O que mais nos intriga, é que da primeira à última página da novela [Signo] Salve Jorge: A novela de Glória Perez, Salve Jorge, somos levados a uma inquietação interna sobre imagens e narrativas do mais absoluto suspense. Talvez aí esteja o grande estilo da autora: sua enorme capacidade como escritora e autora de várias novelas levada às imagens da teledramaturgia brasileira, em que o romance está preservado através de seu estilo objetivo.

Espero que este caminho de Glória Perez seja repleto de sucesso e, principalmente, que outras novelas venham, pois ideias não faltam a esta autora.

Nas entrelinhas, a autora Glória Perez, da novela [Signo] Salve Jorge, alerta as autoridades, que se tem omitido de forma lamentável, e uma ampla campanha de esclarecimento para a população brasileira, sobre o tráfico de pessoas.

Alguma coisa muito errada, maligna, se esconde nas entranhas da sociedade brasileira: tráfico de pessoas e “vendas” de crianças.

Aceitar que o tráfico de pessoas possa ser naturalizada é uma tentativa de diluir o terror que ela provoca, de se submeter aos seus efeitos, e de não se implicar com as possibilidades, mesmo pequenas, de sua transformação.

Resignado à ideia, inculcada pela repetição do jargão de que somos instintivamente violentos, o homem curva-se ao destino e acaba por admitir a existência da violência, como admite a certeza da morte.

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A virulência deste hábito mental é tão daninha e potente que, quem quer que se insurja contra este preconceito, arrisca-se a ser estigmatizado de “idealista”, “otimista ingênuo” ou “bobo alegre”.

Que a violência e o tráfico de pessoas aterrorize e que diante de uma cena assim todos pareçam dizer: “já que não é comigo não vou me meter”, que a solidariedade desapareça por um risco de se expor a própria vida, a isso já nos acostumamos! Sob as vistas complacentes das autoridades e até mesmo de muita gente fina da nossa melhor sociedade, que acha tudo isso natural numa democracia.

Adultos desequilibrados, malucos com manias conspiratórias e outras anomalias não são, obviamente, exclusividade americana. Não se encontra em outros países, contudo, nada similar em termos de explosão gratuita de violência assassina.

Os personagens da novela Salve Jorge, parecem existir em uma realidade que lhes é própria, que tira sua força da realidade psíquica e do desejo que os alimenta e os faz permanecer.

Um fenômeno que vem se repetindo na modernidade é a criação de histórias e personagens, não por comunidades, mas por indivíduos ou por pequenas equipes de pessoas, personagens criados com intenção artística ou de entretenimento, e que acabam por atingir dimensões míticas. Adquirem uma realidade tão palpável que recebem correspondência e podem ser noticiados na imprensa como pessoas reais.

As Teorias Psicanalíticas acerca da concepção de crime, fato criminoso, criminoso e objeto do crime.

O principal defensor desta teoria foi Sigmund Freud. Freud defendia que a repressão dos institutos delituosos pelo superego se sedimenta no inconsciente como sentimento de culpa.

Freud (2006 [1921]) fala do surgimento da figura de herói como consequência do assassinato do pai. Segundo um dos mitos fundadores da teoria psicanalítica, nos primórdios da humanidade os agrupamentos humanos eram dominados por um pai que detinha o poder de vida e de morte, excluindo seus filhos das possibilidades de gozo da tribo, como mulheres e alimento. Assim, os filhos se uniram para matá-lo e o comeram. Mas o pai, uma vez morto, e através da culpa, tomou uma envergadura na lembrança dos filhos que o tornou mais poderoso do que poderia ter sido quando vivo.

Foi então que talvez algum indivíduo, na urgência de seu anseio, tenha sido levado a libertar-se do grupo e a assumir o papel do pai. Quem conseguiu isso foi o primeiro poeta épico e o progresso foi obtido em sua imaginação. Esse poeta disfarçou a verdade com mentiras consoantes com seu anseio: inventou o mito heróico. O herói era um homem que, sozinho, havia matado o pai – o pai que ainda aparecia no mito como um monstro totêmico (FREUD, 2006 [1921], p. 146-147).

Por que dotar a personagem na novela Salve Jorge [Lívia Marine], de características tão extraordinárias? Sabemos que o herói mitológico não é em geral um homem ou uma mulher comum, ele ou ela tem seu destino marcado por características que o põem em relevo, as quais são de origem divina, demoníaca ou animal. No caso de [Lívia], saltam aos olhos características animais (como o olfato, a graça e o silêncio do predador, sua rapidez) aliadas a uma extrema sofisticação cultural e inteligência sobre-humanas.  Os serial killers [Lívia, Wanda] transformam, então, suas vítimas em objetos seriais, de consumo e série [Érica]. Pulsão de morte e crueldade. O ódio pode manifestar-se como amor, a tristeza como alegria, e assim por diante. É o que chamamos de “antítese”. O termo serial killer não se refere a qualquer tipo de assassino.

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É inútil a indagação psiquiátrica sobre motivos individuais. O serial killer (o psicopata que ataca num mesmo dia ou o outro que estende a série por longo tempo) não tem motivo, mas é tido por uma motivação coletiva de violência em escalada.

Serial killers podem ser definidos como os indivíduos que praticam uma série de homicídios semelhantes durante algum período de tempo. Para a teoria freudiana os assassinos em série nascem dos conflitos internos da pessoa.

Os assassinatos cometidos por serial Killers são marcados pela semelhança de suas vítimas, sendo estas escolhidas cuidadosamente. Aliás, o ponto mais marcante para a caracterização de um assassino em série é o modelo utilizado para o cometimento dos assassinatos e a maneira como o mesmo lida com o seu crime.

Com relação às características dos assassinos em série e dos estudos psicanalíticos, que se desenvolvem sobre as teorias freudianas das fases sexuais, temos que “a grande maioria dos serial killer, cerca de 82%, sofreu abusos na infância. Esses abusos foram sexuais, físicos, emocionais ou relacionados à negligência e/ou abandono”. (CASOY, 2008, p. 19).

Sendo assim, o prolongamento nas fases sexuais de Freud, implicariam em um descontrole na formação do indivíduo, logo aqueles que sofreram uma terrível paralisação ou até mesmo uma interrupção nas fases normais de sua vida há uma grande influência para formação de uma pessoa com certo grau de desequilíbrio. No caso dos assassinos em série, seu passado exerce grande influencia em sua personalidade criminosa.

Comprova-se que a grande maioria dos serial killers sofreram abusos na infância, ocasionando distúrbios emocionais graves. Esses abusos sofridos remeteram ao estudo sobre as fases sexuais expostas na obra de Freud, e assim, verificamos que o prolongamento em uma das fases (oral, anal e fálica) é um dos principais fatores que tornam o indivíduo predisposto para prática de crimes.

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1) EGO

Coagido o EGO entre as forças imperiosas do ID, que exigem a satisfação de seus impulsos instintivos, e a inflexível censura do SUPEREGO que frequentemente a proíbe, por vezes, vê-se na contingência de sucumbir a uma ou a outra. Nestes casos o EGO precisa usar de certos mecanismos ou artifícios para aquietar o ID ou para dissimular ou desculpar seu modo de proceder diante das críticas do SUPEREGO

Observado primeiramente por Breuer, este procedimento defensivo do EGO, e atestado a seguir, por Freud, foi designado por ambos com o nome de “mecanismo de defesa”. Por volta de 1900, Freud lhe deu o nome de “recalque”. Mais tarde, porém, Freud tornou a usar a primeira designação como denominação geral e utilizou a segunda para designar uma das espécies das “defesas do EGO”.

2) O RECALQUE E A REPRESSÃO

O recalque nasce de um conflito entre duas tendências opostas; as exigências do ID e a censura do SUPEREGO. Pelo recalque, o EGO do indivíduo rejeita inconscientemente para fora do campo da consciência uma representação (ideia-imagem) ou uma emoção (afeto-sentimento) atuais ou em forma de lembranças nascidas das exigências do ID, mas consideradas intoleráveis pelo SUPEREGO, por serem antissociais e antimorais. Mas, banidas da consciência, nem por isso desaparecem. Elas permanecem na memória do inconsciente dinâmico, teimando constantemente por reaparecer na consciência, o que obriga o EGO a uma luta constante de repressão e recalque de tais lembranças e atitudes impulsivas do ID. Seu único objetivo é o de fugir ao desprazer, causado pelo conflito, para o qual o recalque cria uma formação substitutiva, como o esquecimento de nomes, os “atos falhos”, os sonhos, etc., se fracassar antes. Se fracassar neste objetivo, o resultado será geralmente a neurose.

O recalque converteu-se de imediato para os psicanalistas na pedra “angular” da compreensão das neuroses. Muitos chegaram a confundir entre simples repressão e recalque, e em sua interpretação pansexualista, toda repressão-recalque do impulso sexual era julgada como causa provocadora da neurose. Todavia, quando Freud afirmou que a repressão sexual produzia geralmente os sintomas neuróticos, ele disse apenas uma meia verdade, que levada e trazida com fins interessados, tem levado à confusão muitos educadores da juventude e muitos propagandistas do sexo.

De fato, os psicólogos e os médicos sabem muito bem que existem três classes de repressão da sexualidade, como de qualquer outra classe de impulsos instintivos:

a) a repressão sem compreensão;

b) a repressão com compreensão, mas sem aceitação, e

c) a repressão com compreensão e aceitação.

Dessas três repressões, só a primeira, tida geralmente durante a infância ou a juventude, sendo inconsciente e recalcada, pode resultar em causa possível da neurose. A segunda é consciente e sendo revoltada pode dar origem, também, à neurose a longo prazo, se, em tempo, não for compreendida e aceita. A terceira repressão nunca pode ser prejudicial, mas benéfica, nela se baseando toda a educação. De onde se deduz que não é a repressão em si, mas a forma ou tipo de repressão que causa a neurose, como afirma a Escola Culturalista.

3) A REGRESSÃO

Quando o EGO consciente e racional perde seu controle sobre a situação e não pode impor um comportamento racional e lógico de pessoa madura, REGRIDE freqüentemente a comportamentos fixados ou padronizados em épocas infantis anteriores.

O bêbado, por exemplo, quando perde temporariamente a racionabilidade pela intoxicação, visivelmente volta a comportar-se como uma criança.

Em caso de pânico coletivo, o comportamento da massa torna-se também infantil sem controle lógico e racional.

Aqui os comportamentos regressivos infantis são manifestos porque o EGO consciente tem perdido o controle diante do conflito e não mais pode dominar a situação criada pela luta interior.

4) A CONVERSÃO ORGÂNICA

Por ela os conflitos psíquicos inaceitáveis convertem-se em conflitos orgânicos, patológicos-inconscientes; são as numerosas perturbações psicossomáticas dos histéricos, como as contrações musculares, falsas paralisias, perturbações sensoriais, tiques, gagueiras, morder unhas, etc.

Ana O. converteu em paralisia do braço o medo de vê-lo convertido numa serpente, como tinha sonhado; e o nojo de ver beber o cachorro da água do copo, na impossibilidade dela própria levar o copo à boca para beber. “Preferível morrer de sede, não bebendo, que morrer de nojo bebendo.”

Berna-Salve-Jorge

5) A AUTOPUNIÇÃO OU MASOQUISMO

O conceito secular de que o sofrimento pode expiar a culpa é um dos sentimentos básicos da vida individual, social e religiosa. Nosso código penal e as práticas religiosas do ascetismo, flagelação e penitências, baseiam-se nele. O pecador libera-se da culpa pela penitência e o criminoso fica liberado e pode voltar à sociedade, depois de ter expiado sua culpa, cumprindo plenamente sua pena. Assim, um dos mecanismos da defesa do EGO mais comum é baseado neste silogismo emocional de raízes psicológicas profundas: que o sofrimento expia a culpa. Através do sofrimento, as pretensões do SUPEREGO são satisfeitas e sua vigilância contra as tendências recalcadas se relaxa, uma vez que as debilidades culposas do EGO ficam punidas.

Existe uma sequência de acontecimentos derivados desse raciocínio: mau comportamento — ansiedade — necessidade de punição — expiação — perdão e esquecimento. Para minorar a ansiedade nascida do sentimento de culpa, surge o desejo de ser punido para não ser rejeitado e continuar sendo amado. A própria pessoa culposa pode chegar a punir a si mesma ou exigir que outros a castiguem. Este desejo de purificação, junto com um outro sentimento oculto de ser admirado e ser amado por seus grandes sofrimentos (ser a mais sofredora), é o que leva muitos indivíduos ao masoquismo.

Os indivíduos deste tipo castigam a si próprios, internamente através de seus sintomas patológicos (doenças somáticas), como vimos na conversão, ou por penitências e castigos externos (flagelação).

6) NEGAÇÃO — FUGA — ISOLAMENTO

Com freqüência usamos o mecanismo da negação do mundo exterior e dos conflitos interiores resultantes, quando nosso EGO se sente incapaz de superá-los. Passamos a “ignorá-los” para não ter que aceitá-los. “Estão verdes, dizia a raposa das uvas, que não podia alcançar”…

Perante a impossibilidade de enfrentar certos fracassos ou situações extremamente difíceis de ser superadas, um EGO enfraquecido prefere fugir para situações que supõe mais aceitáveis. Na impossibilidade de aguentar um pai extremamente rigoroso, na impossibilidade de casar, ou no caso de um namoro fracassado, a pessoa pode usar o expediente de ir procurar fortuna no exterior, ingressar no exército, ou num convento. São outros tantos exemplos de fuga.

O isolamento é outra variante de fuga. Nos casos de angústia invencível, o indivíduo, freqüentemente, desiste e isola-se do drama. Quem não pode prevalecer sobre outra pessoa ou se sente fracassar em seu relacionamento com ela, “isola-se dela” e corta as relações com ela… às vezes isto se generaliza extraordinariamente e o indivíduo torna-se totalmente isolado, introvertido e neurótico ou a dois passos da neurose, ou pode chegar à própria esquizofrenia. De certo modo, muitos introvertidos não o são por condicionamento filogenético, mas por condicionamento psíquico-educacional, por causa desta classe de “fuga” ou isolamento. Ou são geralmente ambivalentes: muito faladores e às vezes, sentem grande prazer em estar sozinhos.

7) A PROJEÇÃO

Mecanismo de defesa do EGO dos mais comuns e radicais, a PROJEÇÃO consiste em transferir, para as pessoas e objetos de nossas relações, os nossos conflitos internos inaceitáveis. Ao contrário da conversão pela qual os transferimos para nós mesmos convertidos em sintomas ou doenças, na projeção os transferimos para o exterior, para as outras pessoas ou coisas.

Não só os impulsos hostis agressivos e sexuais, mas tudo o que é recalcado pode ser projetado para os demais. “Não sou eu que o amo… mas ele que me procura…; não sou eu covarde, indiscreto, desonesto, ladrão, imbecil, etc., mas ele sim…; não sou eu que o odeio, mas ele sim que me odeia…” “Não desejo atacá-lo, é ele quem deseja atacar-me.”

Em casos extremos, esta atitude atribui aos outros qualidades totalmente inventadas, como nos delírios de persecução dos paranoicos  outras atribui aos outros as qualidades que ele mesmo tem; em casos mais leves basta exagerar as qualidades dos outros, para disfarçar as próprias.

A esposa, por exemplo, esquece seu próprio ódio, ou seu ciúme e acusa o marido destes defeitos; o marido, por sua vez, pode disfarçar seu desejo inconsciente de enganar a esposa, acusando-a de traição [Antônia, Celso, em Salve Jorge]

8) SUBSTITUIÇÃO OU DESLOCAMENTO

Trata-se de uma variante da projeção. Por este mecanismo o objeto de uma atitude inaceitável é substituído ou trocado por outro que se torna mais fácil e aparentemente mais lógico. O marido que recebe uma repressão no seu serviço pode achar justificável um pequeno incidente para investir contra a esposa, os filhos ou o cachorro, descarregando a raiva que não pode descarregar no seu chefe, a quem tem medo ou a quem deve muitos benefícios.

O impulso sexual dirigido para a esposa ou namorada, etc. se insatisfeito pode ser deslocado para a empregada, prostituta, etc. Quantas esposas tornam-se culpadas de que o marido quarentão as substitua por alguma aventureira desqualificada.

Os impulsos agressivos podem ser aliviados se substituídos por algum exercício violento, como chutar bola, boxe, cortar madeira, respiração profunda, assistir a luta livre, etc., exercícios muito benéficos, que podem impedir o recalque, como necessário, dando boa saída à energia emocional, que os acompanha.

Definitivamente eu não preciso comprar estas roupas
Definitivamente eu não preciso comprar estas roupas

9) RACIONALIZAÇÃO

Ocorre este mecanismo de defesa muito amiúde, quando o EGO consciente se esforça por explicar a todo o mundo os motivos “racionais” dos nossos constantes comportamentos irracionais.

O filantropo, por exemplo, dirá patrocinar financeiramente, “por caridade”, certa instituição benéfica (motivo aparente bem laudável) para disfarçar sua vaidade, ou o desejo inconsciente de restituir o roubado (motivo real inconsciente).

Fez-se claro este mecanismo nas sugestões pós-hipnóticas quando o hipnotizado cumpre a ordem sugerida inconscientemente, e trata de justificar o porquê o fez sem o saber.

Sendo um dos mais comuns mecanismos de defesa, os psicanalistas encontra-no, frequentemente, nas atitudes de desculpa de seus pacientes, como “lógicas” justificativas.

10) IDEALIZAÇÃO E SUPERCOMPENSAÇÃO

Idealizando o objeto amado (enamorado, enamorada), todas as qualidades boas lhe são atribuídas, existentes ou não, ao ponto de o espírito crítico não ser mais capaz de exercer seu discernimento racional a seu respeito. O neurótico formou seu “ideal” errado e a qualquer preço o quer conservar.

Pela supercompensação, outra espécie de deslocamento, uma atitude recalcada pode ser substituída pela sua oposta. Assim, uma crueldade violenta inconscientemente recalcada pode ser compensada por uma compaixão e ternura exageradas dos sofrimentos alheios (Pessoas supercaritativas e freiras virgens que se esforçam em cuidar de crianças órfãs, que elas não puderam ter…) à hostilidade reprimida, pode ser compensada, por uma submissão e humildade extremas; os sentimentos de timidez, de insegurança ou de inferioridade, compensam-se, muitas vezes, pelas exigências jactanciosas do valentão medroso. O valente policial “armado” pode resultar o mais medroso ser humano, quando desarmado. O sentimento vaidoso da mulher pode ser supercompensado, quando possa aparecer como “a primeira” ou “a mais”, nem que seja a mais feia, a mais gorda, etc.

11) A SUBLIMAÇÃO

Com o nome de sublimação, designa-se, em Psicanálise, certas formas de substituição de tendências impulsivas, que na sua forma crua resultariam inaceitáveis, mas que modificadas ou sublimadas, tornam-se socialmente muito valiosas.

Os esportes agressivos (touradas, luta livre), são sublimações de impulsos competitivos, destrutivos e até homicidas. Combinando a sociabilidade e hospitalidade, o jogo pode ser considerado como uma sublimação da tendência instintiva para o roubo.

Fumar, beber, mascar chiclete, são expressões modificadas ou sublimadas substitutivas do hábito de chupar o dedo ou do uso da chupeta, exagerado durante a infância.

A sexualidade, pela sublimação pode converter-se em continência controlada ou castidade, muito benéfica, socialmente falando, pelo vantajoso desembaraço, que permite exercer mais facilmente as atividades sociais, artísticas, literárias e científicas.

O cirurgião, o açougueiro e o oficial do exército utilizam seus impulsos agressivos, de tal forma modificados ou sublimados, que resultam em realizações muito importantes, desde o ponto de vista social, etc.

Análise de Semiótica e Psicanálise sobre o tráfico de pessoas: “Salve Jorge” é um drama televisivo, baseado na novela de Glória Perez, Não é preciso dar asas largas à imaginação para tentar trazer à [semiose] mente a cena de tráfico de pessoas, está sempre a um passo do extermínio do outro.

Segundo, Glória Perez, o oposto de tudo o que é divino se revela em forma humana, o terror se justifica não apenas por reafirmar a existência do Mal, mas por deixar claro o quão perto ele está de nós, e como pode passar despercebido.

Esse “perto de nós” significa que o mal de hoje não se banaliza pelo excesso de sua demonstração nas páginas dos jornais e nas telas do cinema e da televisão.

A autora, Glória Perez, se destaca na literatura brasileira e mundial, com os sistemas de signos das imagens, gestos, vestuários, ritos, etc.

Fonte: História das Psicoterapias e da Psicanálise, Mito, Sonho e Loucura (O Ego contrariado e suas defesas, Resistência e transferência, novas formas de defesa do Ego do psicanalizado) por Nelson Valente

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Nelson Valente é jornalista, professor universitário e escritor. Pesquisador nas áreas de psicanálise, comunicação, educação e semiótica. É mestre em Comunicação e Mercado e doutor em Comunicação e Artes. O autor também é especialista em Legislação Educacional, Psicanálise,Teoria da Comunicação e Tecnologia Educacional e já publicou 16 (dezesseis) livros sobre o ex-presidente Jânio Quadros e outros sobre educação, parapsicologia, psicanálise e semiótica, no total de 68 (sessenta e oito) livros e alguns no prelo. Ex-presidente da Academia Blumenauense de Letras/ALB, Acadêmico. Membro da Sociedade dos Escritores de Blumenau/SEB.

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