Formiga Atômica: a Lenda da Brigada Militar do RS que Virou Patrimônio Equestre
O cavalo mais premiado da Brigada Militar dá nome a um pavilhão oficial
O Rio Grande do Sul, com sua forte tradição equestre e militar, preserva histórias que atravessam gerações. Entre elas, a do cavalo Formiga Atômica, um animal que se tornou uma verdadeira lenda da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, acumulando prêmios, participações em eventos oficiais e o respeito de todos os que conviveram com ele.
Hoje, sua memória está eternizada no Pavilhão D – Cavalo Formiga Atômica, como mostra a imagem registrada no Regimento Bento Gonçalves, em Porto Alegre.
A homenagem comprova aquilo que antes circulava principalmente por relatos internos da corporação: Formiga Atômica foi, de fato, um dos mais destacados cavalos de serviço da Brigada Militar.

A história do cavalo Formiga Atômica
Pequeno no porte, gigante na performance
No Regimento de Polícia Montada Bento Gonçalves, em Porto Alegre, existe um pavilhão que carrega com orgulho o nome “Pavilhão D – Cavalo Formiga Atômica”. Não é apenas uma homenagem: é o reconhecimento oficial de que aquele animal foi o cavalo mais premiado da história da Brigada Militar do RS e um dos maiores ícones do hipismo militar brasileiro.
A Origem do Nome – Uma História Curiosa
O cavalo chegou à Brigada Militar registrado como “Mundéu nº 69”. Depois ganhou o apelido “Bico Branco”, por causa da extensa pelagem branca que cobria todo o focinho. Mas o nome que entraria para a história nasceu de forma inusitada.
Na década de 1980, quem comandava o Pelotão de Choque do Regimento Bento Gonçalves era o então Tenente “Edison Estivalete Bilhalva“. Pequeno (1,62 m), magro e usando um moderno capacete de controle de distúrbios com antenas de rádio, a tropa logo o apelidou de “Formiga Atômica” – em referencia ao desenho animado de mesmo nome.
Numa conversa com a psicóloga da unidade, o Tenente brincou: “Esse apelido está me incomodando… que tal passar para o cavalo?” Deu certo. O cavalo virou craque absoluto e o nome pegou de vez. Hoje o Coronel Edison Estivalete Bilhalva ri e diz sem pestanejar: “Podem me chamar de Formiga Atômica… é elogio, é sinônimo de craque!”
Principais Títulos Conquistados por Formiga Atômica
(Cavaleiro principal: Ten. / Cap. Edison Estivalete Bilhalva)
| Ano | Campeonato / Prova | Categoria / Altura | Local | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1983 | Campeonato Carioca de Cavalos Novos | Saltos 1,10 m e 1,15 m | Rio de Janeiro | Campeão (com Tchê e Formiga Atômica) |
| 1983 | Campeonato Carioca de CCE (Concurso Completo de Equitação) | Adestramento, Cross e Salto | Rio de Janeiro | Campeão |
| 1983 | Circuito da Escola de Equitação do Exército | CCE – 9 provas no ano | Resende / Rio de Janeiro | Campeão Invicto (9 vitórias) |
| 1984 | Campeonato Gaúcho de Saltos | 1,20 m | Sociedade Hípica Porto Alegrense | Campeão |
| 1984 | Campeonato Gaúcho de Adestramento | Prova Preliminar | Sociedade Hípica Porto Alegrense | Vice-campeão (mesmo dia: à tarde virou Campeão Gaúcho de Saltos) |
| 1984 | Prova Especial na Beira da Praia | 1,84 m | Tramandaí – RS | Campeão |
| 1983–1987 | Prova de Tratadores do Regimento Bento Gonçalves | Várias | Porto Alegre – RS | 5 vezes Campeão |
Formiga Atômica também era adorado pela tropa exatamente por causa da Prova de Tratadores: os oficiais emprestavam seus cavalos para os soldados-cuidadores competirem. O “Bico Branco” vencia com tanta facilidade que virou ídolo até entre os praças.
O Homem por Trás da Lenda: Coronel Edison Estivalete Bilhalva
Nascido em Três Passos (RS), filho de Assis Vieira Bilhalva e Deolinda Estivalete Bilhalva, Edison aprendeu a montar ainda criança, aos 6 anos, em uma pequena égua que ganhou do pai. A paixão pelos cavalos nunca mais o largou.
Formado na Brigada Militar, casou-se aos 34 anos já como Capitão. Tem quatro filhos homens – todos passaram pelo Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) e se formaram na UFRGS, hoje são servidores públicos concursados.
Foi sob seu comando, treinamento e carinho que Formiga Atômica alcançou o auge, transformando um cavalo de pelagem curiosa em símbolo eterno da corporação.
Legado
Mais do que um animal de serviço, Formiga Atômica representou o melhor da tradição gaúcha: coragem, disciplina, inteligência e coração. Pequeno no porte, gigante na pista e na memória de todos que serviram no Regimento Bento Gonçalves.
Hoje, quem passa pelo Pavilhão D sabe que está diante de uma verdadeira lenda viva da Brigada Militar do Rio Grande do Sul – um cavalo que carregou com honra o apelido de seu cavaleiro e, juntos, escreveram um dos capítulos mais bonitos do nosso hipismo militar.
Formiga Atômica: pequeno no tamanho, atômico na glória.
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