Um Cientista em Uruguaiana

Carlos Fonttes – Delo AHIMTB (PX3C4973)

     A obra elaborada e ainda não publicada do Reverendíssimo Senhor Bispo de Uruguaiana, Dom Ângelo Domingos Salvador, “Padres na Diocese”, do tempo em que ele passou em nossa cidade, (15/8/1999 a 30/9/2007), da qual tivemos o privilégio em recebermos uma cópia, nos trouxe informações fidedignas e de suma importância para a história local, onde fomos saber que um dos padres que estiveram em Uruguaiana, foi um grande cientista, porém vilipendiado e não reconhecido em vida por sua brilhante descoberta na área das telecomunicações.

     Nessa referida obra, à pg. 235/236, consta a confirmação de que o monsenhor ROBERTO LANDELL DE MOURA, teve atuação em Uruguaiana, quando foi provisionado vigário de 17 de julho a 31 de outubro de 1891, confirmado também pela sua assinatura no livro de batizados da Paróquia Sant’Ana nº. 8 de 1891 a 1894.  Já na obra publicada pelo seu biógrafo Ernani Fornari, que tem por título “O incrível Padre Landell de Moura” – BIBLIEx/2ª edição/1984, também nos confirma sua estada em nossa cidade.

     Roberto Landell de Moura nasceu em Porto Alegre no dia 21 de janeiro de 1861. De descendência portuguesa, era filho de Ignácio José Ferreira de Moura e Sara Mariana Landell. Em 1872 estudou no Colégio Jesuíta de Nossa Senhora da Conceição, de São Leopoldo, onde concluiu o curso de Humanidades. Seguiu, logo após, para o Rio de Janeiro onde cursou a Escola Politécnica. Em companhia de seu irmão Guilherme, foi para Roma onde, em 22 de março de 1878, ambos se matricularam no Colégio Pio Americano, cursando a Universidade Gregoriana. Em 28 de outubro de 1886, foi ordenado Padre, quando retorna ao Rio de Janeiro, residindo no Seminário São José. Foi Capelão e Professor de História Universal no Seminário Episcopal de Porto Alegre, quando, a 25 de março de 1891 foi conduzido, como vigário, para nossa cidade. Após, por 1892, foi transferido para São Paulo.

Padre Roberto Landell de Moura
Padre Roberto Landell de Moura

     Além da sua vida religiosa, Landell de Moura, que era formado em Física e Química, dedicou-se muito às pesquisas de Comunicações, sendo pioneiro na radiotelefonia, com a descoberta do telefone sem fio ou rádio de hoje por 1893, muito antes da experiência realizada por Guglielmo Marconi.

     Na gravura, em 1984 foi feita uma réplica pelos engenheiros da CIENTEC, (Fundação de Ciência e Tecnologia de Porto Alegre), do transmissor de ondas que Landell de Moura criou. Porém, infelizmente, no Brasil seus inventos não foram considerados e nem patenteados, sendo necessário registrá-lo em outro país. Patenteou nos Estados Unidos o “Transmissor de Ondas” – precursor do rádio, em 11 Out. 1904; o “Telefone e o Telégrafo sem fio” em 22 Nov. 1904. Também, nessa época, ele começou a projetar, de forma precursora, a transmissão da imagem, ou seja, a televisão e textos teletipos a distância.

     Por seu pioneirismo nas telecomunicações, foi considerado o “Patrono dos Radioamadores do Brasil”.

     Em 17 de setembro de 1927, foi elevado, pelo Vaticano, a Monsenhor e seis meses antes de falecer nomeado Arcebispo. No dia 30 de junho de 1928, veio a falecer de Tuberculose, num modesto quarto da Beneficência Portuguesa de Porto Alegre, cercado apenas de seus familiares, amigos e alguns fiéis. Seus restos mortais foram depositados no Cemitério dos Padres, na gruta de Nossa Senhora de Lourdes e atualmente, se encontra, desde 2002, na Paróquia Nossa Senhora do Rosário.

     Em 1967, como justa homenagem, foi criada no RGS, a Fundação Educacional Landell de Moura, o Centro de Pesquisas e desenvolvimento Padre Landell de Moura (CPeD), criado pela Petrobras em 1976, o 1º Centro Temático do Exército, em Porto Alegre, nome de ruas e praças em Porto Alegre e São Paulo. E aí nos questionamos: e Uruguaiana, existe alguma homenagem póstuma à esse cientista que aqui morou?

     Creio que a história futura poderá nos responder.

Carlos Fonttes é Escritor/artista plástico – Delegado da Academia de história militar terrestre do Brasil.
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Militar reformado do Exército, escritor e artista plástico. Correspondente de jornais e revistas, foi Diretor do Jornal “Centauro”, correspondente do jornal do MTG “Tradição” e free-lance do jornal “Zero Hora”, na coluna “Regionalismo” (1998/99) e diversos outros jornais da cidade e do estado.
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Possui matérias publicadas nas revistas do Exército e da Marinha. Delegado regional da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, “Delegacia Gen. Fernando Setembrino de Carvalho – Uruguaiana”.
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Participou de documentários históricos realizados pela RBS/TV, televisão da Argentina e do Paraguai; pertencendo ainda ao Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Tambaú, SP; ao Instituto de História e Tradições do RGS; ao Instituto histórico e geográfico de São Luiz Gonzaga-RS; ao Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico do Distrito Federal (Brasília) e à Comissão Gaúcha de Folclore.
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Como escritor, tem diversas obras literárias que serão apresentadas no Gibanet.com no decorrer do tempo.
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Visite o site do autor: http://www.artmajeur.com/carlosfonttes/

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