E Agora, Dilma ?

Lino Tavares

 

O Brasil assistiu neste domingo, 13 de março de 2016, ao maior espetáculo a céu aberto de democracia do novo século. Foram milhões de brasileiros, de todas as classes sociais e faixas etárias, lotando espaços urbanos nas grandes e pequenas cidades, pedindo o fim de um ciclo de governo viciado, que dilapidou o nosso país do ponto de vista ético, moral e econômico. A enorme concentração popular dessa primeira quinzena de março deixou margem a muitas conclusões, algumas delas tão óbvias quanto à certeza que se tem agora de que quem ocupa a chefia da Nação não mais corresponde à definição de democracia expressa pelo termo “o povo no poder”.

fora dilma

Ante a impossibilidade de tentar mascarar em seus noticiários os números da manifestação, porque isso seria desmentido pelas imagens das grandes avenidas superlotadas, a maior rede de televisão do Brasil não titubeou em partir para a comparação, observando que os cerca de 1 milhão e 450 mil manifestantes da Avenida Paulista superaram a concentração de público da campanha das “Diretas Já”, em São Paulo.

Trata-se sem dúvida de uma forma de comparação inadequada utilizada pelo Telejornalismo da Globo, com ar de demagogia pueril, haja vista que a comparação global deixa de levar em conta o fato de a população da capital paulista, na época da concentração das “Diretas já”, ser bastante menor do que a atual, o que descaracteriza a analogia em termos proporcionais.

Por outra lado, uma observação nesse sentido desqualifica a velha cantilena das esquerdas e de grande parte da mídia, afirmando insistentemente que vivia-se sob o império de uma ditadura no tempo do chamado “Regime Militar”. Afinal, em que outro país do mundo haveria alguma manifestação pública ocorrida sob a égide de uma ditadura para ser comparada com outra acontecida nesse mesmo país redemocratizado ? Será que uma eventual manifestação de rua ocorrida hoje na Rússia encontraria similar do tempo em que o país vivia sob a ditadura comunista do proletariado, para o estabelecimento de semelhante análise comparativa ?

Outra conclusão que se pode tirar – além do óbvio “deu pra ti” à quadrilha partidária que ocupa o poder – diz respeito ao fato de que fica seriamente abalada a propaganda do governo que, de longa data, vem alardeando que a gestão petista no comando da Nação transformou legiões que viviam na linha da pobreza absoluta em novos cidadãos da classe média. Se isso fosse verdade, essas famílias emergente do “milagre petista” se sentiriam – até por questão de gratidão – na obrigação de ir para as ruas com faixas e cartazes, pedindo a permanência do atual governo no poder, reduzindo assim o impacto das manifestações que clamam pelo fim da Era PT na direção do país.

Voltando o foco para o objetivo primordial da histórica manifestação deste 13 de março, não é difícil perceber que por seu gigantismo o movimento engessou o Congresso Nacional, praticamente obrigando-o a conduzir a bom termo o processo de Impeachment da Presidente Dilma. Afinal, os senadores e deputados, independente de cores partidárias e tendências ideológicas, ficaram numa “saia justa”, haja vista que nem o mais fanático defensor do atual governo teria coragem de chamar de “golpe” aquilo que multidões de brasileiros pediram de forma cristalina, alto e bom som, de Norte a Sul e de Leste a Oeste do Brasil: O IMPEACHMENT da Presidente Dilma Roussef.

Lino Tavares

Lino Tavares é jornalista diplomado, colunista na mídia gaúcha e catarinense, integrante da equipe de comentaristas do Portal Terceiro Tempo da Rede Bandeirantes de Televisão, além de poeta e compositor

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