Ecos do Escopo

Ecos do Escopo
Ecos do Escopo

 

Davambe

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– Não se preocupe, estou com uns livros a mais, vou incluir como um presente adicional, não custará nada – disse o Tigre.

– Olha, seria muito se pudesse incluir um cartão colorido? Não haverá custo adicional – concluiu a Gazela.

Foi assim num ritmo carnavalesco que vários itens foram sendo adicionados ao que havia sido combinado.

– Ainda temos recursos financeiros que sobraram do ano passado. Não há problemas em usá-los na compra de canetas, afinal o nosso pessoal merece.

– Eh, não é qualquer um que consegue ficar tanto tempo casado – completou a secretária do Elefante Cinzano.

– Espera ai, isso foi mencionado no escopo?

– Ih de novo? Já não falei que não terá custo adicional?

E assim se estabeleceu aquele diálogo quase monótono e acusações. O Camaleão já vermelho como o chapéu do Papai Noel, saiu sem dizer adeus para verificar o cumprimentou de escopo. Ia verificar, no caminho encontrou o Cágado com quem ficou a conversar esquecendo a atividade inicial.

Mas o tempo era cruel, assim como o relógio que tem ponteiro que não para de movimentar-se de um lado a outro. Um minuto se foi, outro se somou; em pouco tempo eram horas que formavam um dia. Os dias não pararam, semana se passou. O mês imitou as semanas. Chegou outro mês também; foram chegando e partindo, foi então que o Camaleão decidiu analisar o cumprimento do escopo de seu projeto que um dia havia declarado: “Realizar uma festa no âmbito de bodas de prata para todos da floresta que completassem vinte e cinco anos de matrimônio. Presenteá-los com uma passagem para Cabo da Boa Esperança na África do Sul”.

Havia argumento de que todos mereciam conhecer a estátua de Bartolomeu Dias na Cidade do Cabo e saborearem um dos raros vinhos regado às variações climáticas do Atlântico e Índico.

Mas o Camaleão deitou uma lágrima sobre a camisa. Havia dúvida sobre o cumprimento do escopo? A choraminhice era como justificar o distanciamento da declaração inicial e a contemplação de tantos presentinhos além do combinado.

– O que mais te aflige? – Perguntou o estagiário

– Minha filha anda com dificuldades na disciplina de física – disse o Camaleão.

– Não, não estou perguntando sobre a sua família.

O estagiário queria saber sobre a angústia que o Camaleão estava a experimentar no exercício de suas atividades. Ele também sabia que a resposta que tinha que dar não era sobre a filha biológica, mas o projeto.

Muito havia sido adicionado gratuitamente ao escopo, de modo que penalidades seriam arbitradas e o camaleão ficaria sem bônus.

– Putz, e agora? – Perguntou para ninguém ouvir.

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Davambe é consultor de TI, mais de 25 anos de experiência em TI, Professor, Escritor, Autor dos romances: O Segredo da Felismina, Tanto Lá Quanto Cá e a Sereia de Tupa.

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