Comemoramos no final deste mês, 61 anos de realização do contragolpe anticomunista no Brasil

Lino Tavares

Posso ser contestado no que digo a seguir, mas desmentido jamais. Se países como Cuba, Venezuela e Coreia do Norte tivessem sido alvos de resistência anticomunista como foi o Brasil em 31 de março de 1964, comemorando no final deste mês 61 anos de realização, certamente não estariam hoje nas mãos de ditadores tiranos que submetem seus povos à situação de miséria e escravidão. Felizmente aquele movimento patriótico contou com o apoio maciço de todas as forças vivas brasileiras existentes na época.

Congresso, Justiça, Igreja, Mídia, OAB, entidades de classes e população em geral apoiaram aquela resistência heroica que culminou com a deposição de um presidente pusilânime que permitia que as raposas tentassem tomar conta do galinheiro, fingindo que nada via e de nada sabia. A esse contragolpe, que os arautos da traição à pátria apelidaram de golpe, sobreveio um governo de exceção, que os derrotados da época e seus seguidores insistem em rotular de Ditadura Militar.

Comemoramos no final deste mês, 61 anos de realização do contragolpe anticomunista no Brasil Posso ser contestado no que digo a seguir, mas desmentido...

Pois bem, se os defensores dessa falsa narrativa conseguirem responder acertadamente às perguntas capazes de comprovar que o período de governo compreendido entre l964 e 1984 caracterizava realmente uma ditadura militar, dou minha mão à palmatória e passo a considerá-lo como tal. Ditadura pressupõe a figura do ditador único. Quem foi o ditador da tal ditadura? Ditadura não admite partido de oposição elegendo opositores.

O que era na época o MDB e de que lado se posicionavam seus líderes e simpatizantes? Ditadura não permite o exercício do estado de direito. Quem seria capaz de apontar um único caso de rejeição, por parte do Judiciário, a alguma demanda procedente de cidadão, ainda que buscando reparar danos sofridos perante o Estado?

Se não era ditadura, como dizem hoje os derrotados da época e seus seguidores, menos ainda era Regime Militar, pois o país era regido por uma Constituição civil, em obediência à qual o presidente era eleito civilmente para um mandato de 4 anos, por um colégio eleitoral, que teve entre seus concorrentes civis como Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Por acaso algum brasileiro que viveu naquele período de governo recebeu alguma ordem de caráter militar para fazer ou deixar de fazer algo que não lhe coubesse como cidadão civil?

Para finalizar, corroboro a tese da inexistência de ditadura militar, narrando este fato. No velório do poeta Mário Quintana, realizado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, no dia 5 de maio de 1994, eu conversava com um senador do MDB, cujo nome deixo de declinar para não ferir suscetibilidades, quando ouvi de sua boca a expressão no tempo da ditadura.

Passados alguns minutos, perguntei-lhe há quanto tempo ele estava na militância política, exercendo mandatos na democracia brasileira. Respondeu-me: “há 36 anos, pois comecei como vereador em Caxias do Sul, em 1958, e fui eleito, de lá para cá, deputado, governador e senador”. Indaguei: então a ditadura a que o senhor se referiu há pouco foi a de Getúlio Vargas? Desapontado e sem ter como explicar acerca do que questionei, disse: “vamos encerrar a conversa aqui e chegar perto do caixão, porque daqui há pouco começa a cerimônia de encomendação do corpo do poeta”. Boa saída para quem se viu na contingência de ter que explicar o inexplicável. Não acham?

Comemoramos no final deste mês, 61 anos de realização do contragolpe anticomunista no Brasil. Posso ser contestado no que digo a seguir, mas desmentido...

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