A Igreja Católica

Gilberto Vieira de Sousa

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Após a morte de Jesus, seus discípulos se separaram e os que não foram capturados pelos romanos, foram divulgando a doutrina de seu mestre, a “Religião do Carpinteiro”. Com o passar dos anos esta doutrina foi se tornando conhecida e adquirindo diversos simpatizantes. Alguns espertalhões se autodenominaram pregadores e adaptaram os ensinamentos de modo que estes estivessem de acordo com seus objetivos.

Durante os três primeiros séculos a nova religião se misturava com o paganismo dominante na época e também trazia muitos conceitos judaicos. Durante este período o povo se dividia entre os que cultuavam o deus judaico, o deus cristão, o deus egípsio, os deuses gregos, os deuses romanos e as divindades pagãs, incluindo Invictus, o grande deus sol.

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A Igreja Católica - Durante os três primeiros séculos a nova religião se misturava com o paganismo dominante na época e também trazia muitos conceitos judaicos

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O Inicio da Igreja Católica

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Quando seu pai morreu em 306 d.C., Constantino passou a exercer autoridade suprema na Bretanha, Gália ( atual França ) e Espanha. Aos poucos, foi assumindo o controle de todo o Império Romano.

Desde Lúcio Domício Aureliano ( 270 – 275 d.C ), os Imperadores tinham abandonado a unidade religiosa, com a renúncia de Aureliano a seus “direitos divinos”, em 274. Porém, Constantino, estadista sagaz que era, inverteu a política vigente, passando, da perseguição aos cristãos, à promoção do Cristianismo, vislumbrando a oportunidade de relançar, através da Igreja, a unidade religiosa do seu Império. Contudo, durante todo o seu regime, não abriu mão de sua condição de sumo-sacerdote do culto pagão ao “Sol Invictus”.

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A Igreja Católica - os Imperadores tinham abandonado a unidade religiosa, com a renúncia de Aureliano a seus direitos divinos

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Na verdade, Constantino observara a coragem e determinação dos mártires cristãos durante as perseguições promovidas por Diocleciano, em 303. Sabia que, embora ainda fossem minoritários ( 10% da população do império ), os cristãos se concentravam nos grandes centros urbanos, principalmente em território inimigo. Foi uma jogada de mestre, do ponto de vista estratégico, fazer do Cristianismo a Religião Oficial do Império : Tomando os cristãos sob sua proteção, estabelecia a divisão no campo adversário.

Em 325, já como soberano único, convocou mais de 300 bispos ao Concílio de Nicéia. Constantino visava dotar a Igreja de uma doutrina padrão, pois as divisões, dentro da nova religião que nascia, ameaçavam sua autoridade e domínio. Era necessário, portanto, um Concílio para dar nova estrutura aos seus poderes. É realizado então o Concílio de Nicéia, atual cidade de Iznik, província de Anatólia, na Turquia asiática. Este foi o primeiro Concílio Ecumênico da Igreja, convocado pelo Imperador Flavius Valerius Constantinus ( 285 – 337 d.C ), filho de Constâncio I.

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O surgimento da “Santa Trindade”

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E o momento decisivo sobre a doutrina da Trindade ocorreu nesse Concílio. Trezentos Bispos se reúnem para decidir se Cristo era um ser criado ( doutrina de Arius ) ou não criado, e sim igual e eterno como Deus Seu Pai ( doutrina de Atanásio ).

Assim, segundo a conclusão desse Concílio, há somente um Deus, não dois; a distância entre Pai e Filho está dentro da unidade divina, e o Filho é Deus no mesmo sentido em que o Pai o é.

O Credo Niceno, estabelece a Divindade do homem da Galileia, embora essa conclusão não tenha sido unânime. Os Bispos que discordaram, foram simplesmente perseguidos e exilados.

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A Igreja Católica - O Concílio foi aberto formalmente a 20 de maio, na estrutura central do palácio imperial.Apenas 318 bispos compareceram, o que equivalia a apenas uns 18% de todos os bispos do Império.

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Com a subida da Igreja ao poder, discussões doutrinárias passaram a ser tratadas como questões de Estado.

E na controvérsia ariana, colocava-se um obstáculo grande à realização da ideia de Constantino de um Império universal que deveria ser alcançado com a uniformidade da adoração divina.

O Concílio foi aberto formalmente a 20 de maio, na estrutura central do palácio imperial.

Apenas 318 bispos compareceram, o que equivalia a apenas uns 18% de todos os bispos do Império. Dos 318, poucos eram da parte ocidental do domínio de Constantino, tornando a votação, no mínimo, tendenciosa. Assim, tendo os bispos orientais como maioria e a seu favor, Constantino aprovaria com facilidade, tudo aquilo que fosse do seu interesse.

Após Constantino ter explicitamente ordenado o curso das negociações, ele confiou o controle dos procedimentos a uma comissão designada por ele mesmo, consistindo provavelmente nos participantes mais proeminentes desse corpo.

O Imperador manipulou, pressionou e ameaçou os partícipes do Concílio para garantir que votariam no que ele acreditava, e não em algum consenso a que os bispos chegassem. Dois dos bispos que votaram a favor de Arius foram exilados e os escritos de Arius foram destruídos. Constantino decretou que qualquer um que fosse apanhado com documentos arianistas estaria sujeito à pena de morte.

Mas a decisão da Assembléia não foi unânime, e a influência do imperador era claramente evidente quando diversos bispos de Egito foram expulsos devido à sua oposição ao credo.

Na realidade, as decisões de Niceia foram fruto de uma minoria. Foram mal entendidas e até rejeitadas por muitos que não eram partidários de Árius.

Posteriormente, 90 bispos elaboraram outro credo ( O “Credo da Dedicação” ) em 341, para substituir o de Niceia e em 357, um Concílio em Smirna adotou um credo autenticamente ariano.

Portanto, as orientações de Constantino nessa etapa foram decisivas para que o Concílio promulgasse o Credo de Niceia, ou a Divindade de Cristo, em 19 de Junho de 325 e com isso, veio a conseqüente instituição da Santíssima Trindade e a mais discutida, ainda, a instituição do Espírito Santo, o que redundou em interpolações e cortes de textos sagrados, para se adaptar a Bíblia às decisões do conturbado Concílio e outros, como o de Constantinopla em 38l, cujo objetivo foi confirmar as decisões daquele.

A concepção da Trindade, tão obscura, tão incompreensível, oferecia grande vantagem às pretensões da Igreja. Permitia-lhe fazer de Jesus Cristo um Deus. Conferia a Jesus, que ela chama seu fundador, um prestígio, uma autoridade, cujo esplendor recaia sobre a própria Igreja Católica e assegurava o seu poder, exatamente como foi planejado por Constantino.

Essa estratégia revela o segredo da adoção trinitária pelo concílio de Niceia.

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Gerado, não criado

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Os teólogos justificaram essa doutrina estranha da divinização de Jesus, colocando no Credo a seguinte expressão sobre Jesus Cristo : “Gerado, não criado”.

Mas, se foi gerado, Cristo não existia antes de ser gerado pelo Pai. Logo, Ele não é Deus, pois Deus é eterno ! Espelhando bem os novos tempos, o Credo de Niceia não fez qualquer referência aos ensinamentos de Jesus. Faltou nele um “Creio em seus ensinamentos”.

Mesmo com a adoção do Credo de Niceia, os problemas continuaram e, em poucos anos, a facção arianista começou a recuperar o controle. Tornaram-se tão poderosos que Constantino os reabilitou e denunciou o grupo de Atanásio.

Arius e os bispos que o apoiavam voltaram do exílio. Agora, Atanásio é que foi banido.

Quando Constantino morreu ( depois de ser batizado por um bispo arianista ), seu filho restaurou a filosofia arianista e seus bispos e condenou o grupo de Atanásio.

Nos anos seguintes, a disputa política continuou, até que os arianistas abusaram de seu poder e foram derrubados.

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O Espírito Santo

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A controvérsia político/religiosa causou violência e morte generalizadas. Em 381 d.C, o imperador Teodósio ( um trinitarista ) convocou um concílio em Constantinopla. Apenas bispos trinitários foram convidados a participar. Cento e cinquenta bispos compareceram e votaram uma alteração no Credo de Niceia para incluir o Espírito Santo como parte da divindade.

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A Igreja Católica - A controvérsia político/religiosa causou violência e morte generalizadas.

A doutrina da Trindade era agora oficial para a Igreja e também para o Estado. Com a exclusiva participação dos citados bispos, a Trindade foi imposta a todos como “mais uma verdade teológica da igreja”. E os bispos que não apoiaram essa tese foram expulsos da Igreja e excomungados.
Por volta do século IX, o Credo já estava estabelecido na Espanha, França e Alemanha. Tinha levado séculos desde o tempo de Cristo para que a doutrina da Trindade “pegasse”.

A política do governo e da Igreja foram as razões que levaram a Trindade a existir e se tornar a doutrina oficial da Igreja.

Como se pode observar, a doutrina trinitária resultou da mistura de fraude, política, um imperador pagão e facções em guerra que causaram mortes e derramamento de sangue.

As Igrejas Cristãs hoje em dia dizem que Constantino foi o primeiro Imperador Cristão, mas seu “cristianismo” tinha motivação apenas política. É altamente duvidoso que ele realmente aceitasse a Doutrina Cristã. Ele mandou matar um de seus filhos, além de um sobrinho, seu cunhado e possivelmente uma de suas esposas. Ele manteve seu título de alto sacerdote de uma religião pagã até o fim da vida e só foi batizado em seu leito de morte.

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Da “Religião do Carpinteiro” a “Igreja de Roma”

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Resumindo: Em 313 d.C., com o grande avanço da “Religião do Carpinteiro”, o Imperador Constantino Magno enfrentava problemas com o povo romano e necessitava de uma nova Religião para controlar as massas. Aproveitando-se da grande difusão do Cristianismo, apoderou-se dessa Religião e modificou-a conforme seus interesses e necessidades. Alguns anos depois, em 325 D.C, no Concílio de Niceia, é fundada oficialmente a Igreja Católica Apostólica Romana.

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A Igreja Católica - Em 313 d.C., com o grande avanço da .

Portanto, a versão de que a Igreja Católica teria mais de 2.000 anos, servindo assim de mais um reforço para que autoridades católicas espalhassem aos quatro ventos que essa igreja teria sido fundada por Cristo, cai definitivamente por terra, poderíamos até mesmo dizer que Constantino foi seu primeiro Papa. Como se vê claramente, a Igreja Católica não foi fundada por Pedro e está longe de ser a Igreja primitiva dos Apóstolos … Ou seja: por influência dos imperadores Constantino e Teodósio, o Cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano e entrou no desvio. Institucionalizou-se; surgiu o profissionalismo religioso; práticas exteriores do paganismo foram assimiladas; criaram-se ritos e rezas, ofícios e oficiantes.

Toda uma estrutura teológica foi montada para atender às pretensões absolutistas da casta sacerdotal dominante, que se impunha aos fiéis com a draconiana afirmação: “Fora da Igreja não há salvação”.Além disso, Constantino queria um Império unido e forte, sem dissenções. Para manter o seu domínio sobre os homens e estabelecer a ditadura religiosa, as autoridades eclesiásticas romanas deviam manter a ignorância sobre as filosofias e Escrituras.

A mesma Bíblia devia ser diferente. Devia exaltar Deus e os Patriarcas mas, também um Deus forte para se opor ao próprio Jeová dos Hebreus, ao Buda, aos poderosos deuses do Olimpo. Era necessário trazer a Divindade Arcaica Oriental, misturada às fábulas com as antigas histórias de Moisés, Elias, Isaías, etc, onde colocaram Jesus, não mais como Messias ou Cristo, mas maliciosamente, colocaram Jesus parafraseado de divindade no lugar de Jezeu Cristna, a segunda pessoa da trindade arcaica do Hinduísmo.

Nesse quadro de ambições e privilégios, não havia lugar para uma doutrina que exalta a responsabilidade individual e ensina que o nosso futuro está condicionado ao empenho da renovação interior e sim à simples adesão e submissão incondicional aos Dogmas de uma Igreja, os quais, para uma perfeita assimilação era necessário admitir a quintessência da teologia : “Credo quia absurdum”, ou seja, “Acredito mesmo que seja absurdo”, criada por Tertuliano ( 155-220 ), apologista Cristão.

Disso tudo deveria nascer uma religião forte como servia ao império romano. Vieram ainda a ser criados os simbolismos da Sagrada Família e de todos os Santos, mas as verdades do real cânone do Novo Testamento e parte das Sagradas Escrituras deviam ser suprimidas ou ocultadas, inclusive as obras de Sócrates e outras Filosofias contrárias aos interesses da Igreja que nascia.

Esta lógica foi adotada pelas forças clericais em concordância com a política romana, que precisava desta religião forte o bastante para impor-se aos povos conquistados e reprimidos por Roma para assegurar-se nas regiões invadidas, onde dominava as terras, mas não o espírito dos povos ocupados.

Em troca, o Cristianismo ganhava a Universalidade, pois queria se tornar “A Religião Imperial Católica Apostólica Romana”, a Toda Poderosa que vinha a ser sustentada pela força, ao mesmo tempo que simulava a graça divina, recomendando o arrependimento e perdão, mas que na prática derrotava seus inimigos a golpes de espada.

Não quero desmerecer os benefícios que o cristianismo trazem atualmente para a sociedade, mas é preciso resgatar a verdade sobre o princípio desta doutrina, sobre o surgimento da Igreja Católica Apostólica Romana e a partir deste ponto ir pontuando os acontecimentos que levaram a doutrina cristã ao que ela é e representa nos dias atuais.

Como dito na própria Bíblia: “Conhecereis a verdade e ela a libertará.”

Grande abraço

Gilberto Vieira de Sousa

Gilberto Vieira de Sousa é Jornalista (MTB 0079103/SP), técnico em Sistemas de TV Digital, Fotografo Amador, Radioamador, idealizador e administrador do site GibaNet.com

2 resposta para "A Igreja Católica"

  1. Anonymous   21/02/2009 em 17:06

    muito bom,assim muitos podem ver a verdadeira face da católica!

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  2. Manel   19/06/2009 em 08:48

    Jesus (Yaohushua) não delegou a sua Igreja Imaculada (Ef.5,27) a Pedro.
    Os que pretendem afirmar-se como sucessores de Pedro é que dizem isso, como que puxando a brasa à sua sardinha, para dominarem os outros.

    YaohuShua começou, sim, a construir a sua Igreja com «pedras» semelhantes a «Pedro»
    « sobre esta pedra »

    Assim como você precisa das chaves da sua casa para entrar nela, também «Pedro» e todos os outros precisam de chaves para entrar na Igreja de Cristo.

    Não compete sequer a Cristo escolher os membros da sua Igreja nem determinar os lugares destinados a cada membro, mas sim ao Pai (Mateus 20,21-23 . Continue a ler a partir do verso 23 .

    Quando as igrejas começam a lutar por uma supremacia, querendo mandar uns nos outros é o que acontece: INDIGNAÇÃO.

    Veja o caso de Diotrofes (1 João 9-12)

    Os Apóstolos não deixaram sucessores. Apenas Judas. O sucessor de Judas foi Matias (Actos 1). Para ser nomeado Apóstolo era necessário ter acompanhado Cristo desde o seu baptismo atá a sua subida ao céu.

    Quanto aos bispos. No princípio, não havia bispos diocesanos em que um manda em muitas paróquias e tem os "padres" como seus subordinados. No princípio havia Igrejas locais tendo cada uma vários bispos (episcopos = presbíteros). Faziam parte do corpo que superintendia a congregação. Por isso não sucediam uns aos outros, mas o número de bispos em cada congregação (igreja local) aumentava ou diminuía, consoante as contingências. Quando era nomeado (ou chegava) mais um era apenas mais um que se juntava aos já existentes nessa igreja local. Quando um partia o número apenas diminuía.

    As coisas mudaram muito ao longo dos tempos e corromperam-se.

    Em vez de seguirem as recomendações do Mestre «se quiseres ser o primeiro faz-te o servo de TODOS» (Mateus 23,11)

    Leia todo o cap 23 de Mateus.

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