O "KM 1" da Estrada Que Leva ao Precipício - Gibanet.com
O "KM 1" da Estrada Que Leva ao Precipício
O “KM 1” da Estrada Que Leva ao Precipício

Lino Tavares

    Tem muita gente, principalmente candidatos a cargos eletivos, defendendo a legalização da maconha, usando nesse sentido formas de argumento só capazes de convencer a quem tem 99 por cento dos neurônios do cérebro aposentados por invalidez ou tempo de serviço. Dizem uns que a droga precisa ser legalizada como forma de combater o tráfico. Isso não tem o menor fundamento, porque, se legalizada, o distribuidor terá que pagar imposto, perdendo assim a capacidade de disputar mercado com o traficante, que logicamente, sem os encargos brutais impostos aos comerciantes legais, poderá vender o “produto” a preços bem mais acessíveis aos “consumidores”. Outros afirmam que, com ou sem legalização, a maconha continuará sendo consumida, devendo por isso ser legalizada. Outro disparate, pois  práticas nocivas à sociedade, como o estupro, os homicídios, os assaltos e outras do gênero também “já existem”, mas não será por isso que devamos legalizá-las. Uma terceira corrente justifica  a tese, argumentando que a maconha e outras drogas deveriam ser consideradas legais, uma vez que o álcool e o fumo, tidos como droga , são comercializados de forma legal. Essa é, sem dúvida, a mais estapafúrdia das argumentações nesse sentido. Se os defensores dessa tese consideram o fumo e o álcool como drogas – e eles realmente o são – então o que estão pleiteando, ao querer que a maconha e outras drogas também sejam legalizadas, é que um mal que já existe seja ampliado no seu efeito nefasto, pois, do contrário, estariam lutando pela proibição do cigarro e a limitação da venda de bebidas alcoólicas. como forma de reduzir o número de vítimas dessas substâncias causadoras de dependência.

   Nessa campanha sórdida que atenta contra  os interesses da sociedade, figuram ainda aqueles que afirmam – sem nenhuma base científica e contrariando o parecer de especialistas – que a maconha é inofensiva à saúde física e mental do indivíduo, confundindo o emprego industrial da “cannabis sativa”  (nome científico da maconha), inclusive na medicina, com o uso inadequado da erva, para o fim exclusivo de “ficar chapado”, ou seja,  parcialmente (ou totalmente, dependo da quantidade usada)  alienado da realidade. Só que a coisa não é bem assim, até porque muitos dos que pensam dessa forma são usuários da maconha, tendo perdido, portanto, em função dos danos sofridos pela droga, uma parte considerável de sua capacidade de avaliação das coisas que o cercam. Para tentar trazer à realidade aqueles que, por interesses politiqueiros ou por visão distorcida das coisas, não são capazes de entender a extensão dos malefícios provocados por toda e qualquer droga, legalizada ou não, publica-se a seguir a carta de uma vítima desse “mal do século”, que, como tantas outras, não foi capaz de perceber, no auge da juventude, que a maconha nada mais é do que o “KM 1” da estrada que leva ao precipício da autodestruição.
Carta da jovem Patrícia
Carta da jovem Patrícia
            CARTA DE UMA VÍTIMA DAS DROGAS

Meu nome é Patrícia, tenho 17 anos, e encontro-me no momento quase sem forças, mas pedi para a enfermeira Dane, minha amiga, para escrever esta carta que será endereçada aos jovens de todo o Brasil, antes que seja tarde demais. Eu era uma jovem “sarada”, criada em uma excelente família de classe média alta de Florianópolis. Meu pai é Engenheiro Eletrônico de uma grande estatal, e procurou sempre para mim e para meus dois irmãos dar tudo de bom e o que tem de melhor, inclusive liberdade que eu nunca soube aproveitar. Aos 13 anos participei e ganhei um concurso para modelo e manequim para a Agência Kasting e fui até o final do concurso que selecionou as novas Paquitas do programa da Xuxa. Fui também selecionada para fazer um Book na Agência Elite em São Paulo. Sempre me destaquei pela minha beleza física, chamava a atenção por onde passava. Estudava no melhor colégio de “Floripa”, Coração de Jesus. Tinha todos os garotos do colégio aos meus pés. Nos finais de semana frequentava shopping, praias, cinema, curtia com minhas amigas tudo o que a vida tinha de melhor a oferecer às pessoas saradas, física e mentalmente.

Porém, como a vida nos prega algumas peças, o meu destino começou a mudar em outubro de 1994. Fui com uma turma de amigos para a OCTOBERFEST em Blumenau. Os meus pais confiavam em mim e me liberaram sem mais apego. Em Blumenau, achei tudo legal, fizemos um esquenta no “Bude”, famoso barzinho da Rua XV. À noite fomos ao “PROEB” e no “Pavilhão Galego” tinha um show maneiro da Banda Cavalinho Branco. Aquela movimentação de gente era trimaneira”. Eu já tinha experimentado algumas bebidas, tomava escondido da minha mãe o Licor Amarula, mas nunca tinha ficado bêbada. Na quinta feira, primeiro dia de OCTOBER, tomei o meu primeiro porre de CHOPP. Que sensação legal curti a noite inteira “doidona”, beijei uns 10 carinhas, inclusive minhas amigas colocavam o CHOPP numa mamadeira misturado com guaraná para enganar os “meganha”, porque menor não podia beber; mas a gente bebeu a noite inteira e os “otários” não percebiam. Lá pelas 4h da manhã, fui levada ao Posto Médico, quase em coma alcoólico, numa maca dos Bombeiros. Deram-me umas injeções de glicose para melhorar. Quando fui ao apartamento quase “vomitei as tripas”, mas o meu grito de liberdade estava dado.
No dia seguinte aquela dor de cabeça horrível, um mal estar daqueles como tensão pré- menstrual. No sábado conhecemos uma galera de S.Paulo, que alugaram um “ap” no mesmo prédio. Nem imaginava que naquele dia eu estava sendo apresentada ao meu futuro assassino.
Bebi um pouco no sábado, a festa não estava legal, mas lá pelas 5:30h da manhã fomos ao “ap” dos garotos para curtir o restante da noite. Rolou de tudo e fui apresentada ao famoso baseado “Cigarro de Maconha”, que me ofereceram. No começo resisti, mas chamaram a gente de “Catarina careta”, mexeram com nossos brios e acabamos experimentando. Fiquei com uma sensação esquisita, de baixo astral, mas no dia seguinte antes de ir embora experimentei novamente. O garoto mais velho da turma o “Marcos”, fazia carreirinho e cheirava um pó branco que descobri ser cocaína. Ofereceram-me, mas não tive coragem aquele dia.
Retornamos a “Floripa” mas percebi que alguma coisa tinha mudado, eu sentia a necessidade de buscar novas experiências, e não demorou muito para eu novamente deparar-me com meu assassino “DRUGS”. Aos poucos meus melhores amigos foram se afastando quando comecei a me envolver com uma galera da pesada, e sem perceber eu já era uma dependente química, a partir do momento que a droga começou a fazer parte do meu cotidiano. Fiz viagens alucinantes, fumei maconha misturada com esterco de cavalo, experimentei cocaína misturada com um monte de porcaria. Eu e a galera descobrimos que misturando cocaína com sangue o efeito dela ficava mais forte, e aos poucos não compartilhávamos a seringa e sim o sangue que cada um cedia para diluir o pó. No início a minha mesada cobria os meus custos com as malditas, porque a galera repartia e o preço era acessível. Comecei a comprar a “branca” a R$ 7,00 o grama, mas não demorou muito para conseguir somente a R$ 15,00 a boa, e eu precisava no mínimo 5 doses diárias. Saía na sexta-feira e retornava aos domingos com meus “novos amigos”. Às vezes a gente conseguia o “extasy”, dançávamos nos “Points” a noite inteira e depois farra.
O meu comportamento tinha mudado em casa, meus pais perceberam, mas no início eu disfarçava e dizia que eles não tinham nada a ver com a minha vida. Comecei a roubar em casa pequenas coisas para vender ou trocar por drogas. Aos poucos o dinheiro foi faltando e para conseguir grana fazia programas com uns velhos que pagavam bem. Sentia nojo de vender o meu corpo, mas era necessário para conseguir dinheiro. Aos poucos toda a minha família foi se desestruturando. Fui internada diversas vezes em Clínicas de Recuperação. Meus pais sempre com muito amor gastavam fortunas para tentar reverter o quadro. Quando eu saía da Clínica agüentava alguns dias, mas logo estava me picando novamente. Abandonei tudo: escola, bons amigos e família.
Em dezembro de 1997 a minha sentença de morte foi decretada; descobri que havia contraído o vírus da AIDS, não sei se me picando, ou através de relações sexuais muitas vezes sem camisinha. Devo ter passado o vírus a um montão de gente, porque os homens pagavam mais para transar sem camisinha. Aos poucos os meus valores, que só agora reconheço, foram acabando, família, amigos, pais, religião, Deus, até Deus, tudo me parecia ridículo. Meu pai e minha mãe fizeram tudo, por isso nunca vou deixar de amá-los.
Eles me deram o bem mais precioso que é a vida e eu a joguei pelo ralo. Estou internada, com 24kg, horrível, não quero receber visitas porque não podem me ver assim, não sei até quando sobrevivo, mas do fundo do coração peço aos jovens que não entrem nessa viagem maluca… Você com certeza vai se arrepender assim como eu, mas percebo que é tarde demais pra mim.
OBS.: Patrícia encontrava-se internada no Hospital Universitário de Florianópolis e descreve a enfermeira, Danelise, que Patrícia veio a falecer 14 horas mais tarde que escreveram essa carta, de parada cardíaca respiratória em conseqüência da AIDS.
Por favor, repassem esta carta. Este era o último desejo de Patrícia

3 thoughts on “O “KM 1” da Estrada Que Leva ao Precipício

  1. Avatar
    junior says:

    So a fe e Jesus Cristo pra liberta e livra os jovens desse visicio maldito q pessegue os jovens levano a destruicao de familia

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