Tiririca, o Palhaço Honesto que Abandona o “Circo dos Horrores”

Lino Tavares

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Muitos acreditam que a ausência de padrões morais que leva pessoas a delinquir está relacionada às carências sociais e econômicas sofridas pelo indivíduo na infância e na adolescência. Trata-se de um equívoco, pois o padrão de bondade e honestidade que existe em cada um de nós é reflexo natural do tipo de consciência que preside a nossa maneira de pensar e agir.

Envolvido num mar de lama em que o roubo ao erário via corrupção é a mácula central, o ex-presidente Lula, mesmo desmascarado por seus atos indignos, ainda desperta em vários segmentos da sociedade aquela compaixão do retirante nordestino, desprovido de escolaridade mínima, que um dia chegou a São Paulo para trabalhar, ingressou no sindicalismo atuante e fez disso trampolim para se tornar um político sagaz, galgando a mais alta magistratura da nação.

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o deputado Tiririca, oriundo de camada tão ou mais humilde do que aquela de onde Lula emergiu, houve por bem renunciar ao seu mandato de deputado

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Movido por essa ideia tacanha, existe quem defenda a tese de que os erros do Lula devem ser perdoados, considerando que ele veio das camadas mais humildes e não teve a devida orientação, na infância, para discernir como convém entre o bem e o mal, o certo e o errado. Para os que pensam assim, os descaminhos percorridos por Lula no poder são menos graves dos trilhados por políticos como Paulo Maluf, Collor e outros que, por terem vindo de camadas abastadas, teriam aprendido desde cedo que ser honesto é fundamental.

Estava faltando um exemplo concreto para desmentir a tese do “pobrezinho inocente”. Pois bem, já não está faltando mais. porque o deputado Tiririca, oriundo de camada tão ou mais humilde do que aquela de onde Lula emergiu, houve por bem renunciar ao seu mandato de deputado, explicando na tribuna da Câmara o porquê dessa decisão, que outra não é senão o grande caráter que traz de berço, em função do qual não se permite mais ocupar espaço num parlamento desacreditado, que virou um grande cassino de jogadores desonestos, regiamente pagos com o dinheiro público para trair os interesses de seus eleitores, tomando decisões literalmente negociadas , posto que envolvem favorecimentos inconfessáveis e, em casos como o do mensalão, até dinheiro vivo nas suas contas milionárias dos paraísos fiscais.

Em completo desrespeito à dignidade política desde país e à população brasileira como um todo, Lula vem sendo incluído nas pesquisas de opinião como candidata praticamente certo à Presidência da República no ano que vem. Desrespeito, por se tratar de um misto de corrupto e ladrão já condenado na primeira instância judicial, aguardando decisão de recurso na instância superior, com remotíssima chance de reverter a condenação. Não é crível que isso venha a acontecer, pois seria a desmoralização completa da Justiça brasileira, hoje tão caótica no seu escalão mais elevado pela nomeação política de medíocres e desonestos nos postos de ministro da Suprema Corte.

Se porém acontecer, pois neste país as desgraças viraram rotina, e Lula for candidato em 2018, fica aqui o meu apelo ao honrado Tiririca, que com sua nobre profissão tão bem representou no Congresso falido seus compatriotas palhaços que pagam imposto para sustentar o status quo da roubalheira institucionalizada, no sentido de que lance sua candidatura a presidente da Nação,  pois a simples hipótese de impedir a volta do criminoso Luiz Inácio ao local do crime, caso seja eleito,  já o tornará um herói nacional para sempre lembrado e venerado.

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Lino Tavares

Lino Tavares é jornalista diplomado, colunista na mídia gaúcha e catarinense, integrante da equipe de comentaristas do Portal Terceiro Tempo da Rede Bandeirantes de Televisão, além de poeta e compositor

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