O Desabafo de um Justo

O Guerreiro Vencido

Massucatti Neto

                Vi o desabafo do ministro do Supremo Tribunal Federal, Vossa Excelência Sr. Joaquim Barbosa, e quando digo Excelência é porque ele merece esse título no contexto puro da acepção da palavra, ouvi suas palavras e vi em seu semblante a tristeza e a decepção que apenas os homens justos sentem, vi a vergonha em seu olhar característico daqueles que prezam seus princípios e seguem uma carreira por acreditar que esses princípios se alinham com a profissão escolhida, fazer justiça.

                Tal qual os guerreiros que após a batalha perdida, ao vislumbrar baixas sofridas e antever as perdas que ainda estão por vir, percebe que perdeu não pela força do inimigo mas pela fraqueza e covardia de seus aliados, e sofre só em meio à aqueles que sem ao menos demonstrar remorso ouvem com desdém suas verdades, se joga de joelhos ao chão e olha ao redor se sentindo impotente, assim fez Joaquim.

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                Não falarei dos que votaram a favor desse ato injurídico, não por temor de represálias por serem quem são e aonde estão, mas porque não merecem nem a pronuncia de seus nomes, nomes que o futuro e a história tratarão de mencionar de forma adequada, não, não merecem, me aterei aqui a falar de e para o Sr. Joaquim, o justo.

                Como o discurso fúnebre proferido por Marco Antônio a mais de dois mil anos sobre Cesar, Joaquim não veio falar mal dos algozes da justiça, mas falar sobre a justiça, ele não veio para citar nomes mas para expor atos, veio Joaquim para alertar o povo sobre atos que virão, sobre tramas arquitetadas nos bastidores do poder, sobre golpes no estado de direito.

                Que esse homem simples, que não teve bolsa família nem tampouco cotas raciais e hoje se tornou o homem, o jurista e o justo, que pelo seus próprios meios se fez, seja ele o exemplo, seja ele homenageado, seja ele ovacionado e não os déspotas tiranos semianalfabetos (se não analfabetos sênior) que vomitam aos quatro ventos o seu valor e importância histórica como defensores do povo. Não… não são glorias pessoais que esse homem pede, nem benesses ou privilégios do estado que ele pleiteia, não… não é isso, o que ele pede, quase implora é ponderação para que seja feita justiça, apenas justiça no sentido mais amplo e indistinto da palavra, isonômica justiça, plena justiça.

                Quando ouço suas palavras não sinto revolta nem indignação, mas sinto a vergonha em suas palavras, vergonha por ter que olhar os algozes da justiça, que do alto de suas magistraturas se consideram intocáveis e intocados, pessoas que nada se preocupam com a opinião pública e se colocando acima da sociedade deliberam de forma arbitraria e tendenciosa, vergonha por ter que conviver com aqueles que derrotaram não o Joaquim, mas a justiça.

                Temo que após isso esse homem, o ultimo se não único bastião da justiça, desista e como os guerreiros da antiguidade pendure sua espada e escudo ao lado da lareira, escolhendo viver uma vida no ostracismo, que sentindo só ante esse mar de lama que hoje forma a sociedade e política brasileira, temo que forças além de seu controle o obrigue a isso calando a voz mais alta e seria daquela casa.

                Joaquim, atravessará o Rubicão? Como escrevi em outra matéria, será ele o Cesar da política brasileira? Talvez não pela sua característica mais forte, honestidade e senso maior de justiça.

                Meus parabéns Joaquim por suas palavras e assim como você compartilho seu luto pela morte e enterro da justiça nesse país.

Massucatti Neto

Massucatti Neto é profissional de segurança privada, entusiasta de assuntos polemicos e um inestimável amigo a mais de quarenta anos

3 resposta para "O Desabafo de um Justo"

  1. Erick Figueiredo   01/03/2014 em 06:01

    Não podemos confundir justo com justiceiro. O primeiro, possui o equilíbrio necessário para aplicar a justiça e o segundo age por impulso para vingar uma ação.
    O Justiça é um conceito abstrato que se refere a um estado ideal de interação social em que há um equilíbrio razoável e imparcial entre os interesses, riquezas e oportunidades entre as pessoas envolvidas em determinado grupo social.
    Joaquim Barbosa não possui o equilíbrio necessário para um jurista e em momento algum respeitou. Não respeitou o direito dos réus quando ocultou provas – ele ocultou laudo anexo ao inquérito 2474 que comprova a utilização do quantia paga à DNA em campanhas publicitárias, por exemplo. Não respeitou a instituição que representa quando insultou os demais juízes que divergiram. Ele age por impulso e agride a imprensa, advogados e juízes gratuitamente.
    Não podemos chamar de juiz quem vive inebriado pela exposição à mídia, segue o que lhe é determinado pelos grandes meios de comunicação, não se importando com a Lei nem com a Justiça.
    É apenas um vingador, como são os grupos de justiceiros que defendem interesses, cobram caro pelos crimes que cometem e atuam nos morros matando quem não segue suas normas de conduta.
    Um juiz deve se ater à Lei e ao Direito e não se preocupar com o clamor dos que, furiosos, bradam por vingança. Este não é o sentido da justiça. Joaquim Barbosa se considerava intocável e intocado. Se preocupava apenas com as opiniões publicadas para sua promoção pessoal com provável interesse eleitoral.
    Quem discordar, pode votar nele, o vaidoso justiceiro “salvador da pátria” nunca um juiz.

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  2. José massucatti neto
    José massucatti neto   01/03/2014 em 20:30

    Justiça é um conceito abstrato sim, e nesse país inexistente e talvez quem sabe precisamos de um justiceiro. Se fomos falar de inebriados pela mídia e exposição, prefiro um Joaquim Barbosa alfabetizado ao um marxista analfabeto e diga-se de passagem alcoólatra, que adora o som da própria voz, se considera o salvador da pátria e nesses anos de governo vermelho enriqueceu de maneira vergonhosa. Falar o que dos pares que ele enfrentou, advogados do PT? DNA? Lavagem de dinheiro. Quanto as facções comentadas, patrocinadas e treinadas por quem? As Farc. Onde eles sempre vem? No foro de São Paulo. Patrocinado por quem? PT. Mas por mais que eu mostre ou apresente argumentos os ícones intocáveis do PT estão acima do bem e do mal e como todo bom comuna, os fins justificam os meios. Os adjetivos imputados ao Joaquim nada mais são que uma ação reflexa, imputo a quem se opõe os meus pecados, estratégia antiga dos regimes de esquerda. Talvez precisemos sim de um justiceiro, porque a justiça foi comprada e só não vê quem não quer, inversão de valores é normal nesse tipo de governo, incentivar a falta de educação, manter programas que incentivam o ócio é prático. Afinal nesse tempo todo de PT ainda tem gente que precisa de ajuda? Um país rico não é um país sem pobreza…eita slogan besta. Não vou falar sobre quebrar leis, ou subvertê-las a meu interesse, isso mereceria páginas e páginas sobre isso e, como todo bom socialista, entraria por um ouvido e sairia por outro buraco. Como conhecer um comunista, é alguém que lê Marx e não entende…
    Não posso esquecer… e aquele outro que foi passar férias na Europa, foi com dinheiro de quem, vaquinha? Realmente todo mundo mama na teta dessa nação..

    Meus pêsames..

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  3. ailton de oliveira toledo   17/04/2014 em 12:28

    quero expressar minha colocação em pró de Joaquim Barbosa, por ser um senhor justo em seus atos, por estar sempre do lado da justiça e que infelizmente não tem ao seu lado pessoas que pensam no povo brasileiro. Joaquim Barbosa, não desista de sua empreitada, lembre que Jesus também foi açoitado, não desanime com tua cruz, podes saber que Deus a te colocou porque precisa que tu a carregue, não esmoreça, lembre que todos nós vimos aqui com um pretesto, e uma provação, mas você tem uma Missão e essa é de Deus que lhe confiou, que não podemos entregar a espada ao inimigo, lembre que tua batalha está apenas começando, o bem sempre fala mais alto, não deixe os teus companheiros sòzinho, tua bandeira tem que falar mais alto, como vai esplicar a Deus o abandono por tuas peregrinações, vamos enfrente moço não desista!

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