Solidariedade a Quem?

Massucatti Neto

                Normalmente começo minhas elucubrações com questionamentos, faço isso unicamente para instigar, provocar como diria Abujamra os leitores a também questionarem, ou melhor se questionarem sobre fatos, conceitos e princípios que acreditam serem absolutos. Hoje comento sobre os movimentos do último dia 07 de outubro de 2013, as manifestações que em tese seriam dos professores se tornaram palco de um espetáculo dantesco, nas redes sociais vejo manifestações de apoio, apoio não aos professores mas sim aos “manifestantes mascarados” que perpetraram atos de terrorismo atacando mais uma vez o patrimônio público e privado, direcionando sua bestialidade contra apenas uma vítima: a população.

                Ficando os interesses dos professores fora de contexto nesse balburdia, a turba tomou mais uma vez para si os flashes das câmeras e o espaço na mídia jornalística e ainda na redes sociais tiveram aqueles que apoiaram e apoiam esse tipo atitude, em uma clara demonstração de ignorância dos princípios democráticos que deveriam reger nossa nação, esses pseudo- rebeldes virtuais sem base de conhecimento histórico e conhecimento legal querem acreditar que estão colaborando com algo que vai ficar na história como uma luta justa.

Solidariedade a Quem?
Solidariedade a Quem?

                Pergunto a quem eles, os mascarados, estão se solidarizando, a quem eles estão ajudando quando fazem a quebradeira, aos professores? Pergunto ainda quem eles pretendem atingir quando destroem viaturas, telefones públicos, comércios, bancos e outros serviços públicos e privados, o governo?

                Se eles não são meros bandidos porque não mostram os rostos, se são assim tão valentes por qual razão escondem sua imagem atrás de toucas, mascaras e camisetas enroladas na cabeça, seu atos interessam a quem e quem realmente mobiliza essas pessoas?

                A democracia não é algo relativo, ou não deveria ser, não posso exigir liberdade cerceando a dos outros, como vemos também na USP de Campinas, onde mais uma vez mascarados tomaram um espaço público pago e mantido com dinheiro dos impostos, pagos por quem trabalha, impedindo acintosamente e coercitivamente aqueles que queriam expor sua opinião a jornalistas, tudo porque não querem policiais pelo campus, isso mesmo após um estudante ter sido morto. Observo que esses campus se tornarem terra de ninguém, onde festas regadas a muita bebida, sexo e todo tipo de substancia ilícita, tornaram-se praxe. Esses serão nossos médicos e advogados, que futuro negro nos espera.

                Vivemos em um verdadeiro estado de caos, as forças repressoras desse tipo de crime se vê de mãos atadas e são continuamente atacadas em redes sociais como vilões, o estado não se preocupa em descobrir e desarticular esses terroristas da ordem pública, afinal até agora esses mascarados não atingiram de forma nenhuma o poder vigente. Então a quem eles atacam? A você cidadão, simplesmente a você.

                Os holofotes que deveriam iluminar as reinvindicações legitimas dos professores foi tomado pelos “manifestantes”, isso apenas reforça minha tese exposta em artigo anterior nesse espaço (Manifestações, Será o Nosso Maio de 68 ? ), em que cogito que esses manifestantes servem sim a alguém e são mantidos por interesses maiores. O que me entristece é o fato de que a mídia virtual, pessoas até com boas intenções não percebem esse golpe contra a democracia. Toda manifestação legitima e ofuscada pelos vândalos, toda forma de reinvindicação é abafada pelo barulho da quebradeira, os noticiários informam apenas o caos, enquanto o assunto mais importante fica fora, enquanto os que tem algo a dizer ficam encolhidos ante a ação criminosa de mascarados.

                Está na hora das pessoas sérias, com interesses legítimos se manifestarem contra esses mascarados, o estado deve agir e punir não apenas alguns prendendo e soltando em seguida, mas todos, se as forças estaduais não são adequadas, o que não acredito, que venham as forças federais. Afinal não foram usados carros de combate nos morros do Rio, contra traficantes, porque não agora? Vivemos em via de uma verdadeira guerra civil, pois em algum momento os não mascarados, aqueles que estão cansados de pagar a conta para esses vagabundos quebrarem de novo, de sofrerem na hora de voltar após um dia de serviço vão reagir em um embate, que observo senhores e senhoras, não acabará bem.

                 Assim teremos uma verdadeira guerra civil, as ruas se tornaram palco não de quebradeiras mas sim de uma batalha, sei que dirão os senhores que o povo brasileiro é pacifico, mas lembro que não somos cordeiros.

Massucatti Neto

Massucatti Neto é profissional de segurança privada, entusiasta de assuntos polemicos e um inestimável amigo a mais de quarenta anos

Uma resposta para "Solidariedade a Quem?"

  1. Wilson   07/02/2014 em 13:44

    Concordo com as suas ponderações e não entendo a imobilidade dos serviços de inteligência sobre estes baderneiros.
    A sociedade precisa saber exatamente de quem parte as ordens e o apoio a estes grupos e que interesses estão envolvidos.

    Wilson

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