Longe dos holofotes, Brigitte Bardot levava uma vida campesina, dedicando-se ao trato cotidiano de animais
Lino Tavares
O mundo cinematográfico e fashion, bem como os meios musicais que cultivam a boa música colocam, neste domingo, 28 de dezembro de 2025, uma tarja preta em suas reminiscências de meados do século passado, devido ao falecimento da famosa atriz, modelo e cantora Brigitte Bardot, aos 91 anos, ocorrido em Toulon, na França.
Considerada uma estrela de primeira grandeza, ela foi uma das mulheres mais cobiçadas do mundo, nas décadas de 1950 e 1960, por seus padrões de beleza que coadunavam com o enorme talento artístico trazido de berço.
Polêmica e irreverente, Brigitte Bardot era vista pelos mais conservadores como uma espécie de desafio aos padrões da época, pela forma como encarava instituições quase sagradas como o casamento e a maternidade, posto que se divorciou mais de uma vez e praticamente renegou a gravidez do único filho que teve.
Contudo, tais formas de comportamento não impediram que ela se tornasse uma das estrelas mais amadas, admiradas e aplaudidas no mundo inteiro.
Brigitte começou a brilhar aos 15 anos nas revistas Elle e Le Jardin des Modes, em cujas capas figurou, sendo então convidada a atuar como atriz.
Despontou para a fama no Festival de Cannes de 1953, no filme hollywoodiano gravado em Paris “Mais Forte que a Morte”, no qual atuou ao lado de Kirk Douglas.
Seu estrelato ganhou intensidade no filme “E Deus Criou A Mulher”, cuja participação foi considerada irrepreensível.
A partir de então, os filmes que estrelou foram verdadeiros sucessos de bilheteria, entre o que vale citar películas como “O Desprezo” (1963), de Godard, “Histórias Extraordinárias” (1968), com Jane Fonda e Alain Delon, e “Shalako” (1968) com Sean Connery.
No Brasil, ela namorou o brasileiro-marroquino e jogador de basquete do Flamengo, Bob Zagury, tendo gravado uma versão da faixa “Maria Ninguém” com o astro da bossa nova Carlos Lyra. Com o namorado viveu em Búzios (RJ), que deixou em 1965, afirmando anos depois que abandonou o local devido ao seu crescimento urbano, que o tornou um lugar barulhento, incompatível com a ideia de paraíso secreto que a havia atraído.
Ultimamente, longe dos holofotes, Brigitte Bardot levava uma vida campesina, dedicando-se ao trato cotidiano de animais. Seu legado consiste no exemplo de perseverança naquilo em que se acredita, ainda que para tanto seja preciso bater de frente com padrões e formas de comportamento predominantes no período existencial em que vive.
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