Orientação Segura e Qualificada no Roteiro de Palestras da Psicóloga Ana Maria Biavati Guimarães

Lino Tavares

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Na sequência da série de entrevistas com personalidades, figura nesta edição a Psicóloga mineira Ana Maria Biavati Guimarães, natural de Luminárias, no Sul de Minas, domiciliada há 12 anos em São João del-Rei, um dos mais importantes polos históricos e culturais de Minas Gerais.

Pesquisadora por vocação e amante da boa leitura, dedica-se à realização de trabalhos sociais, voltados à realização de sonhos e projetos de vida, através da publicação de artigos, conversas individuais e palestras.

Consoante esse propósito, ela diz textualmente:  “Descobri em palestras a possibilidade da troca não só de conhecimentos, mas de energia, cumplicidade nos olhares e uma elegante oportunidade de fazer com que as pessoas reflitam e, em seguida, mudem seus comportamentos para melhor. O meu lema é ‘Cuidar de pessoas. Desenvolver equipes'”

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Psicóloga Ana Maria Bivati Guimarães 2

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Formação e Atividades

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Ana Maria é graduada em Filosofia e Psicologia pela Universidade Federal de São João del-Rei. É Especialista em Gestão de  Projetos  Sociais pela Universidade Federal de Itajubá. Foi Coordenadora de Capacitação e Desenvolvimento de Pessoas na Prefeitura Municipal de São João del-Rei por 3 anos. Exerceu por dois anos a atividade de Orientadora Educacional na Rede Salesiana de Ensino, sendo também Consultora Júnior em Gestão de Pessoas na Perfil Consultoria Jr. da Universidade Federal de São João del-Rei e, ao mesmo tempo, estagiária de RH na maior empresa de tecnologia da Região das Vertentes, a Conecta Ltda.em ambas pelo pelo período de um ano. Desde janeiro de 2013 atua como Analista de Recursos Humanos e Palestrante.

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Psicóloga Ana Maria Bivati Guimarães 4

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Ana Maria Biavati Guimarães Responde

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Quando despertou em você  a vocação para palestrante nessa área profissional que escolheu ?
R: Venho de uma família de muitos professores e lideranças.
Acredito que muitos deles me serviram de inspiração. Além disso, sempre gostei de ler e assistir a palestras sobre vários temas. Acredito que todo o saber de nada vale a pena se não puder transformar em ajuda ao outro. Minha formação, Filosofia e Psicologia, me trouxeram uma gama de conhecimentos e reflexões que me são inevitáveis compartilhar.
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A partir de que época você direcionou sua atuação para os projetos voltados à área social ? 
R: Minha atuação em Projetos Sociais iniciou-se em 2004, dentro da Universidade Federal de São João del-Rei. Lembro-me bem da estudante de Pedagogia Carol Silva, que identificou alguma capacidade em mim e me convidou para ajudar na fundação de um cursinho pré-vestibular de inclusão social. Depois dessa descoberta, nunca mais deixei de me envolver em programas sociais. Alguns de forma anônima, como doadora, outros de forma ativa, como voluntária. Atualmente, a menina dos meus olhos é a Associação Amigos de São João del-Rei que, desde 2009, tem um olhar diferenciado para a cultura e inclusão social na cidade.
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Esse pendor pela área humanística tem alguma influência familiar ou é uma característica essencialmente sua ?
R: Acredito que herdei muitas qualidades de meus pais (e defeitos também,  claro). Dentre elas, sempre tive em casa exemplos de generosidade, carinho, respeito e ajuda ao outro. Com minha mãe, aprendi a doar e, com meu pai, a me emocionar e partir para a ação. Contudo, acredito que hoje, já adulta, sou a mais humanista da família (pai, mãe e irmão), pois continuo acreditando nas correntes de pensamento e ações transformadoras do mundo. Tudo mediado pelo ser humano, pelo diálogo, pela sensibilidade. Às vezes, me sinto “demasiadamente humana”, como dizia Nietzsche.
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Além dessa vocação, você tinha algum outro projeto de vida na infância e/ou  na adolescência ?
R: Quando eu era criança, gostava muito de brincar que era secretária, empresária ou dona de loja. Nunca fui de brincar com muitas crianças, pois era bem tímida e alvo de superproteção familiar. Por um tempo, quis ser médica, depois jornalista, mas, por decisão madura, escolhi ser Psicóloga. Lembro-me que, um dia, na presença de meu avô materno, já doente em uma cama, eu disse: “Vô, eu lhe prometo que terei uma profissão na qual poderei ajudar muitas pessoas”. Ele sorriu e disse que sempre olharia por mim, mesmo do céu. Isso faz uns vinte anos e a cena jamais saiu de minha mente. Acredito que ele zela por mim e, se ele fosse vivo, teríamos muita coisa para rir e compartilhar.
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O que você destacaria como  objetivo primordial nessa área de atuação ?
R: Por ter o privilégio de amar o que faço, destaco a satisfação de chegar em casa e relembrar como pude ser um apoio para as pessoas durante o dia: seja no consultório; seja numa palestra. O objetivo então é ajudar, contribuir, somar e engajar pessoas. Outra ponderação é trabalhar com quem eu acredito. Já desconsiderei algumas propostas de trabalho porque traziam apenas o brilho e eu olhava nos olhos das pessoas e não acreditava em suas metodologias.
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O que você descartaria como não fundamental nessa área de atuação ?
R: Por incrível que pareça eu descarto a possibilidade de trabalhar apenas pela remuneração. Claro que o dinheiro nos é importante e supre necessidades básicas e de autoestima, mas conheço profissionais que só atuam porque o retorno financeiro é razoável. Sei que a Psicologia Clínica e a Organizacional, que são minhas paixões, poderiam ser promissoras, mas eu não tenho grandes ambições nesse sentido e não trabalho em prol do que não acredito. Já desconsiderei algumas propostas de trabalho porque traziam apenas o brilho e eu olhava nos olhos das pessoas e não acreditava em suas metodologias.
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Qual é a característica marcante, que apontaria como o seu diferencial nesse tipo de trabalho que realiza ?
R: Sou muito feliz por ter escolhido o curso de Filosofia antes de fazer a Psicologia. Aquele me nutriu de muitas perguntas e quase nenhuma resposta. Sim! O clichê é muito verdadeiro: são as perguntas que movem o mundo e não as respostas. Gosto de levar como diferencial para as minhas palestras provocações filosóficas e, depois, incluo elementos psicológicos. É como se eu desejasse que, primeiro, as pessoas devessem refletir, para depois mudar o comportamento. Gosto do jeito de palestrar de Mário Sérgio Cortella e aprendo muito com o seu estilo filosófico.
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Você encontra alguma dificuldade para desenvolver esse trabalho, na atual conjuntura do país ?
R: Encontro vários desafios. Já recebi muitos “nãos” quando ofereci meu trabalho de palestrante, mas todos eles me fortaleceram e me fizeram entender que as pessoas são realmente diferentes e que, se tiverem valores diferentes dos meus, realmente não contratarão o meu trabalho. Contudo, escolhi morar e trabalhar no interior de Minas Gerais e consigo realizar trabalhos bem personalizados, porque geralmente quem me contrata acredita em mim primeiro, depois no meu trabalho. Sou o tipo de profissional que precisa olhar no olho, levar carinho para o público e talvez em grandes centros urbanos isso não seria tão procedente, devido à velocidade com  que as coisas acontecem e a maior competição no mercado de trabalho. Mas repito: morar no interior foi uma opção para estar perto de meus pais e da qualidade de vida que meu corpo e mente precisam.
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Considerando tratar-se de um processo dinâmico, você diria que a realização de palestras requer constante renovação de conhecimentos básicos ?
R: Sempre. Ler, pesquisar, conversar, assistir a outras palestras, viajar, passar do teórico para o prático e vice-versa. Tudo é muito fluido e a mudança é a única lei, já dizia Heráclito, antes de Cristo. As palestras que proponho são personalizadas, gosto de me atualizar tanto no conhecimento sobre o público para o qual falarei, quanto sobre o que falarei. Acho que nunca vou parar de estudar. Também não sou palestrante de um assunto só, indefinidamente repetido. Gosto de variar e enfrentar sempre o desafio de temas novos.
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Como você vê a interação do público assistente durante e após a realização de cada palestra. Diria que o seu “feedback” é altamente positivo ?
R: Estou me decidindo por algum instrumento que mensure o grau de satisfação de meus públicos. Por ora, tenho recebido e-mails e recados em redes sociais que muito me gratificam. Após as palestras, ainda consigo abraçar cada um dos participantes e sempre digo, olhando nos olhos, que agradeço pela presença. E isso é verdadeiro. Que alegria ter um grupo de pessoas reunidas, todas olhando para você e escutando suas ideias. Costumo fazer uma leitura semiótica e, graças a Deus, tenho visto rostos mais alegres do que tristes durante minhas exposições. Tento misturar bom humor nos slides e as risadas são certas. Isso deixa o ambiente mais leve.
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No contexto geral desse trabalho, o que você oferece basicamente ao público alvo de suas palestras ?
R: Ofereço desenvolvimento humano. Acredito em tudo o que falo: que, apesar de sofrermos, temos que assumir as responsabilidades em busca de uma vida feliz, a exemplo da linda filosofia de base estóica. Para isso, levo muitas provocações filosóficas, estatísticas e dicas para mudança de comportamento. O que há de comum em todos os temas que trabalho é a vontade de que eu saia de cena, deixando uma semente plantada de esperança, de motivação e de mudança no coração de cada um. Só de incomodar a plateia com alguma pergunta ou afirmação já sinto que o trabalho valeu a pena. As mudanças começam a partir de um incômodo.
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Quais são os principais benefícios decorrentes desse processo de orientação profissional que você desenvolve ? 
R: O trabalho de Orientação Profissional, modernamente chamado de Coaching, tem o objetivo de desenvolver habilidades e atitudes necessárias para que cada pessoa tenha o sucesso que deseja pessoal ou profissional. Com a escuta clínica e outros instrumentos psicológicos, diagnostico as deficiências e as potencialidades de cada ser humano e coloco as cartas na mesa, perguntando: você quer mudar? Quer melhorar? Se sim, conte comigo.
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Você costuma classificar suas palestras como Encontros. Em que se baseia fundamentalmente para esse tipo de definição ?
R: Gosto muito da palavra encontro, porque subentende  (re)união de pessoas. Essa denominação sugere  proximidade, sintonia. Embora eu acredite em verdadeiros encontros, utilizo o termo “palestra”,  porque ainda é mais difundido e facilita a divulgação.
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Em que locais e instituições públicas você tem realizado seu trabalho de Orientação Educacional com maior frequência ?
R: O trabalho de Orientação Profissional eu realizo com estudantes universitários que estão buscando processos seletivos de grandes empresas, ou trainee,  ou com formandos do ensino médio que ainda estão na dúvida sobre qual carreira seguir. O trabalho de Orientação Profissional é mais clínico e, vez ou outra, realizo uma palestra motivadora em escolas, por exemplo.
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Você acha que houve algum crescimento no mercado de trabalho do país, ou ainda nos defrontamos com sérios problemas de desemprego ?
R: Houve um crescimento não somente do mercado de trabalho, como também das exigências para entrar nele, estamos falando de uma relação diretamente proporcional. O norte do país necessita muito de profissionais de nível superior, já no sudeste a concorrência é maior. Precisamos pensar em atrair talentos para as regiões que mais precisam investir em desenvolvimento humano, social e econômico. Hoje, o desemprego ainda é significante, mas, se analisarmos dez currículos, geralmente só dois ou três são avaliados positivamente.

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mineirão

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“Bate-bola” com Ana Maria Biavati Guimarães

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Doce recordação ? Meu avô Hélio Silva

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Amigo fiel ? Meu pai
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Viagem sonhada ? Ilhas Gregas
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Momento especial ? Aulas de Filosofia
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Quero esquecer ? Mágoas
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Maior sonho? Fazer o bem através da minha profissão
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Feliz surpresa ? Quando ganho livros de presente
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Superstição ? Juro que não tenho
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Cor preferida ? Lilás
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Número de sorte ? 21
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Prato preferido ? O estrogonofe de frango que meu pai faz
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Principal hobby ? Ouvir música
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Time do coração? Cruzeiro
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Cantor internacional ? O vocalista da Banda Keane
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Cantora internacional ? Mariah Carey
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Ator ou atriz? Glória Pires
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Personalidade brasileira ? Padre Léo
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Líder internacional ? Ghandi
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Quem é Deus ? O caminho que quero seguir para sempre!
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Quem sou ? Uma pessoa que acredita que “o sucesso é ser feliz” (frase de Roberto Shinyashiky)
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Projetos na carreira ? Contribuir com o outro e ser feliz fazendo o que amo.
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Psicóloga Ana Maria Bivati Guimarães

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Considerações Finais: 

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Primeiramente, gostaria de agradecer ao Lino pela oportunidade de falar um pouco sobre mim e o meu trabalho. Às vezes, o Psicólogo pode passar a impressão que é forte e sabe o caminho certo para acertar na vida. Mas não é bem assim. Somos tão errantes e aprendizes como todos. O único diferencial é que gostamos de ganhar dinheiro ajudando as pessoas. Gostaria de dizer para as pessoas que puderam me conhecer melhor por meio dessa entrevista que nunca desistam de sonhos e metas. Se precisar, procurem ajuda, amigos, terapia e Deus. Tudo vai dar certo, de uma forma ou de outra, vai dar certo. E finalizo com a frase que mais gosto de repetir: “O sucesso é ser feliz”, Roberto Shyniashiky.
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E-mail de Ana Maria Biavati Guimarães: 
anabiavati@yahoo.com.br

Lino Tavares

Lino Tavares é jornalista diplomado, colunista na mídia gaúcha e catarinense, integrante da equipe de comentaristas do Portal Terceiro Tempo da Rede Bandeirantes de Televisão, além de poeta e compositor

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