Entrevista Exclusiva com o Dr. Rogério Abdo Neser Sobre os Problemas Ocasionados Pelas Varizes

Eliane Honorato

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Pesquisa afirma que 45% das mulheres no Brasil possuem varizes

Muito além da estética, o tratamento das varizes é importante por evitar futuros problemas circulatórios, por exemplo, coágulos que levam a trombose, embolia pulmonar ou outras complicações graves. Além disso, as varizes nas pernas quando não tratadas desencadeiam problemas como hemorragia e podem virar úlcera.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, as varizes afetam cerca de 45% das mulheres e 30% dos homens no Brasil. Sua prevalência média é de 38% na população geral brasileira.

Conforme pesquisa a prevalência das varizes aumenta de acordo com o avanço da idade. Ela afirma que 70% das pessoas acima dos 70 anos podem possuir varizes.

O médico especialista em cirurgia vascular e endovascular, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Dr. Rogério Abdo Neser explica como surgem as varizes, seus tipos, os tratamentos e quando essa doença se torna grave. Além de esclarecer que os cremes não eliminam as varizes sendo apenas cosméticos e não medicamentos.

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médico especialista em cirurgia vascular e endovascular, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Dr. Rogério Abdo Neser explica como surgem as varizes, seus tipos, os tratamentos e quando essa doença se torna grave. Além de esclarecer que os cremes não eliminam as varizes sendo apenas cosméticos e não medicamentos

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Gibanet.com: Como surgem as varizes?

Rogério Abdo Neser: Frequentemente pessoas me perguntam sobre o que causa varizes e como evitá-las. Muito se especula a respeito de que isso ou aquilo pode causar varizes nas pernas. É comum ouvir: “não use salto alto”, “calça apertada pode provocar varizes”, “subir escadas faz aparecerem vasinhos”, “fulana fez uma cirurgia de varizes e não fez repouso, por isso voltaram as veias”. Isso é verdadeiro? O surgimento das varizes está relacionado principalmente a dois fatores: genética e envelhecimento natural das pessoas. Assim, caso exista algum familiar próximo que apresente varizes e quanto mais idade a pessoa tem, mais chances de desenvolver varizes. São as chamadas varizes essenciais ou primárias. Estas varizes estão relacionadas a alterações estruturais das veias que não podem ser controladas ou evitadas completamente. Entretanto, podemos controlar alguns fatores que acentuam a tendência natural de certas pessoas a desenvolverem o problema. Fatores ambientais também influenciam no aparecimento das varizes, embora em menor intensidade que a genética e envelhecimento. Dessa forma, vida sedentária, obesidade, atividades profissionais que exigem permanecer em pé por longos períodos de tempo também contribuem para aumentar as varizes.

 

Gibanet.com: Existe creme que garante prevenção ou eliminação das varizes?

Rogério Abdo Neser: Essa é uma dúvida de muita gente, sobretudo mulheres interessadas em acabar com os inconvenientes causados pelas varizes e vasos nas pernas da maneira mais fácil possível. A maioria dos cremes são apenas cosméticos e são anunciados como medicamentos, deixando muito confuso o consumidor que frequentemente o considera um “remédio”. Alguns, apesar de apresentarem na sua formulação componentes com potencial medicamentoso, não provocam benefício algum no tratamento ou prevenção das varizes, e não há comprovação ou boa evidência científica do efeito terapêutico para as varizes pela aplicação tópica, ou seja, como cremes ou pomadas. Algumas pessoas podem relatar certa melhora no desconforto provocado pelas varizes quando experimentam tais produtos, entretanto qualquer creme refrescante pode produzir o mesmo efeito. Portanto, cremes para varizes não funcionam.

 

Gibanet.com: Quais são os casos que tornam as varizes graves?

Rogério Abdo Neser: A gravidade das varizes fundamentalmente está relacionada à quantidade e tamanho das veias, que podem levar a formação de feridas nas pernas, as chamadas úlceras varicosas. Apesar das varizes poderem ser potencialmente muito incapacitantes, não levam o paciente à morte. As varizes podem ser primárias, ou seja, relacionada ao processo natural de envelhecimento e a fatores genéticos, ou podem ser secundárias, complicações de tromboses venosas ou outros fatores, por exemplo. De maneira geral, as varizes secundárias habitualmente são mais graves que as varizes primárias, ocorrendo mais úlceras venosas na varizes pós tromboses venosas.

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A gravidade das varizes fundamentalmente está relacionada à quantidade e tamanho das veias, que podem levar a formação de feridas nas pernas, as chamadas úlceras varicosas

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Gibanet.com: Quais são os tratamentos das varizes?

Rogério Abdo Neser: Detectada a presença de varizes, a única maneira de eliminá-las é através de intervenções. Não se iluda, varizes não desaparecem espontaneamente. Atualmente existem algumas opções de tratamento, dependendo do tamanho e localização das varizes, porém só com intervenções conseguimos eliminá-las. Cirurgia, escleroterapia, ou popularmente chamada de secagem, ou ainda a ablação térmica (uma espécie de cauterização) que pode ser feita por laser ou radiofrequência são os métodos utilizados mais comumente. A escolha do tratamento, como já foi dito, depende do tipo de veia, e também da condição clínica do paciente. Métodos de tratamentos conservadores, sem cirurgia ou escleroterapia, não curam nem eliminam os problemas existentes nas veias, porém podem ajudar a conter parcialmente a evolução da doença e aliviar os sintomas como dor, inchaço, coceira e peso nas pernas.

 

Gibanet.com: Como é o processo pós-operatório e o tempo de recuperação?

Rogério Abdo Neser: O paciente recebe alta hospitalar na imensa maioria das vezes poucas horas após o término da cirurgia (a maioria dos meus pacientes são submetidos ao procedimento sob anestesia local mais uma leve sedação) sai com as pernas enfaixadas e é orientado a retirar estas faixas um ou dois dias após cirurgia. Os pequenos cortes, geralmente de 1 ou 2mm de extensão, que nem requerem pontos, são mantidos com pequenos curativos por cerca de uma semana. O retorno ao consultório geralmente é feito em 7 a 10 dias após a cirurgia. Praticamente não há restrições no pós-operatório e no dia seguinte o paciente está liberado para andar, subir escadas, dirigir, etc. O que vai determinar o retorno às atividades habituais do paciente, é o conforto em realizar estas atividades. Pacientes mais sensíveis ou aqueles submetidos a cirurgias mais extensas, tendem a levar alguns dias para se sentirem confortáveis em retornar às suas atividades. Pacientes que são submetidos a cirurgias com laser ou radiofrequência recuperam-se mais rapidamente e necessitam de menos analgésicos no pós-operatório. O uso de meias elásticas é recomendado, porém não obrigatório aos pacientes que foram submetidos a cirurgias sem o tratamento da safena. Já os que são submetidos ao tratamento da safena com laser ou radiofrequência, precisam usar as meias elásticas durante um ou dois meses, pois nestes casos o resultado da cirurgia depende do uso da meia. Hematomas são esperados, porém com as técnicas modernas e delicadeza na cirurgia, estes hematomas são bem menores que pelas técnicas convencionais. Devido a esses hematomas, os pacientes são orientados a não tomar sol por cerca de três meses para evitar manchas na pele. As orientações a este respeito devem ser individualizadas de acordo com cada paciente.

 

Gibanet.com: Como prevenir as varizes?

Rogério Abdo Neser: Como as principais causas das varizes são o fator familiar e o envelhecimento natural das veias, não é possível determinar uma maneira efetiva de prevenção, já que não se pode mudar a genética ou parar o tempo. Entretanto, é possível, com mudanças de hábitos e medidas simples, minimizar fatores que possam aumentar estas varizes. Evitar o uso de pílulas anticoncepcionais, controlar o peso, evitar permanecer em pé ou sentado imóvel durante períodos muito prolongados e praticar atividades físicas regularmente ajudam a diminuir o problema.

 

Eliane Honorato

Eliane Honorato é Jornalista, formada na PUC-Campinas, possui experiência como correspondente internacional, repórter em mídias impressas e digitais. Possui ampla vivência em Assessoria de Imprensa.

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