Três Décadas de Desgoverno - Gibanet.com

Lino Tavares

         É comum  dizer-se no Brasil que o povo é culpado pela existência de maus governantes, porque escolhe mal os seus candidatos na hora de votar. Os defensores da tese só não explicam o que é que a massa do eleitorado tem que fazer  para saber distinguir entre o bom e o mau candidato, neste país gigante onde a maioria dos concorrentes a cargos eletivos é constituída de indivíduos desconhecidos do eleitor, que deles só sabe o nome, muitas vezes substituído por um pseudônimo, visando a  esconder, não raro,  algum malfeito do  postulante ao cargo. A verdade é que, se existe um culpado pela eleição de maus cidadãos, este é o sistema eleitoral roto que temos, ao permitir que qualquer um, inclusive quem já assaltou o erário em mandato anterior (vide Paulo Maluf e Fernando Collor) se candidate e “passe a conversa” no povão, na busca de um espaço para mamar nas tetas do poder, sem nada produzir de útil em benefício da população.. Consciente disso, eu hoje me dou por feliz pelo fato de nunca ter votado em nenhum desses safados que deixaram rabo no decorrer de seus mandatos, frustrando aos que tanto clamaram por eleições diretas,  como se fosse a grande panaceia capaz de conduzir o país a um índice de desenvolvimento superior ao que havia na época, quando o Brasil vivia em clima de segurança, grande desenvolvimento econômico e avanços sociais em todos os sentidos.
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          Fazendo um balança acerca dessas quase três décadas de presidentes eleitos pelo voto popular, o resultado alcançado é tremendamente negativo, tanto no que diz respeito ao imobilismo quase completo no cursos de suas gestões, inócuas sob todos os aspectos, como à falta de seriedade e honestidade no exercício do cargo, já que todos eles   prevaricaram, de uma forma ou de outra, visando à satisfação de seus interesses inconfessáveis. Para ter uma ideia dessa triste realidade, vejamos alguns exemplos de fatos que macularam esse período republicano  que hoje agoniza nas mãos dessa senhora  que chegou ao poder da nação contra a qual, em passado ainda recente, tanto conspirou no sentido de vê-la subjugada à mais cruel das ditaduras de que se tem notícia em toda a história da humanidade.
         Comecemos pelo governo Sarney que, mesmo sem ter sido eleito pelo voto direto, é considerado o marco inicial da volta dos civis ao poder. Nesse período tivemos a enganação do pusilânime Plano Cruzado sucedida da negociata configurada na troca de concessões de canais de rádio e TV pela prorrogação do mandato presidencial,  de quatro para cinco anos. Veio enfim a tão esperada eleição direta, cabendo a Fernando Collor de Melo,tornar-se o primeiro presidente eleito da então chamada Nova República. O que se viu foi o escândalo PC Farias/Operação Uruguai e um processo de impeachment, que derrubou o “caçador de marajás”, deixando a falsa impressão de que não haveria espaço para os desonestos na nova era dos chefes de estado escolhidos pelo povo. Mera ilusão. Terminada a gestão do interino Itamar Franco, vice e substituto do presidente cassado, ingressamos na gestão FHC, que teve como mérito a consolidação do Plano Real, que pôs fim à inflação galopante que havia no país, logo ofuscado por medidas fiscalistas perversas, como a ampliação da alíquota do Imposto de Renda, de 25 para 27,5 por cento, a taxação dos aposentados, chamados de vagabundos pelo chefe da nação,e, no palco dos escândalos, a compra de parlamentares para a aprovação do indecoroso projeto da reeleição, criado pelo Planalto para favorecer seu autor, que ganhou mais quatro anos de mandado nos quais enfiou os pés pelas mãos, deixando o campo aberto para que essa aberração partidária que hoje nos desgoverna tomasse de assalto as rédeas da nação,  transformando a Praça dos Três Poderes, em Brasília, num balcão de negócios espúrios, onde o Poder Executivo, com as chaves do tesouro na mão, compra o Legislativo  e faz da Suprema Corte , nomeando juízes politicamente engajados, seu escalão avançado para conduzir questões judiciais de alta relevância ao sabor de seus interesses.

One thought on “Três Décadas de Desgoverno

  1. Avatar
    Joaquim Caldas says:

    O PT é simplesmente o PT que traiu a nação e pretende continuar no poder.Mas,e os outros partidos tidos como oposição,o que fizeram para impedir tantos roubos no desgoverno? Ora,ora,todos querem o lugar do presidente pra fazer o quê? Melhoria para o povo? Que absurdo,um partido entra de gaiato,rouba a nação e a oposição em nada se manifesta,mas querem concorrer ao cargo de presidente! Que belos representante teremos,novamente,pela frente? Se mudar a cela e o cavaleiro,mas não mudar o cavalo,está tudo perdido,eternamente!

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