Diferença entre "Chatear" e "Encher" - Gibanet.com

Chatear e Encher é uma cronica, um clássico de nossa literatura, que não podemos deixar esta pérola ser esquecida.

Relembrando alguns textos que li durante minha vida, veio a saudosa lembrança de Paulo Mendes Campos e suas crônicas. Resolvi então compartilhar uma destas pérolas com você. Trata-se da cronica “Chatear e Encher”. Ela foi publicada no livro da série “Para gostar de ler” Volume 2 de 1983.

Chatear e Encher

“Um amigo meu me ensina a diferença entre ‘chatear’ e ‘encher’.
Chatear é assim:
Você telefona para um escritório qualquer na cidade.- Alô! Quer me chamar por favor o Valdemar?
– Aqui não tem nenhum Valdemar.Daí a alguns minutos você liga de novo:
– O Valdemar, por obséquio.
– Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar.
– Mas não é do número tal?
– É, mas aqui não trabalha nenhum Valdemar.Mais cinco minutos, você liga o mesmo número:
– Por favor, o Valdemar já chegou?
– Vê se te manca, palhaço. Já não lhe disse que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou aqui?
– Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí.
– Não chateia.Daí a dez minutos, liga de novo.
– Escute uma coisa! O Valdemar não deixou pelo menos um recado?
O outro desta vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas impublicáveis.

Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova ligação:

– Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar. Alguém telefonou para mim?”

Paulo Mendes Campos. “Chatear e encher”.
Para gostar de ler. vol. 2. São Paulo, Ática, 1983. p. 35.

Paulo Mendes Campos (Belo Horizonte, 28/02/1922 — Rio de Janeiro, 1/07/1991) foi um escritor e jornalista brasileiro.

 

* Sobre Paulo Mendes Campos

Filho do médico e escritor Mário Mendes Campos e de Maria José Lima Campos, Paulo Mendes Campos herda de sua mãe, amante da literatura, o hábito da boa leitura.

Era o terceiro de oito irmãos: Carmen, Marino, SIlvio, Marilia, Eunice, Aluizio e Mauricio. Sua mãe tinha por hábito ler poesias para os filhos reunidos, inclusive em francês.

Reprovado nos primeiros anos de estudo, foi internado no Colégio Dom Bosco, na cidade de Cachoeira do Campo, onde surgiu o interesse pelas letras (1933).

Conclui o curso secundário em 1939, em São João del-Rei e ingressa, sucessivamente, nos cursos de odontologia, veterinária e direito, mas não concluiu nenhum deles.

Nessa época (1940), de volta a Belo Horizonte, participa da vida literária como integrante da geração mineira a que pertencem Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino, João Etienne Filho e Murilo Rubião.

Publica no suplemento literário da Folha de Minas que chegou a dirigir durante algum tempo. Seu sonho de ser aviador também não se concretizou. Diploma mesmo, ele gostava de brincar, só teve o de datilógrafo.

Em 1945, vai para o Rio de Janeiro a fim de conhecer o poeta Pablo Neruda.

Permanece no Rio, onde já estava morando o amigo mineiro Fernando Sabino e para onde depois também se mudaram Otto Lara Resende e Hélio Pellegrino.

Colaborou nos principais jornais cariocas, mais assiduamente em O Jornal, Correio da Manhã – do qual foi redator durante dois anos e meio – e Diário Carioca – onde manteve uma coluna diária intitulada “Primeiro Plano”.

Foi, durante muitos anos, um dos três cronistas efetivos da revista Manchete e Diretor de Obras Raras da Biblioteca Nacional (In: Dicionário Enciclopédico Koogan – Larousse).

Em 1947, é admitido como fiscal de obras e chega a redator, no extinto Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado – Ipase

Em 1949, vai pela primeira vez à Europa; em 1951, casa-se com Joan Abercrombie, de origem inglesa e lança seu primeiro livro, A palavra escrita.

Como tradutor de prosa e poesia, traduziu Júlio Verne, Oscar Wilde, John Ruskin, Jane Austen, Shakespeare, William Butler Yeats, C. S. Lewis, Charles Dickens, Gustave Flaubert, Guy de Maupassant, H. G. Wells, Pablo Neruda, Rosalía de Castro, Verlaine, T. S. Eliot, Emily Dickinson, James Joyce, Cummings, William Blake, Umberto Saba, Jorge Luis Borges, entre outros.

Muitas das traduções em prosa foram adaptações para o público infanto-juvenil, boa parte delas publicadas pela primeira vez na década de 1970 pela Ediouro/Tecnoprint.

Atualmente também há traduções-adaptações suas editadas pela Scipione e pela Martins Fontes. Quanto à poesia, a maior parte das traduções pode ser encontrada nos livros Trinca de copas e Diário da Tarde. De Neruda, traduziu os livros Canto Geral, Residência na Terra I e Residência na Terra II.

 

* Fonte: Wikipédia

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7 thoughts on “Diferença entre “Chatear” e “Encher”

  1. Avatar
    Socorro says:

    Vc conhece uma crônica em que a munher sai dando a lingua na rua , pra mostrar o marido que ainda chama atenção…

  2. Lino tavares
    Lino tavares says:

    Pois é, mas o que ninguém explicou nesse texto se o cara era ou não era o Valdemar Costa Neto. Aquele que o Tiririca carregou nas costas, de volta para a Câmara Federal. Isso é o que se pode chamar de ImprenSátira fazendo pipi fora do pinico. Abçs.

  3. Avatar
    Paulo Coruja says:

    Puutz, dr. Giba! Quanto tempo que não leio este texto! É absurdamente hilário! Muito boa escolha! É humor de classificado, pequeno e resolve o fígado opilado! rsrs

    abs

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