Leno Azevedo, Legado da Jovem Guarda nos Palcos do Brasil

Lino Tavares

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A série “Personalidades” tem como entrevistado nesta edição o cantor e compositor Leno Azevedo, que carrega em sua bagagem de sucessos um currículo assinalado por carreira solo e em dupla, que teve início nos ‘anos dourados’ da música brasileira e internacional, representados por movimentos épicos como a Era Beatles e a Jovem Guarda,  da qual é representante com composições e interpretações que marcaram época, sendo até hoje aplaudidas no rádio e na TV, bem como nos shows de palco, pelo país afora.  Girleno Wanderley Azevedo, artisticamente conhecido como Leno, nasceu em Natal, capital do Rio Grande do Norte, onde viveu até os 5 anos, quando mudou-se com a família para o bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, tendo vivido sua infância e parte da adolescência em outras cidades brasileiras, tais como Belém do Pará, Recife e Campo Grande, capital do atual estado de Mato Grosso do Sul. Essa fase itinerante de sua vida deveu-se ao fato de ser filho de militar, carreira que pressupõe constantes transferências domiciliares.

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O Despontar Artístico

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De volta a Natal, formou aos 14 anos, com colegas de ginásio, o grupo The Shouters, considerado por muitos como a primeira banda de rocck do Nordeste.

A inspiração do grupo, no qual Leno atuava como vocalista e guitarra base, veio da famosa banda The Beatels de “Twist and Shout”. Sua parceira musical com Lillian Kanpp,  vizinha de infância,  ocorreu após reencontrá-la, em março de 1965, no Rio de Janeiro, época em que teve suas composições “O disco voador” e “S.O.S” gravadas no Lp “Você me acende”, pelo grande ídolo Erasmo Carlos, que despontava na época com a trepidante “Festa de arromba”, líder absoluta nas paradas de sucesso do país.

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O Sucesso em Dupla

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A dupla Leno e Lilian, fadada ao sucesso em meio à explosão musical do ‘fenômeno’ Jovem Guarda, despontou no final desse mesmo ano, sendo alavancada a partir de uma audição na gravadora CBS, feita a convite do produtor Evandro Ribeiro.

Essa  oportunidade  rendeu ao duo um auspicioso contrato. “Pobre Menina” e “Devolva-me”, dois dos maiores sucessos da Dupla, foram composições lançadas no primeiro compacto simples gravado em 1966. Foi um lançamento pós carnaval que passou a ocupar o primeiro lugar nas paradas mais significativas da MPB. Compositor afinado e atualizado com as preferências musicais da época, Leno agregou seu talento ao potencial da Dupla, que se tornou a mais popular da Jovem Guarda, notadamente a partir do lançamento do clássico da música jovem “Eu Não Sabia Que Você Existia”.

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A Carreira Solo

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No final de 1967, quando a Dupla se separou, mesmo estando no auge do sucesso, Leno dá sequência à carreira artística, compondo para grupos famosos, como Renato e Seus Blue Caps, que gravou a música de sua autoria intitulada “A Irmã do Meu Melhor Amigo”.
         Era uma espécie de prenúncio da carreira solo, que iniciaria em 1968 com a música “A Pobreza”, grande composição sua que logo tomou conta das paradas musicais, sendo gravada também em espanhol e italiano .Consolidou a nova trajetória artística no LP rotulando simplesmente de “Leno”, contendo apreciadíssimas composições como “Eu Não Existo Sem Você e “Papel Picado”. Retornou às paradas, no ano seguinte, com “A Festa dos Seus 15 Anos”, segundo disco da carreira solo, que permaneceu por longo período no topo do sucesso, figurando entre os líderes de vendagem de sua gravadora.
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O Cantor e  Compositor

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Cantor e compositor, tal como  Roberto Carlos, Erasmo Carlos,  Martinha e a ex-parceira Lilian, Leno abasteceu o mercado fonográfico com várias outras composições consagradas, entre as quais vale citar “Não Vou Me Humilhar Por Você” e “Porque Te Amo” (esta em parceria com Paulo Cesar Barros – irmão de Renato).
    Com esse perfil artístico,  tornou-se  parceiro do genial Raul Seixas, em 1970,  na música “Por Que Estou Chorando”. Com seu amigo Raul, então produtor da CBS,participou do álbum “Vida e Obra de Johnny McCartney”. Dizer que Leno figura entre os maiores compositores da “Jovem Guarda” não caracterizaria nenhum exagero, já que teve músicas de sua autoria gravadas por vários expoentes desse Movimento musical inesquecível. Entre eles, podem ser citados Erasmo Carlos, Golden Boys, Amelinha, Jerry Adriani, Antônio Marcos, Vanusa, Nando Cordel, The Fevers, Márcio Geick e o já citado Renato e Seus Blue Caps.  Considerado por isso um dos ícones da “Jovem Guarda”, Leno teve expressiva participação no Festival Internacional da Canção, em 1970. no Maracanazinho, interpretando a música “A Última Vez Que Vi Rosane”. Após rápida passagem pela gravadora Philiphs, retornou a convite para a CBS, na qual acumulou a condição  de produtor e artista. Participando do Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Globo em 1971, o ídodo da Jovem Guarda consegue reverter a situação da canção “Sentado no Arco-Íris”. que compôs em parceria com Raul Seixas – até então proibida pela censura  –  apresentando-a em bacinkg-vocals com a cantora Jane Duboc.

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A Volta de “Leno e Lilian”

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Em 1972,  volta a cantar em dupla com Lilian, algo que perdurou até 1974, período em que gravaram dois LPs, o primeiro dos quais, produzido por Leno,  tendo a parceria do “Maluco Beleza”, Raulzito, nos vocais e na guitarra, em músicas como “Deus é Quem Sabe”, “Objeto Voador”, “Um Drink ou Dois”.
    O segundo LP do Duo refeito Leno e Lilian foi lançado em 1973, contendo os sucessos “Amantes de Verão” e “A Tarde Em que Te Amei”. De volta à carreira solo, em 1974, quando a Dupla se desfez pela segunda vez,  Leno volta a fazer parceria com Renato, ocasião em que o grupo grava “Só Por Causa de Você”, e lança seu novo sucesso “Flores Mortas”, ‘emplacando’ mais um primeiro lugar nas paradas’, com forte apelo de natureza social, denunciando problemas como a especulação imobiliária e a queda de qualidade de vida nas grandes cidades, bem como as questões ambientais.

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Experiências na TV e no Exterior

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     Provando sua versatilidade artística, Leno revela sua vocação de comunicador assumindo o papel de apresentador do programa Rock Concert, da TV Globo, que tinha como base de seu conteúdo a veiculação de novidades musicais do ‘hit parade’ dos Estados Unidos e da Inglaterra. Com uma postura de palco e uma expressão vocal de elevado gabarito, atraiu muitos espectadores.
    Depois de viver novo sucesso, em 1978, com o lançamento de um compacto duplo tendo como destaque a música inédita “Mudanças e Feitiço”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, permaneceu no Brasil até o final da década de 1970, quando foi morar em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde atuou como instrumentista ao lado do baterista Jim Keltner e Moacir Santos, além de outros nomes de destaque, chegando a gravar um compacto com Ruby Tuesday (Jagger-Richards), em gravação precursora do solft-rock com a bossa-nova, que teve excelente execução nos Fms de Los Angeles. Na cidade americana iniciou a gravação do LP “Encontros no Tempo”, que concluiu no Rio de Janeiro, após sua volta ao Brasil em 1981.

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A Nova Era no Brasil

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No seu retorno ao país, vivencia uma nova era, passando a se interessar pela bossa-nova e ritmos nordestinos, contando com a participação de artistas do gênero como Sérgio Dias, Jackson do Pandeiro, Robertinho de Recife e Antonio Adolfo. Três anos depois, marca presença na  novela da Globo “Livre Para Voar”,  com a música de sua autoria “Rosa de Maio”, tema do personagem vivido por Carla Camurati .
     Leno participa em 1994 do projeto Academia Brasileira de Música, da Columbia/Sony Music, com o disco Brasil Jovem Guarda, recheado de grandes sucessos. Abre seu próprio selo, em 1995, para remasterizar e lançar em CD seu inédito “Vida e Obra de Johnny McCarney”, cujas fitas que o continham haviam sido descobertas nos arquivos da Sony. Entre suas premiações como cantor e compositor, Leno foi contemplado com um disco de Platina, concedido pela Polygram, em decorrência de suas regravações solo de clássicos como “A pobreza” e “Ritmo da chuva”. Mesmo percorrendo estradas solo, Leno e Lillian têm realizado apresentações conjuntas em várias oportunidades, tanto em programas de televisão como em shows comemorativos da “Jovem Guarda”, dividindo palco com antigos colegas dos áureos tempos. Da Gravadora Leno. fluíram destacados CDs, tais como “Antologia 1972-1973 (Leno e Lilian), Matéria Prima, com participação de Lilian, Renato e Seus Blue Caps, Pedro Paulo e Fevers.
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“Leno & Lillian” do Século 21

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Mais de quatro décadas depois do sucesso absoluto em carreira solo, Leno Azevedo e Lilian Knapp reedidam pela terceira vez a bem sucedida parceria, contemplando o Brasil com o ressurgimento dessa Dupla que deixou saudade nas Jovens Tardes das décadas de 60 e 70.
    Trata-se de um acontecimento altamente significativo inserido no contexto comemorativo dos 50 Anos da “Jovem Guarda”, que acontecerá na Virada Cultural de São Paulo, a realizar-se a partir das 18 h do dia 20, prolongando-se até às 18 h do dia 21 deste mês, em um palco montado na Avenida São João. Além do histórico reencontro dos famosos parceiros dos “Anos dourados”, o evento terá a participação de outros artistas consagrados, entre os quais, já confirmados, destacam-se Martinha, Vanusa, Golden Boys,  Paulo César Barros e Banda.
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Leno Azevedo Responde

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Na sequência, as perguntas e respostas que caracterizam a entrevista gentilmente concedida para o apreço de seus fãs pelo aplaudido cantor e compositor da “Era Jovem Guarda”, sucedida de vídeos da carreira solo e em dupla.

Em que faixa de idade o garoto Leno descobriu sua vocação musical?

R: Lá pelos 8 anos…

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Que gêneros musicais o influenciaram no início da carreira?

R: O rock’n’ roll de Elvis, Little Richard e Bill Halley e Gene Vincent and his Blue Caps

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Você vem de uma família de músicos ou é pioneiro familiar nessa arte?

R:  O único profissional de uma família de amantes de música.

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Ser cantor foi sempre sua principal vocação ou tinha outros planos na infância e na adolescência?

R: Sempre foi!

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Que idade você tinha quando pisou no palco pela primeira vez?

R: Com 11 anos , na Tv Rio no programa Domingo Alegre do Paulo Bob.

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Você frequentou algum curso de música?

Sou auto- didata que aprendeu observando os feras. Ma tive aulas de canto.

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Onde você e a Lillian se conheceram, formando a famosa dupla da Era Jovem Guarda?

R: Nos conhecemos no prédio de Copacabana  onde minha avó morava no mesmo andar. Com 10 anos de idade…

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A separação da dupla Leno e Lillian, dois anos após ter sido formada em 1965, foi por motivos pessoais ou conveniência em seguir carreira solo?

R: Acho que ambos…

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Qual foi o melhor momento da dupla Leno e Lillian?

R: Tiveram vários,  como no lançamento do primeiro compacto, viagens pelo Brasil , e momentos em estúdio que deixaram coisas boas registradas.

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A dupla Leno e Lilian se desfez definitivamente em 1974. Valeu a pena cada um seguir seu caminho ou teria sido melhor continuarem cantando juntos?

R:  Aconteceu o que tinha que acontecer… Mas ambos vendemos mais discos em carreira solo.

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Tendo vivido o auge da Jovem Guarda, como você define esse movimento que se tornou fenômeno no cenário musical brasileiro?

R: Um fenômeno no cenário musical brasileiro ! rsrs

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Afora o sentimento de coleguismo, você se sentiu atraído alguma vez por alguma cantora da Jovem Guarda?

R: Eu estava apaixonado demais por outra pessoa para dar tempo disso…

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Você tem alguma queixa do “Regime Militar”, motivada por uma suposta falta de liberdade para atuar artisticamente como cantor e compositor?

R:  Não foi nem um pouco legal ter meu Lp de 1970, que seguiria o Lp  A festa dos seus 15 anos, ser censurado , mas a censura do Jabá atual  é tão nociva . Só que mais hipócrita.

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Dos vários sucessos da dupla Leno e Lillian, qual o que mais marcou em sua carreira?

R: Pobre menina, Devolva-me , Dias iguais, Eu não sabia que vc existia, Coisinha estúpida….e tem outras favoritas e menos conhecidas.

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Falava-se no tempo da Jovem Guarda que vários cantores da época eram apaixonados pela Wanderléa. Você se inclui entre os que sentiram algum tipo de atração pela “Ternurinha”?

R: rs rs

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Comparando com os movimentos musicais das décadas de 1960 e 1970, você diria que a música caiu de padrão de lá para cá?

R: E muito! A criatividade espontânea foi  deturpada pelo mau gosto e pela tecnologia artificial. Um fenômeno  mundial que se destaca no Brasil do petismo cultural

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Que avaliação você faz da música gospel. Manifestação de fé ou meio de ganhar dinheiro?

R: Principalmente de ganhar dinheiro . E de fé de mais ou  fé de menos …!

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Você já foi calouro em algum programa conhecido de rádio ou televisão?

R: Não

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Define-se como cantor e compositor ou considera-se apenas cantor?

R: Ambos, claro. E músico.

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Existe alguma música de sua autoria que considera a mais importante da carreira?

R: A mais nova é sempre a favorita… no caso é Poeira interestelar que acabo de gravar com a Lilian.

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Segundo publicação nas redes sociais, você voltará a cantar em dupla com a Lillian, em função das comemorações dos 50 anos da Jovem Guarda. Essa parceria é só nesse período ou pode se tornar permanente?

R: Como diz uma musica que o Raul Seixas fez pra nós em 1972: Deus é quem sabe!

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Acredita que é possível vencer hoje na carreira artística apenas com o talento que possui, sem ter dinheiro para pagar jabá?

R: Meio difícil…

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No tocante ao apoio governamental, você acha que o Ministério da Cultura cumpre seu papel fielmente em relação aos meios musicais?

R: Absolutamente não , a não ser que seja bajulador do lulo-petismo como tantos idiotas por aí que me dão vergonha de serem “colegas”

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A Globo elegeu “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, como a música do século 20. Você concorda com isso, ou indicaria outra música para receber esse título?

R: Merece mas tem outra também.

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Você acha que a realização da Copa no Brasil trouxe algum benefício para o país ou não passou de uma gastança inútil?

R: Como era de se esperar, mais um estelionato em cima dos brasileiros que se orgulham de serem “malandros” e vão pagar essa conta  dos elefantes brancos.

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Que nota você daria, como cidadão, para a “dupla” Lula e Dilma, nesses 12 anos do governo do PT?

R: Essa é fácil : ZERO e ainda ficam devendo.
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Contato com Leno Azevedo

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Facebook de Leno Azevedo (clique aqui)

Vídeos com interpretações de Leno (solo e na Dupla Leno e Lilian) (Clique nos títulos)

A Pobreza


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Leno – Eu não sabia que você existia & Coração de papel

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Leno – Pobre Menina (Ao vivo – DVD “O Mundo Dá Muitas Voltas”)

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A Festa Dos Seus 15 Anos” (Leno)

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Ritmo da Chuva” (Leno)

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Leno Sentado no Arco Íris, de Leno e Raulzito (1970)


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Lixo Eletrônico (Leno Azevedo)

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Leno Azevedo – Virada Cultural 2009

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Pobre Menina, A Pobreza, Coisa Estúpida (Leno – Boteco do Ratinho (2014)

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Pout-Pourri Leno e Lilian (Programa Milk Shake)

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Leno & Lilian – Jovens tardes (participação de Vanessa Camargo)


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Veja Também, clicando aqui: Leno | Vida e Obra de Johnny McCartney

Lino Tavares

Lino Tavares é jornalista diplomado, colunista na mídia gaúcha e catarinense, integrante da equipe de comentaristas do Portal Terceiro Tempo da Rede Bandeirantes de Televisão, além de poeta e compositor

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