Que sirva de lição à Corte Politizada

Lino Tavares

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Eu não vou dizer que o resultado de 3 a 0 que confirmou a condenação do Lula no TRF-4 foi recebido por mim como uma grata surpresa. Na verdade, minha convicção nesse sentido nasceu quando o juiz Sérgio Moro sentenciou de forma categórica que Lula era culpado no caso do triplex, razão pela qual o condenou a 9 anos e 6 meses de prisão.

Precisaria ser muito pessimista – algo que não sou – para supor que os três desembargadores da 4ª Região da Justiça Federal, em Porto Alegre, seriam tão safados quanto certos ministros do STF, a ponto de desconsiderarem a montanha de provas contra o acusado, passando por cima de um juiz de primeira instância, que representa hoje a mais importante figura pública do país, consubstanciada na pessoa do magistrado Sérgio Moro.

Minha certeza era tanta de que a condenação seria ratificada, que cheguei a questionar nas redes sociais se alguém tinha dúvida de que, entre a decisão de Sérgio Moro e a defesa inconsistente do advogado do Lula, os desembargadores da 8ª Turma do TRF-4 optariam pelo parecer do colega, não por corporativismo ou outro motivo menor, mas simplesmente por sua sentença ser lídima expressão da verdade e da razão.

É verdade que, não obstante a decisão unânime de 3 a 0 em prol da condenação, muitas pessoas ficaram de certo modo frustradas, porque estavam na expectativa de ver o abominável condenado sendo conduzido para o cárcere, de preferência algemado e a bordo de um camburão. Temos de convir contudo que aqui é Brasil e, neste país crivado de jeitinhos, o dispositivo legal mais falso que existe é o que preceitua na Constituição que “todos são iguais perante a lei”.

Se Lula fosse um ex-prefeito ou até mesmo um ex-governador, certamente teria assistido na cadeia ao julgamento desse recurso. Afinal, motivo para ser preso, inclusive preventivamente, é o que nunca faltou, pois o simples fato de reunir em torno de si grupos de baderneiros desocupados, em tom ameaçador ao poder judiciário, interagindo com essas milícias disfarçadas de movimentos sociais, já justificaria seu pedido de prisão. Mas, como falei, ele é ex-presidente e, como tal, desfrutando de mordomias injustificáveis, como segurança pessoal, etc, custeadas com o dinheiro dos impostos escorchantes que pagamos.

Mesmo assim, temos que saudar essa confirmação condenatória como uma vitória maiúscula do bem contra o mal, pois ela nos dá a quase certeza de que o demagogo e desonesto Luiz Inácio Lula da Silva já pode se considerar a partir de agora morto e enterrado politicamente, haja vista que após o julgamento do recurso que ainda lhe resta, no mesmo tribunal que o condenou, sua candidatura a um terceiro mandato presidencial se tornará totalmente inviável, posto que o enquadrará na “lei da ficha limpa”.

É claro que o PT vai continuar apostando na elegibilidade de Lula e registrar a sua candidatura, algo que aliás está ao alcance de qualquer bandido, inclusive do Fernandinho Beira Mar. Contudo ela não será homologada, pelas razões já mencionadas.

Que essa lição do poder judiciário representado por suas instâncias ocupadas por juízes de carreira, portando competentes, sirva de exemplo à Suprema Corte, na qual não podemos depositar o mesmo grau de confiança, por ter sua “banda podre” integrada por ministros de caráter duvidoso, que ascenderam ao cargo pelas mãos sujas de presidentes canalhas, como esse que está sendo extirpado da vida política nacional como um tumor maligno que por longo tempo corroeu o tecido social desta nação hoje doentia, procurando desesperadamente a figura de um salvador da Pátria.

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Lino Tavares

Lino Tavares é jornalista diplomado, colunista na mídia gaúcha e catarinense, integrante da equipe de comentaristas do Portal Terceiro Tempo da Rede Bandeirantes de Televisão, além de poeta e compositor

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