O Silêncio de Brasília: A Frieza diante do Nobel de María Corina Machado
Lino Tavares
Do ponto de vista conotativo e semântico, o título Nobel da Paz não se encaixa bem com a atuação de María Corina Machado, já que ela não é voltada à paz, mas sim ao retorno da liberdade na Venezuela, atropelada pelo regime ditatorial de Nicolás Maduro.
O ideal é que, no caso dela, a premiação se chamasse Prêmio Nobel da Liberdade.
Como isso não existe, temos de convir que o reconhecimento mundial ao trabalho heroico que realiza em seu país, em prol do restabelecimento do estado de direito, foi mais do que merecido.
No caso específico do Brasil, hoje dominado por falsos democratas no poder, o Nobel concedido a María Corina foi recebido com frieza, com silêncio, com indiferença, pois representou uma mancha no tapete vermelho que Lula estendeu ao amigo Nicolás Maduro, quando o elogiou, chamando-o de democrata incompreendido.
O Nobel da opositora venezuelana causou desconforto no alto poder de Brasília, que, após pálida reação à fraude eleitoral que manteve Maduro no poder, reconheceu-o tacitamente como se fosse um governo legitimamente eleito na Venezuela.
Não tenhamos dúvida de que, se María Corina fosse brasileira, esboçando no Brasil a mesma reação que esboça na Venezuela contra os amigos de Maduro hoje no poder, já teria sido denunciada, processada e presa por essa Corte facínora, que hoje mantém patriotas encarcerados pela “ousadia” de terem lutado no sentido de acabar com o estado de exceção que impera neste Brasil de viés autoritário em que hoje vivemos, amordaçados na forma de pensar e dizer.
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