O Frenesi Doutrinário da América Latina - Gibanet.com
O Frenesi Doutrinário da América LatinaLino Tavares

    

   Só alguém politicamente cego não percebe que, da Patagônio à fronteira do México com os Estados Unidos, existe um movimento, disfarçado mas explícito aos olhos de quem enxerga um palmo adiante do nariz, no sentido de implantar na América Latina um regime opressor de países coligados, de extrema esquerda, semelhante àquele que apodreceu no Leste Europeu, sob o domínio da hoje extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

      Tendo como principal ponto de apoio e musa inspiradora o restolho autoritário dos irmãos Castro, a “Ilha-presídio” de Cuba, os derrotados extremistas de ontem, hoje empoleirados no poder com o uso do lado vulnerável da democracia, o populismo demagógico, vivem momentos de histeria frente aos acontecimentos políticos das nações latino-americanas, protestando e condenando, com o frenesi de quem já domina de ponta a ponta a metade centro-sul da América, todo e qualquer ato de governo ou resultado eleitoral, que não corresponda aos seus anseios de consolidação do projeto de dominação geopolítica do subcontinente americano.
      Foi assim em relação à retirada de Manuel Zelaya do governo de Honduras, por descumprimento de preceitos constitucionais daquele país, e assim está sendo na represália covarde que esses arautos encastelados da esquerda retrógrada impõem ao Paraguai, por ter cassado o mandato de seu “companheiro” Fernando Lugo, não de forma golpista, como tentam fazer crer, mas em consonância com o que preceitua a Constituição paraguaia, algo que insistem em desconsiderar.
     Repetem agora essa rejeição ao contraditório, ao classificarem de fraudulenta a eleição presidencial do México, cujo resultado das urnas não lhes correspondeu às expectativas, apontando a vitória de Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional, sobre o concorrente da esquerda Andrés Manuel López Obrador, do Partido Revolucionário Democrático, cuja lisura foi ratificada na recontagem de votos feita a pedido do candidato derrotado, que mesmo assim reluta em não reconhecer a derrota.
          Entenda ainda mais o conluio doutrinário dos mandatários da extrema esquerda latino-americanos , lendo o excelente texto a seguir, de autoria de Armando Valadares.

Mercosul-Unasul: “dupla aliança” chavista-castrista contra o Paraguai

Por uma ironia da História, o julgamento sumário e o consequente Golpe Internacional de Estado contra o Paraguai padeceram exatamente dos vícios que se alegam contra o Poder Legislativo paraguaio.

Armando Valladares

Miami (FL), 30 de junho de 2012
Na sexta-feira, 29 de junho, a Dupla Aliança Mercosul-Unasul promoveu um virtual Golpe Internacional de Estado contra o Paraguai, suspendendo-o como país-membro. Mercosul e Unasul reeditaram assim, no plano político, a chamada Tríplice Aliança, um pacto militar articulado no século XIX por dois países gigantes limítrofes contra esse pequeno país sul-americano.

A escusa para esse novo golpe dos governos sul-americanos contra o pequeno Paraguai foi a de que a destituição do ex-presidente Lugo pelo Poder Legislativo teria violado as regras de jogo democráticas e que o mandatário não teria tido todo o tempo necessário para se defender devido à celeridade do processo de destituição.

Por uma ironia da História, o julgamento sumário e o consequente Golpe Internacional de Estado contra o Paraguai padeceram exatamente dos vícios que se alegam contra o Poder Legislativo paraguaio. A contradição não poderia ser maior nem mais flagrante. Foram violadas sistematicamente as normas mais elementares da justiça, da equidade, do respeito e da convivência democrática entre Estados, a ponto de o novo Presidente do Paraguai, Federico Franco, e seu chanceler terem sido proibidos de participar das reuniões do Mercosul e da Unasul. Os gigantes condenaram o pequeno Paraguai sem sequer dar às suas autoridades a menor possibilidade de se defenderem.

A jornalista Tânia Monteiro, enviada especial do jornal brasileiro “O Estado de S. Paulo” à reunião Mercosul-Unasul, revela que os mandatários do Mercosul, enquanto tramavam a expulsão do Paraguai por uma porta e articulavam a não menos sumária entrada da Venezuela chavista pela outra, não conseguiam ocultar a preocupação de que essas decisões arbitrárias possam ser denunciadas pelo governo paraguaio ante as cortes internacionais de justiça e organismos análogos.

Por ocasião de acontecimentos políticos, sociais e até criminais de envergadura, para encontrar as motivações profundas de seus protagonistas e identificar devidamente os responsáveis, os analistas costumam levantar a clássica pergunta: A quem favorece o ocorrido?

No caso do Golpe Internacional de Estado contra o Paraguai, tal pergunta resulta supérflua em 50%, pois fica claro que se aproveitou da suspensão desse país para colocar no Mercosul a Venezuela chavista, inclusão esta cujo maior obstáculo provinha precisamente do Senado paraguaio. Os outros 50% encontram sua resposta no ânimo pró-castrista quase generalizado dos mandatários presentes, os quais na recente Cúpula das Américas rasgaram as vestes por ter sido vetada a presença do “democrático” regime comunista de Cuba que há mais de meio século comete um sistemático e criminoso genocídio material e espiritual contra minha querida Pátria cubana.

A quem favorece então esse Golpe Internacional de Estado contra o Paraguai promovido por essa sui generis Dupla Aliança Mercosul-Unasul? Sem dúvida, ao “eixo do mal” chavista-castrista da América Latina.

Em 2009, ao produzir-se em Honduras a destituição do presidente pró-chavista Manuel Zelaya, levantou-se, da parte de mandatários, dirigentes esquerdistas, pró-esquerdistas e inocentes úteis do Hemisfério, uma das maiores gritarias internacionais jamais presenciadas.

Poucos dias antes da destituição de Zelaya, a OEA, reunida em Honduras e tendo à frente seu nefasto secretário-geral, havia aberto de par em par suas portas para a Cuba comunista, sem impor-lhe condições.

Na condição de cubano e de ex-preso político que passou 22 anos nas masmorras de Cuba, e também na de iberoamericano, assumi imediatamente a defesa de Honduras, escrevendo numerosos artigos nos quais denunciava a cumplicidade da OEA com as esquerdas hondurenhas. Mostrei os ‘dois pesos e as duas medidas’ da “política do garrote” para Honduras e da “política de sorrisos” para a Cuba comunista, e também a responsabilidade do kerenkismo político e eclesiástico iberoamericano pavimentando o caminho para as esquerdas.

Em 2012, três anos depois da crise hondurenha, minha consciência de cubano e de iberoamericano não me permite permanecer em silêncio diante de uma conspiração política contra a pequena, sofrida e heroica nação paraguaia. Conspiração que tem, entre suas lamentáveis consequências imediatas, o fortalecimento do chavismo e, portanto, do cordão umbilical que a partir da Venezuela mantém com vida os carcereiros castristas. Peço a ajuda da Divina Providência para a nação paraguaia, a fim de que ela possa resistir às pressões internacionais inspirando-se no conselho do Apóstolo São Paulo: “Esperando contra toda a esperança”.

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Armando Valladares, escritor, pintor e poeta, passou 22 anos nos cárceres políticos de Cuba. É autor do best-seller Contra toda esperanza, onde narra o horror das prisões castristas. Foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU nas administrações Reagan e Bush. Recebeu a Medalha Presidencial do Cidadão e o Superior Award do Departamento de Estado. Escreveu numerosos artigos sobre a colaboração eclesiástica com o comunismo cubano e sobre a “Ostpolitik” vaticana em relação a Cuba.

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Lino Tavares é jornalista diplomado, colunista na mídia gaúcha e catarinense, integrante da equipe de comentaristas do Portal Terceiro Tempo da Rede Bandeirantes de Televisão, além de poeta , compositor e um grande amigo.

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Clique aqui e leia mais artigos de Lino Tavares

 

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2 thoughts on “O Frenesi Doutrinário da América Latina

  1. Avatar
    Beth Muniz says:

    Eu prefiro o conluio doutrinário esquerda latino-americana, à extrema direita norte americana.
    Miami não é referência de democracia e a Cia também não.
    Nos libertamos do jugo dos nossos opressores, e estamos nos libertando da cartilha nazi-fascista-ianque-imperialista que tanto nos oprimiu.
    Viva Cuba, livre, do domínio imperialista!
    Um abraço.

    • Giba
      Giba says:

      Minha amiga Beth, respeito sua opinião, embora discorde.
      Mas peço que tenha cuidado ao se referir ao nazismo, dentro deste contesto, pois a base do Nazismo é extremamente socialista, tendo tido no inicio da segunda guerra apoio total e irrestrito da Russia (mãe ideológica de Cuba), por seus ideais serem os mesmos.
      Este apoio só foi rompido por que Hitler resolveu invadir a Russia também, caso contrário, teríamos hoje um comunismo global.
      Resumindo, comunismo cubano e o nazismo são farinha do mesmo saco, com a única diferença que os irmãos Castro não tiveram coragem de declarar guerra contra ninguém e trocaram os campos de concentração por simples paredões de fuzilamento.

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