Plano ou Cronograma

Davambe

 

Parecia tudo muito simples. Lá na floresta uma família de elefantes vivia angustiada por experimentar a falta de alimentos para a manada. Enquanto isso a família de rinocerontes prosperava em suas plantações, dizia-se que essa prosperidade se devia ao uso de tecnologia para suportar o negócio. O elefante cacique que sempre espiava o quintal alheio, decidiu ouvir a expertise do vizinho e descobrir o quanto havia de investir.

– Nossa! O leão ajudou esses gajos? Questionou. Pensou em procurá-lo, mas desistiu imediatamente.
O elefante confiava muito na sua memória, de modo que nada havia escrito nem as lições aprendidas em outras épocas de carestia. Sempre se questionava porque tinha que escrever tudo o que sabia.

– De jeito nenhum, há coisas que só o cacique deve saber. Não vou escrever coisa nenhuma. E continuava quieto no seu canto, recolhido dentro do seu saber, mas dessa vez a natureza parecia cruel demais. Assistia a sua família reduzindo-se, enquanto a do rinoceronte continuava alegre e a ocupar mais espaço.

– Danação, danação. Danação! Repetiu desesperadamente, andava de um lado a outro. Pisava o chão com dificuldades, a rosnar e a ruminar. Andava zangado com poucos amigos, fortunadamente tomou a coragem de procurar o leão. Sem que ninguém soubesse, andou pela floresta a procurar o animal, que o salvaria da extinção.

Depois de uma semana de caçada ao leão, finalmente o encontra.

– És tu, leão, o rei da selva? Falou com entusiasmo.
– Deixa disso, senhor elefante.

O leão escutou atento a inquietação do elefante sem muito interesse. Não estava disposto a labutar, achava-se no direito de aposentar-se, até que ouviu a palavra “DESAFIO”.

– Por desafio, topo, topado. Estamos juntos. Assim aceitou a proposta.

O elefante mal esperou a resposta, desmaiou. Caindo escandalosamente, perdeu o sentido de contentamento. Recuperou-se sem delongas e junto regressava com o seu contratado.

Dias depois estava o leão a trabalhar para o elefante. Alguns diziam que aquilo era loucura, que não daria certo. Não demonstravam muita disposição em colaborar.
– Hein, tantos já passaram por aqui, tentaram implantar algumas metodologias etc e tal. Não será dessa vez.
– Também não acredito nessa, concluiu outro elefante.
– Pois é, amigos! Será mais uma chatice.

Ninguém queria colaborar, diziam que era mais rápido sair fazendo em vez de analisar, avaliar e documentar.

– Meu, faço isso em uma hora, sem documento. Para documentar levarei muito mais tempo. Concluiu o elefante.
– Aposto que esse gajo não ficará nem um mês.

Iniciou-se então a bolsa de apostas contra a implantação da nova metodologia.

O leão não se abalou, continuou a ouvir a todos, andava de um lado a outro, com caderninho na mão, anotando tudo que julgava interessante. Entre uma reunião e outra. Foi numa dessas reuniões que a sala quase pegou fogo, quando, finalmente, começou-se a falar em cronograma e planejamento:

– Afinal o que vamos fazer primeiro: cronograma ou plano? Questionou um elefante que pouca questão fazia de estar na reunião. Aliás, quando se falava em reunião, havia pouca disposição.
– Plano, não oh meu, comentou o elefante cinzano.
– Hein, é o cronograma primeiro, disse outro.
– Eh, eh, é plano. Concluiu outro.

E assim a discussão tomou conta, tinham oportunidade de desestabilizar o velho leão, mas ele que era tão experimentado, nada disse, achou não ser pertinente. Ficou aguardando até que o deixassem falar.

 

Davambe é consultor de TI, mais de 25 anos de experiência em TI, Professor, Escritor, Autor dos romances: O Segredo da Felismina, Tanto Lá Quanto Cá e a Sereia de Tupa.

 

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