E Quem Precisa Nada 3José Antonio Karacek

Muito se discute sobre problemas envolvendo programas sociais do Governo Federal e auxílios da previdência. São denúncias feitas das quais muitas vezes são verdadeiras, pessoas recebem pensões, bolsa família ou se enquadram em programas como Minha Casa Minha Vida tendo visíveis condições financeiras, enquanto quem realmente necessita de tais benefícios, não são atendidas, ficam abandonadas pelas autoridades, que foram nomeadas pelo voto do cidadão a defender essas pessoas oprimidas e sem amparo nenhum.

Uso da minha própria pessoa para citar um exemplo. Quem me conhece sabe da deficiência física que tenho, nasci com um problema muscular que me impossibilita de caminhar. Mas isto não me impossibilitou de estudar, que devido a este “problema”, no caso o conhecimento que adquiri, não tenho direito de receber auxilio do INSS, segundo funcionários que trabalham nesta instituição, pois como sou – de certa forma, dotado de uma inteligência até maior do que muitas pessoas que pensam serem conhecedores de tudo – alegam que tenho condições de trabalhar e conseguir o meu próprio sustento.

Tudo bem, posso até ter condições de trabalhar em uma empresa. O caso é o seguinte: que empresa me dá condições de trabalho necessário, com rampas, banheiro e mesas adaptada? Posso trabalhar a partir do momento que me colocam em frente a um computador, mas necessito de ajuda desde ligar o micro até me mover de um lado para outro.

Mas deixando meu problema de lado, fico até envergonhado com o que acontece no nosso país. Enquanto o governo exige “trocentos” documentos para uma pessoa comum conseguir algum auxílio federal, alguns engravatados assaltam os cofres públicos, tirando milhões, que poderiam se transformar em casas, escolas e hospitais, para o melhor conforto da população.

Assim não dá! Precisamos com urgência de uma fiscalização decente que venha com o propósito de resolver os anseios dos cidadãos. Não adianta só ter lei pra pobre é preciso acabar com a farra que os nossos representantes fazem com o dinheiro público: o nosso dinheiro.

José Antonio Karacek é catarinense, Deficiente Físico, Colunista, Idealizador e administrador do Blog Cotidiano Em Foco, além de ser mais um cidadão indignado com a atual política brasileira.

 

3 thoughts on “E Quem Precisa Nada

  1. Delmar Antonio Marques de Souza says:

    José A. Karacek:

    Gostei do seu bem lançado texto que muito bem retrata a realidade brasileira. Com a sua aquiescência, assino em baixo.
    Por outro lado, eu também sou deficiente físico como Você, desde os 16 anos, quando sofri amputação do membro inferior direito acima do joelho.
    Mas isso jamais atrapalhou de seguir a minha vida e carreira. Não poude achegar aonde queria, mas conseguir formar-me em direito e exerço a profissão de advogado há mais de 32 anos. Deambulo com o auxílio de duas bengalas canadenses, dirijo veículo adaptado com câmbio automático e acelerador para o pé esquerdo também há mais de 30 anos.
    Usei perna mecância por algum tempo, porém, como o coto que sobrou é muito curto, não consigo mais usar tal aparelho, mas isso não me fez desistir de trabalhar. Continuo advogado e fazendo minhas audiências normalmente, com alguma dificuldade é verdade pois ando com as mãos sempre ocupadas pelas inseparáveis bengalas, não sobrando mãos para transportar agendas e processos.
    Peço desculpas por haver falado tanto de mim. mas achei necessário desabafar sobre um problema que ´não interessa a terceiros.

    Forte Abraço ao Amigo e bola pra frente!.

    Delmar Antonio Marques de Souza.

  2. Taiguara says:

    Bem lembrando José, infelizmente vemos cada vez mais casos em que os que precisam, tem que ficar anos para provar que têm direitos ao serviço social e meia dúzia safada (para não dizer outra coisa) , por meios escusos, recebem benefícios facilmente. Já passou a hora desta palhaçada acabar!!

    • José A. Karacek says:

      Um exemplo que caiu bem para este artigo foi mostrado no Fantástico (16/10/11), onde funcionários da Alesc estão recebendo por invalidez, por não poderem trabalhar, mas que podem participar de provas de maratonas.

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