No carnaval vale tudo, menos apologia ao crime!
Lino Tavares
No século passado, quando as marchinhas de carnaval ainda predominavam nos blocos de salão e nos bailes famosos, como o do Clube Municipal, do Rio de Janeiro, eu compus esta marchinha, intitulada “É Carnaval”, ressaltando a igualdade lúdica representada por esta festa popular, que é sem dúvida a maior de mundo.
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Mas a igualdade a que me referi na música era entre pessoas que tinham diferenças lícitas, como a física, a estética, a econômica e a etária.
Naquele tempo era possível se dizer que “no carnaval todo mundo é igual”, algo que, se fosse dito hoje, estaria incluindo no plano carnavalesco aqueles que vivem no mundo da criminalidade à solta, coisa que hoje grassa de norte a sul do país, em todos os lugares, nas favelas e no centro das cidades. Com certeza esses marginais da Lei sentem-se iguais, nos desfiles carnavalescos, aos cidadãos do bem, que participam dos desfiles dos blocos e escolas de samba, em alguns dos quais marcam presença por motivos óbvios.
Eu não posso afirmar que existiam pessoas que vivem à margem da Lei no desfile da escola de samba de Niterói que homenageou a história de Lula neste carnaval.
Mas posso opinar, de forma categórica, independentemente de ter havido propaganda eleitoral ou não, que o tema-enredo que a escola colocou na avenida caracterizou apologia ao crime, pois atentou contra a liberdade religiosa e omitiu toda a roubalheira em função da qual seu homenageado foi condenado em três instâncias do Poder Judiciário, e jamais inocentado, pois todos sabemos que o que o STF fez, no sentido de tirá-lo da cadeia, foi anular seu processo por irregularidades nunca comprovadas e jurisdição inadequada, algo que até então não tinha sido observado por nenhum dos membros da Suprema Corte, já que negou pedidos de habeas corpus em favor de Lula, feitos em função da tal condenação, que depois julgou irregular, algo que nem Freud saberia explicar.
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