Marco Santos é o nosso entrevistado na Série Personalidades, ele é Coronel da reserva da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul
Marco Antônio Moura dos Santos é pesquisador, articulista e analista de temas relacionados à democracia, direitos fundamentais, segurança pública e política institucional. Coronel da reserva da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul. Especialista em Segurança Pública (PUCRS) e Integração e MERCOSUL (UFRGS) e Doutorando em Direito (UN Mar del Plata-Argentina)
Antes da farda, das patentes ou das urnas, existe o filho de Passo Fundo que aprendeu cedo o valor da palavra empenhada. Marco Antônio Moura dos Santos, Coronel da Reserva da Brigada Militar e especialista em Segurança Pública, construiu sua trajetória fundamentada na disciplina, na gestão e no exemplo herdado do pai. Em uma entrevista exclusiva, ele abre espaço para o “lado humano” e revela os alicerces familiares que sustentaram décadas de decisões difíceis sob pressão.
Com uma visão técnica afiada, o Coronel Marco Santos disseca os desafios contemporâneos da segurança pública, o papel da tecnologia e a urgência de asfixiar financeiramente o crime organizado. Agora filiado ao partido NOVO e mirando o Legislativo, ele propõe uma mudança drástica na forma como enxergamos a administração pública: trocar o discurso raso por metas claras. “Discurso explica intenção. Gestão demonstra resultado”, decreta. Acompanhe a seguir um mergulho profundo nas ideias de um homem que se recusa a ser apenas espectador das transformações do Brasil.

I — O LADO HUMANO: MARCO SANTOS
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Quem é o Marco Antônio fora dos quartéis e longe das campanhas políticas?
“Antes do Coronel e antes do candidato, existe o Marco: filho, irmão, marido, pai, estudante e servidor.”
Sou um homem de família. Um gaúcho nascido em passo fundo, filho de uma família simples, mas que sempre teve valores muito claros.
Meu pai, o tenente-coronel Cecílio dos santos, percorreu uma trajetória extraordinária dentro da brigada militar, ingressando como soldado e alcançando o posto de tenente-coronel pelo mérito, pelo trabalho e pelo exemplo. Seu legado foi tão marcante que hoje ele é patrono do 13º batalhão de polícia militar de Erechim, uma das mais importantes unidades da história da brigada militar no norte do estado. Isso representa uma enorme honra para nossa família, mas também uma responsabilidade permanente de preservar os valores que ele praticou ao longo da vida: integridade, disciplina, coragem, liderança e compromisso com a comunidade.
Mas não posso falar de formação sem falar da minha mãe, Eunice Moura dos Santos. Foi ela quem sustentou emocionalmente nossa família nos momentos mais difíceis. Uma mulher de enorme força, coragem e generosidade, que dedicou sua vida aos filhos, à família e aos amigos. Sua casa estava sempre aberta para acolher pessoas. Foi ela quem nos ensinou o valor da solidariedade, da humildade, do respeito ao próximo e da perseverança diante das adversidades.
Como referi, nasci em passo fundo, vivi em comunidades como Vacaria e Erechim, cidades marcadas por fortes vínculos humanos, espírito comunitário e respeito às instituições. Aprendi desde cedo que a verdadeira liderança nasce do serviço às pessoas e do compromisso com o bem comum. Quando perdi meu pai ainda muito jovem, a vida me ensinou precocemente sobre responsabilidade, superação e resiliência.
Posteriormente em funções públicas, morei em Bagé e portão, além de residir em porto alegre e Buenos Aires.
Também gostaria de referir que tenho três irmãos José Pedro, Silvia maria e Ana Elizabeth. Que são importantes em minha vida.
Ao longo da vida aprendi que nenhuma realização profissional tem sentido se não estiver acompanhada de relações humanas sólidas, de convivência familiar e de um propósito maior voltado ao bem comum.
Tenho a felicidade de compartilhar minha caminhada com minha esposa Ana Lúcia há muitas décadas e de ter construído, junto com ela, uma família baseada em valores como respeito, responsabilidade, diálogo, trabalho e solidariedade. Meus filhos, Rafael e Tiago, representam uma das maiores realizações da minha vida e são motivo permanente de orgulho. Eles me lembram diariamente da importância de pensar não apenas no presente, mas também no futuro das próximas gerações.
A família é o primeiro espaço onde aprendemos a conviver com diferenças, a respeitar o próximo, a assumir responsabilidades e a desenvolver valores que levaremos para toda a vida. É nela que encontramos apoio nos momentos difíceis, equilíbrio diante dos desafios e força para seguir adiante.
Além disso também procuro desenvolver atividades de caráter social, participando, não tão ativamente como deveria, em ações sociais, comunitárias e religiosas. Por isso considero que devo ser um servidor em prol dos outros.
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De que forma suas raízes em Passo Fundo e no interior gaúcho moldaram seus valores?
Vivi no interior durante uma parte muito importante da minha infância, até os 12 anos; após a morte do meu pai, nossa família mudou-se para Porto Alegre por uma decisão corajosa da minha mãe, buscando melhores condições para criar os filhos.
Mais tarde, minha carreira ainda me levou a outras regiões do Rio Grande do Sul, em Bagé e Portão..
O interior me deixou valores que carrego até hoje: acordar cedo, trabalhar, respeitar os mais velhos, valorizar a comunidade e, principalmente, cumprir a palavra.
São coisas aparentemente simples, mas fundamentais. Você aprende que confiança demora anos para ser construída e pode ser perdida em poucos minutos.
Talvez venha daí uma convicção que tenho até hoje: não acredito muito em atalhos. Acredito em trabalho, preparação, perseverança e responsabilidade.

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Qual é o papel de Ana Lúcia e da família como alicerce?
A Ana Lúcia é minha companheira de vida. Quem trabalha durante décadas na segurança pública sabe que a família também participa dessa missão.
Existem ausências, horários difíceis, riscos, preocupações e decisões que acabam entrando dentro de casa. Por isso, ter uma família estruturada faz uma diferença enorme.
Ana Lúcia sempre foi meu apoio, mas também alguém capaz de me dizer quando estou errado. E isso é muito importante. Apoiar não significa concordar com tudo. Muitas vezes, quem realmente está ao nosso lado é justamente quem tem liberdade para nos chamar à realidade.
A sua presença, junto com todos seus familiares, uma grande família, da qual sinto-me sempre incluído, são também exemplos de como ela é importante para fortalecer os laços e manter sempre, pontos de conexão, com carinho, harmonia e muito amor.
Meus filhos, Rafael e Tiago, também são uma enorme referência. Hoje são homens, construíram seus próprios caminhos, e eu aprendo muito observando as escolhas deles. São grandes amigos, homens de elevados valores e princípios, grandes exemplos para mim, pessoal e profissionalmente.
Minha família é meu porto seguro, mas também minha responsabilidade. Quando penso no Brasil que queremos construir, inevitavelmente penso na geração deles e nas próximas.
Família não é apenas onde buscamos força. É também para quem temos a responsabilidade de construir o futuro.
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Como concilia o doutorado em Direito na Argentina com as atividades no Brasil?
Com disciplina. Já concluí a etapa presencial do doutorado e atualmente estou trabalhando no desenvolvimento da tese. Isso exige estudo em horários que normalmente seriam de descanso: noites, madrugadas, finais de semana e viagens.
Mas sempre gostei de estudar. A experiência acadêmica na Argentina também ampliou minha visão. Eu já havia vivido durante aproximadamente três anos em Buenos Aires, e o doutorado permitiu retomar essa experiência sob outra perspectiva, agora jurídica e acadêmica.
Além disso, conviver com profissionais brasileiros e de outros países da América do Sul amplia nossa compreensão sobre Direito, instituições, integração regional e MERCOSUL.
Para mim, estudar não é acumular títulos. É ampliar a capacidade de compreender os problemas e encontrar soluções.

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Como nasceu sua relação com a escrita e com os artigos sobre o cotidiano nacional?
A escrita surgiu naturalmente da minha trajetória profissional e acadêmica.
Durante muitos anos precisei estudar, ensinar, planejar, produzir documentos, preparar aulas e organizar ideias. Com o tempo percebi que escrever também é uma forma de organizar o próprio pensamento.
Hoje escrevo principalmente porque gosto de provocar reflexão. Não tenho a pretensão de ser dono da verdade. Pelo contrário. Muitas vezes escrevo para colocar perguntas sobre a mesa.
Segurança pública, justiça, liberdade, gestão pública, instituições, política: são assuntos complexos demais para serem reduzidos a slogans. E existe outra preocupação: precisamos conseguir conversar sobre esses temas numa linguagem que as pessoas compreendam.
Sempre considerei que escrever é um ato de extrema sensibilidade, pois acabamos nos expondo e com isso precisamos estar disponíveis para o debate, a crítica e as contrariedades.
No entanto, a vida, nos impõe que devamos nos posicionar frente as inúmeras situações que a vida nos coloca, dia após dia. Problemas que precisam ser avaliados, que necessitam de uma avaliação, pela importância, relevância e vinculação com nossa profissão, com as nossas convicções e com os pensamentos de cidadão.
Conhecimento que fica restrito aos especialistas tem pouca capacidade de transformar a sociedade.
Escrever, para mim, é organizar ideias e provocar reflexão.
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Qual foi a maior influência das mulheres da sua família e da sua corporação?
Eu começaria pela minha mãe.
Depois da morte do meu pai, ela precisou tomar decisões muito difíceis para conduzir nossa família. Isso me ensinou muito cedo o significado de coragem e resiliência.
Depois veio Ana Lúcia, minha companheira de vida, com quem aprendi muito sobre equilíbrio, parceria e família.
E, profissionalmente, acompanhei a transformação da própria Brigada Militar com a presença crescente das mulheres em praticamente todas as atividades da instituição.
Vi mulheres, estudando, trabalhando, lutando, planejando, ensinando e atuando em distintas situações na vida e na Instituição.
Por isso, quando penso nas mulheres que fizeram parte da minha trajetória, três palavras me vêm imediatamente à cabeça: coragem, equilíbrio e resiliência.

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Depois de tantos anos na segurança pública, o que ainda emociona Marco Santos?
Muitas coisas. A família, naturalmente. As conquistas da esposa e dos meus filhos. Os encontros e reencontros com amigos que a vida profissional espalhou pelo Rio Grande do Sul; assim como também os desencontros,
Mas existe algo que me emociona particularmente: encontrar alguém, depois de muitos anos, e perceber que de alguma maneira nossa passagem pela vida daquela pessoa deixou uma contribuição positiva.
Pode ser um antigo aluno, um policial com quem trabalhei, alguém que participou de uma equipe ou simplesmente uma pessoa que lembra de uma atitude tomada em determinado momento.
Com o passar dos anos percebemos que cargos passam, funções terminam e a própria farda um dia fica no armário. O que permanece são as pessoas e aquilo que construímos com elas.
Mas realmente o que me mobiliza, de forma muito particular, é ouvir o toque de silencia, que representa que algum dos nossos irmãos, integrantes da família brigadiana, passou para o plano espiritual. Em especial, quando cai no cumprimento do dever. Esse fato sempre me emociona.
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O que tira Marco Santos do sério na convivência em sociedade?
A injustiça me incomoda profundamente. Também me incomodam a irresponsabilidade, a falta de compromisso com a palavra e, principalmente, a utilização do poder em benefício próprio.
Passei minha vida profissional trabalhando dentro de estruturas em que responsabilidade não era uma palavra abstrata. Uma decisão errada poderia produzir consequências muito sérias.
Por isso tenho dificuldade em aceitar quando alguém ocupa uma função pública e age como se não tivesse obrigação de responder pelas próprias decisões.
Também me incomoda a naturalização do errado. Quando começamos a achar normal aquilo que sabemos que não é correto, temos um problema muito maior do que um caso isolado. O que mais me preocupa é quando a sociedade começa a tratar o errado como normal.

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Que conselho daria ao jovem Marco Antônio que estava começando sua trajetória?
Eu diria: estude muito, escute mais e tenha paciência. Quando somos jovens temos energia, vontade de fazer e, muitas vezes, a convicção de que já sabemos o suficiente.
A experiência ensina exatamente o contrário: quanto mais aprendemos, mais percebemos quanto ainda precisamos aprender.
Também diria para valorizar as pessoas que caminham conosco. Ouvir quem chegou antes não significa abrir mão das próprias ideias. Significa aprender com erros que talvez você não precise repetir.
E diria algo fundamental: preserve seus valores. A carreira passa. Os cargos passam. A autoridade passa. O caráter permanece.
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Qual é seu refúgio? Como consegue desligar dos problemas?
Meu primeiro refúgio é a família. Posteriormente, meus próprios espaços. Gosto de atividades que permitam conversar com amigos, praticar atividades físicas, hoje com muito menos frequência, acompanhar esportes e ter momentos simples, em atividades caseiras.
Durante muitos anos também tive uma ligação muito forte com o esporte, xadrez, voleibol, futebol. Isso sempre foi uma forma importante de convivência e equilíbrio.
Mas confesso que não sou muito bom em “desligar” completamente. Tenho o hábito de ler, estudar e anotar ideias. Às vezes aquilo que deveria ser descanso termina virando uma nova reflexão. Ana Lúcia, costumeiramente me diz que eu não sei ler por lazer. Sempre estou lendo com visão técnica ou profissional.
Talvez meu verdadeiro refúgio seja justamente esse equilíbrio: família, amigos, atividade física, esporte e alguns momentos de silêncio para colocar as ideias em ordem.
Descansar também é encontrar tempo para reorganizar as ideias.

II — O PROFISSIONAL: CORONEL MARCO SANTOS
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O senhor vivenciou a Academia de Polícia Militar como aluno, instrutor e gestor. Qual foi o maior desafio em formar a nova geração de oficiais da Brigada Militar?
A Academia teve uma importância muito grande na minha trajetória. Tive a oportunidade de conhecê-la sob diferentes perspectivas: como aluno, como instrutor e depois exercendo funções de gestão.
E isso me ensinou que formar um oficial é muito mais do que transmitir conhecimento técnico. Estamos formando um profissional que será líder, comandante e gestor. Terá que liderar pessoas, tomar decisões sob pressão, administrar recursos públicos, compreender a sociedade e, muitas vezes, decidir em poucos segundos diante de situações extremamente complexas.
Portanto, o maior desafio é ser referência, poder servir de exemplo, estar capacitado para ser o ponto de conexão entre o real e o futuro de cada um e de todos. Estar disponível, demonstrar quem somos, por que ali estamos e como deveremos conduzir nossa atividade profissional.
Por isso, sempre entendi que a formação precisa combinar princípios, valores, capacidade de gestão, liderança, equilíbrio emocional e formação humana, técnica e jurídica.
Tecnologia e procedimentos mudam. A sociedade também muda. Mas algumas características continuam indispensáveis: responsabilidade, coragem para decidir e capacidade de assumir as consequências da decisão.
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“Apreender armas não basta.” Como colocar em prática a asfixia financeira e territorial do crime organizado?
Precisamos compreender que o crime organizado mudou. Hoje não estamos enfrentando apenas indivíduos cometendo crimes isoladamente. Estamos enfrentando organizações com estrutura, hierarquia, recursos financeiros, domínio territorial, logística, comunicação e capacidade de substituir rapidamente pessoas e equipamentos.
Por isso, apreender armas e drogas, por exemplo, é necessário, mas não suficiente. Para enfrentar de verdade o crime organizado, precisamos atacar aquilo que sustenta o seu poder: dinheiro, logística e domínio territorial.
Precisamos atingir o patrimônio, o fluxo financeiro, a logística e as lideranças dessas organizações. É necessário melhorar a integração entre inteligência policial, ação operacional, investigação criminal, sistema financeiro, Ministério Público, Judiciário, sistema penitenciário e órgãos de controle.
E existe outra dimensão: território. Quando o Estado perde determinado território para uma organização criminosa, não basta realizar uma operação e sair. O Estado precisa permanecer.
Segurança, escola, saúde, iluminação, urbanização, oportunidades e serviços públicos precisam ocupar o espaço que o crime tenta controlar.
Para enfrentar o crime organizado, precisamos tirar dele três coisas: dinheiro, liderança e território. Assim sendo, essa asfixia pode ser desenvolvida de forma direta, através da atuação operacional em casos concretos, em operações específicas, baseadas em trabalho de inteligência policial e com suporte de investigação criminal, buscando realizar as apreensões decorrentes daquele caso em particular. Com isso os autores dos crimes terão reduzidas suas capacidades de articulação, de gestão de grupos ou segmentos dentro da organização.
É preciso seguir o dinheiro, bloquear e confiscar patrimônio ilícito, desarticular as estruturas financeiras e impedir que as organizações continuem controlando territórios e comandando crimes, inclusive de dentro dos presídios.
Torna-se necessário avançar em legislação própria para poder estabelecer esse controle, essa ação operacional, de investigação e atuação financeira; assim como da execução penal e todas suas implicações.
Prender é necessário. Apreender é necessário. Mas é preciso ir além: descapitalizar, desarticular e retomar o território. Sem dinheiro e sem território, reduzimos a capacidade do crime organizado de se reconstruir.

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A criminalidade evoluiu para estruturas quase multinacionais. O Estado ficou para trás nessa corrida estratégica?
Em alguns aspectos, sim. O crime organizado aprendeu rapidamente a trabalhar em rede, utilizar tecnologia, movimentar recursos, atuar entre estados e atravessar fronteiras.
Enquanto isso, o Estado ainda convive com estruturas compartimentadas, bancos de dados que nem sempre conversam e dificuldades de compartilhamento de informações.
Temos excelentes profissionais e excelentes instituições. O problema não está na capacidade individual dos nossos policiais. Está muitas vezes no modelo. Precisamos avançar para uma segurança pública verdadeiramente integrada. União, estados e municípios precisam compartilhar inteligência, tecnologia, informações e planejamento.
Essa é uma das razões pelas quais defendo o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública e uma estrutura federal de segurança capaz de coordenar estratégias nacionais contra organizações criminosas.
O crime não respeita fronteira municipal, estadual ou nacional. A resposta do Estado também não pode ficar presa a essas fronteiras administrativas. O crime trabalha em rede. O Estado também precisa trabalhar em rede.
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Como especialista em Integração e MERCOSUL, como avalia nossas fronteiras e o impacto disso na segurança do Rio Grande do Sul?
Essa é uma questão estratégica para o Rio Grande do Sul e para o país. Somos um Estado de fronteira, temos uma extensa relação territorial, econômica e social com Argentina e Uruguai. Essa integração é uma riqueza, mas também produz desafios para a segurança.
As organizações criminosas não enxergam fronteiras como nós enxergamos administrativamente. Elas procuram vulnerabilidades. Por isso precisamos superar a ideia de que integração regional é apenas comércio. Precisamos avançar também na cooperação policial e de inteligência, respeitando naturalmente a soberania e a legislação de cada país.
Compartilhamento de informações, operações coordenadas, controle de rotas, cooperação aduaneira e atuação contra lavagem de dinheiro precisam fazer parte dessa agenda. O MERCOSUL precisa ser também um espaço de cooperação contra o crime transnacional.
Fronteira não pode ser barreira para o cidadão de bem e corredor para o crime.
Durante três anos estive desempenhando atividades como Oficial de enlace do CODESUL (CONSELHO DE DESENVOLVIMENTO DO SUL), formado pelos Estados do Rio Grande do sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, junto aos Organismos Federais Argentinos. Residi em Buenos Aires e atuei diretamente vinculado a Gendarmeria Nacional Argentina. De igual forma estabeleci contatos com distintos Organismos Policiais Internacionais, que me permitiu realizar uma grande troca de experiências e vivências a respeito das relações internacionais e relações policiais,
As fronteiras são permeáveis, não apenas no Estado do Rio Grande do Sul, mas também em todo o País; as dificuldades internas de defesa interna são muito grandes, pois não há um sistema único de segurança pública eficiente e eficaz. As nossas fronteiras são extensas, com muitas dificuldades de comunicações, de mobilidade, de infraestrutura. As cooperações policiais são fragmentadas, em vista de imposições legais e institucionais. Ao realizar um curso de Direito Comunitário Europeu, realizado em Salamanca, foi possível estudar e conhecer as regulamentações e diretivas à época que regulavam os sistemas e normativas da EUROPOL (Sistema Policial da EUROPA). Esse processo ainda é importante ser ampliado e desenvolvido dentro do BLOCO ECONOMICO DO MERCOSUL.
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O senhor atua junto à Legião Altiva, valorizando os veteranos. Qual o risco de uma corporação que não valoriza seus inativos?
Toda instituição precisa preservar sua memória. Os veteranos carregam algo que nenhum manual consegue reproduzir integralmente: legado e experiência. São décadas de decisões, erros, acertos, operações, gestão, liderança e conhecimento acumulado. O mais importante, no entanto, são os princípios e valores de anos e anos que são transmitidos de geração para geração.
Valorizar o veterano não significa viver olhando para o passado. Significa utilizar o passado para tomar decisões melhores no presente e construir o futuro. Precisamos criar mecanismos para transmitir conhecimento entre gerações.
Ao mesmo tempo, existe uma dimensão humana. A pessoa dedica 30 ou 35 anos de sua vida à instituição e à sociedade. Quando chega à reserva, ela não deixa de possuir conhecimento, história ou capacidade de contribuir. Instituição que não preserva sua memória corre o risco de repetir os próprios erros e não estar preparado para o futuro. Veterano não é passado. Veterano é memória, experiência e patrimônio institucional.

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Como equilibrar polícia ostensiva nas ruas com o trabalho silencioso de inteligência?
Não vejo uma oposição entre as duas coisas. A presença ostensiva é fundamental. O cidadão precisa enxergar o Estado, sentir a presença policial e ter resposta rápida quando necessita. Mas enfrentar a criminalidade, a violência e, especialmente, as organizações criminosas exige muito mais.
É a inteligência que permite identificar lideranças, redes financeiras, rotas, conexões, fornecedores e estruturas de comando. A melhor política de segurança é aquela capaz de combinar prevenção, presença ostensiva, inteligência e investigação.
Não precisamos escolher entre policial na rua ou inteligência. Precisamos dos dois trabalhando de forma integrada. E mais: precisamos usar tecnologia para fazer com que cada informação produzida na rua também alimente a inteligência.
A presença policial protege o território; a inteligência desmonta a estrutura do crime.
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Houve algum momento de comando que o senhor considere divisor de águas profissional?
É difícil escolher apenas uma operação ou função depois de tantos anos. Minha carreira passou pelo policiamento rodoviário, atividades operacionais, comando, planejamento, ensino, gestão, inteligência e outras responsabilidades na segurança pública.
Considero particularmente importante minha experiência na formação profissional. Quando você participa da formação de um policial ou de um oficial, percebe que sua responsabilidade não termina naquela pessoa. Cada profissional que você ajuda a formar vai comandar equipes, atender milhares de cidadãos e tomar inúmeras decisões ao longo da carreira. Isso mudou bastante minha percepção sobre liderança.
Uma operação pode produzir um resultado extremamente importante naquele momento. A formação de uma liderança qualificada pode produzir resultados durante décadas. Uma boa operação produz resultados. Uma boa liderança multiplica resultados.

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Qual a diferença entre liderar tropas na rua e liderar na gestão e na instrução acadêmica?
O tempo da decisão muda, mas a responsabilidade permanece. Na atividade operacional, muitas vezes você precisa decidir em segundos. Existe pressão, risco e pouca margem para erro.
Na gestão, as decisões podem levar semanas ou meses, mas também produzem consequências profundas sobre pessoas, orçamento e instituições.
Na Academia existe ainda outra responsabilidade: você está formando pessoas que futuramente também decidirão.
Mas há algo comum aos três ambientes: liderança. E liderança, para mim, exige exemplo, conhecimento, capacidade de ouvir e coragem para decidir. Você não pode exigir da sua equipe aquilo que não está disposto a fazer. Os ambientes mudam. O princípio da liderança não: exemplo, preparo e responsabilidade.
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A segurança pública cuida adequadamente da saúde mental de quem nos protege?
Avançamos, mas ainda precisamos fazer muito mais. O profissional da segurança pública convive permanentemente com situações que a maioria das pessoas talvez enfrente uma ou duas vezes durante toda a vida.
Violência, morte, acidentes, sofrimento humano, pressão, risco e responsabilidade fazem parte da rotina. Não podemos considerar normal que esse profissional simplesmente absorva tudo isso durante décadas sem consequências. Por isso defendo uma política estruturada de saúde e qualidade de vida para os profissionais da segurança pública.
Precisamos trabalhar prevenção, acompanhamento psicológico, identificação precoce de problemas, atendimento especializado e apoio também às famílias. E precisamos enfrentar um preconceito que ainda existe: procurar ajuda não significa fraqueza.
Cuidar de quem protege a sociedade é também uma política de segurança pública.
Não existe segurança pública forte com profissionais adoecidos e famílias desamparadas.
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Qual legado técnico o Coronel Marco Santos acredita ter deixado na Brigada Militar?
Eu teria dificuldade em falar de legado como algo exclusivamente meu. Tudo o que construí profissionalmente foi feito ao lado de equipes, comandantes, colegas, subordinados, professores e alunos. Mas gostaria de acreditar que contribuí em algumas áreas importantes.
Na formação profissional, na gestão, no planejamento, no processo de fortalecimento da inteligência, no ensino, na valorização das pessoas e na defesa de uma segurança pública cada vez mais integrada e profissional.
Também procurei transmitir uma ideia durante toda minha trajetória: não basta executar. Quem assume funções de liderança precisa compreender o problema, planejar, decidir, acompanhar e avaliar resultados. E talvez essa seja uma das experiências que hoje quero levar para a vida pública.
Depois de décadas ajudando a executar políticas públicas, acredito que chegou o momento de também participar do lugar onde as leis, os recursos e as grandes decisões nacionais são discutidos.
De forma muito concreta, posso citar a LEI DE ENSINO, que tive participação efetiva na sua sistematização e encaminhamento, no período em que assumi o Colégio Tiradentes, tendo a necessidade de fazer chegar ao Legislativo a Lei para que fosse possível obter a habilitação e o credenciamento do Colégio Tiradentes junto ao Conselho Estadual de Educação. Nesse mesmo sentido, conseguimos realizar a devida organização, estruturação, habilitação e credenciamento do Colégio, que foi ponto básico e legal importante para darmos a estrutura de todo o Sistema de Ensino da Brigada Militar e diretamente do Ensino Médio vinculado à Instituição.
Também considero muito relevante a minha assunção da então Assessoria de Inteligência em 2002, no Comando do Coronel Gerson, em um momento ímpar na Corporação, em um período de final de Governo; com alteração de gestão, de postura ideológica inclusive, ao assumir o comando da Brigada Militar o Coronel Pafiadache, definiu pela nossa permanência na função com a missão e propósito de reativarmos a nossa 2ª Seção do Estado Maior, a PM2; a qual retornou com muita força, estrutura, visão de futuro e adequada a uma nova perspectiva de Instituição. Com profissionais qualificados, mais atuante, moderna e vinculada a uma inteligência estratégica, com suporte tecnológico e operacional.

III — PENSAMENTO POLÍTICO E GESTÃO
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O senhor escreveu que “Quando falta gestão, sobra discurso”. Por que a política brasileira ainda é tão dependente do populismo e tão carente de gestores qualificados?
Porque discurso produz efeito imediato; gestão produz resultado, e resultado exige tempo, planejamento, acompanhamento e responsabilidade.
Na segurança pública aprendi que não basta dizer o que pretende fazer. Você precisa definir objetivo, estabelecer prioridade, organizar pessoas e recursos, executar e depois medir o resultado.
Na política deveríamos fazer exatamente a mesma coisa. Um dos grandes problemas brasileiros é que muitas vezes discutimos pessoas, partidos e narrativas, quando deveríamos discutir processos e resultados.
Não quero eliminar o debate político. Ele é essencial à democracia. O que precisamos é fazer com que o debate termine em decisão e que a decisão produza resultado para o cidadão.
Essa é uma mudança que defendo: menos política baseada exclusivamente no discurso e mais política orientada por planejamento, metas, indicadores e prestação de contas.
Discurso explica intenção. Gestão demonstra resultado.
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O que o motivou a escolher o NOVO como plataforma política para disputar uma vaga no Legislativo?
Minha decisão foi baseada principalmente em convergência de princípios. Acredito em responsabilidade fiscal, liberdade econômica, redução de privilégios, eficiência do Estado, responsabilidade individual e instituições fortes.
Mas existe uma ideia que considero especialmente importante: reduzir o tamanho do Estado não significa enfraquecê-lo. Quero um Estado menor onde ele não precisa estar e muito mais forte onde sua presença é indispensável.
Na segurança pública, na Justiça e nas funções essenciais, precisamos de instituições fortes, profissionais valorizados e capacidade de atuação. Também acredito que política exige coerência entre aquilo que se defende e aquilo que se pratica.
Não concordarei com tudo dentro de qualquer partido. Tenho minhas convicções e minha história. Mas encontrei no NOVO um espaço político compatível com boa parte daquilo que defendo. Em especial por visualizarmos uma metodologia de formação partidária que possibilita espaço político para crescermos, com base em estudos, em méritos, em busca de um país melhor, em princípios e valores e coerência entre o discurso e a prática.
Estado forte onde precisa estar; eficiente onde atua e fora de onde não precisa estar.

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Diante dos casos de corrupção e desperdício de recursos públicos, como o Estado brasileiro deve agir?
Precisamos começar abandonando uma ideia perigosa: a de que corrupção é apenas um problema moral individual. Ela também é um problema de processos, controles e oportunidades. Quanto mais opaco for o Estado, maior será o espaço para corrupção.
Por isso defendo transparência, digitalização, rastreabilidade dos recursos públicos, fortalecimento dos órgãos de controle e responsabilização efetiva de quem desvia dinheiro da sociedade. Mas existe outro ponto fundamental: recuperar o patrimônio. Não basta condenar alguém depois de anos se o dinheiro desapareceu.
O dinheiro desviado da saúde, da segurança ou da educação precisa ser localizado e recuperado sempre que juridicamente possível. E precisamos reduzir os espaços em que interesses políticos se confundem com estruturas administrativas. Combater corrupção exige três coisas: transparência, responsabilização e recuperação do dinheiro público.
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Como proteger a liberdade de imprensa sem cair na censura disfarçada de regulação?
Começando por um princípio: liberdade de imprensa existe justamente para permitir aquilo que muitas vezes incomoda quem exerce o poder. Uma imprensa livre precisa poder investigar, questionar e criticar governo, Congresso, Judiciário, Ministério Público, forças de segurança e também candidatos como eu.
Isso não significa que liberdade seja ausência de responsabilidade. Quem comete crime, difama ou causa danos responde nos termos da lei, com devido processo legal, contraditório e direito de defesa.
O que me preocupa é transformar o combate à desinformação em justificativa para criar mecanismos de controle prévio do discurso. Em uma democracia, o Estado precisa ter muito cuidado quando assume para si o poder de definir previamente quais opiniões podem circular.
A resposta para uma sociedade com informação ruim deve ser, em regra, mais informação, educação, transparência e responsabilização posterior quando houver ilícito, não censura prévia.
Liberdade sem responsabilidade pode gerar abusos; regulação sem limites pode produzir censura.
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O que falta para o Legislativo focar em resultados reais em vez de guerras ideológicas nas redes sociais?
Precisamos voltar a perguntar qual é a função de um parlamentar. Deputado não foi eleito para ser apenas comentarista dos acontecimentos nacionais. Ele precisa legislar, fiscalizar, discutir orçamento, representar a sociedade e acompanhar políticas públicas.
As redes sociais são importantes porque aproximaram o representante do cidadão. O problema começa quando a comunicação passa a substituir o trabalho.
Eu gostaria que o eleitor pudesse avaliar um mandato perguntando: o que apresentou? O que fiscalizou? Como votou? Que despesas ajudou a reduzir? Que políticas ajudou a melhorar? Prestou contas? É essa cultura de avaliação que precisamos fortalecer.
Rede social comunica o mandato. Não pode substituir o mandato

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Como educar o eleitor para olhar o histórico de entregas e não apenas as promessas?
O primeiro passo é fazer uma pergunta muito simples: o que essa pessoa fez quando teve responsabilidade? Campanha eleitoral é naturalmente um período de promessas. Por isso precisamos olhar para trás. Qual é a trajetória do candidato? Como administrou pessoas e recursos? Como se comportou quando teve poder? Que resultados entregou? Como tratou o dinheiro público?
E vale isso para mim também. Não peço que alguém vote em mim apenas porque sou Coronel ou porque tenho determinado discurso. Olhem minha trajetória. Vejam onde trabalhei, as responsabilidades que assumi, o que defendo e se existe coerência entre minha vida e aquilo que estou propondo agora.
Democracia melhora quando o eleitor deixa de ser apenas destinatário da propaganda e passa a ser fiscal do candidato e do eleito. Antes de acreditar na promessa, examine a trajetória.
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O senhor defende a redução do tamanho do Estado. Onde o Estado deve deixar de atuar?
Eu prefiro falar em redefinir o Estado. A discussão não pode ser simplesmente “Estado grande ou Estado pequeno”. A pergunta correta é: onde o Estado é indispensável e onde sua presença gera burocracia, custo e ineficiência? Existem atividades econômicas que podem ser executadas pela iniciativa privada sob adequada regulação e fiscalização.
O Estado não precisa produzir tudo, administrar tudo ou controlar tudo. Isso permite concentrar capacidade nas áreas essenciais: segurança, Justiça, educação básica, saúde, infraestrutura estratégica e proteção daqueles que realmente necessitam. E mesmo nessas áreas precisamos avaliar resultados.
Defender serviço público não significa defender burocracia ou desperdício. Pelo contrário: o bom servidor também é prejudicado por estruturas ruins.
Não quero um Estado ausente. Quero um Estado focado no que é essencial.
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Como responde a quem afirma que militares na política possuem uma visão excessivamente punitivista e pouco social?
Eu responderia convidando essa pessoa a conhecer a realidade de quem trabalhou décadas na segurança pública. O policial conhece de perto a violência e a criminalidade, mas também conhece de perto a vulnerabilidade social.
Ele entra em locais onde muitas vezes outras estruturas do Estado não chegaram. Conhece famílias, crianças, dependência química, abandono escolar, desemprego e violência doméstica. Por isso não vejo contradição entre ordem e política social.
Precisamos ser firmes com quem escolhe o crime, especialmente com organizações criminosas e reincidentes violentos. Mas precisamos ser igualmente firmes em evitar que nossos jovens sejam recrutados pelo crime.
Segurança pública não começa apenas na viatura e não termina na prisão. Educação, família, oportunidades e prevenção também fazem parte dessa equação. Firmeza contra o criminoso e oportunidade para impedir que o jovem seja recrutado pelo crime.
As instituições policiais militares são as organizações que servem de suporte, base primária e legítima defensora do Estado Democrático de Direito, pois atuam diretamente na proteção dos direitos e garantias individuais e sociais previstos constitucionalmente,

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O cidadão está sufocado por impostos. Qual sua principal proposta para dar fôlego ao empreendedor e ao trabalhador?
Precisamos enfrentar duas coisas: carga e complexidade.
O brasileiro não sofre apenas porque paga impostos. Sofre também porque nosso sistema historicamente consumiu enorme quantidade de tempo e dinheiro para que pessoas e empresas simplesmente consigam cumprir suas obrigações. Simplificar é fundamental.
Também precisamos de responsabilidade fiscal. Porque prometer redução de impostos sem controlar despesas públicas pode produzir déficit, inflação ou mais dívida e a conta acaba voltando para o próprio cidadão.
Quero trabalhar por um ambiente em que seja mais fácil empreender, contratar, investir e produzir. Quem gera emprego não pode ser tratado pelo Estado como suspeito até prova em contrário.
Objetivamente, minha principal proposta é simples: deixar mais dinheiro com quem trabalha e produz, investe e gera emprego.
O Brasil precisa reduzir e simplificar a carga tributária, combater desperdícios e privilégios e impedir que o equilíbrio das contas públicas seja buscado sempre com aumento de impostos.
Para o empreendedor, isso significa menos burocracia, mais segurança jurídica e menor custo para produzir, contratar e investir. Para o trabalhador, significa proteger sua renda e seu poder de compra.
O Estado precisa gastar melhor antes de cobrar mais. Quem produz e trabalha não pode continuar pagando a conta da ineficiência pública.
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Qual é a linha vermelha que um político ético jamais deve cruzar?
Usar o mandato em benefício próprio. Essa é a linha. O mandato não pertence ao político. É uma delegação temporária recebida da sociedade.
Quando alguém usa o cargo para enriquecimento pessoal, favorecimento indevido, privilégio, corrupção ou proteção dos próprios interesses, rompe a confiança que justificou sua eleição.
E acrescentaria uma segunda obrigação: dizer a verdade ao eleitor, inclusive quando ela é desconfortável. Não considero correto prometer aquilo que sabemos que não podemos entregar apenas porque isso gera voto.
Prefiro perder um voto dizendo aquilo em que acredito a conquistá-lo prometendo aquilo que sei que não posso cumprir. Mandato é instrumento de representação, não instrumento de benefício pessoal.

IV — DESAFIOS E SOLUÇÕES PARA PORTO ALEGRE
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Porto Alegre sofre com a degradação do Centro Histórico. Como revitalizar a região e atrair moradores e negócios?
O Centro não será recuperado apenas com uma ação isolada. Precisamos tratar simultaneamente de segurança, habitação, atividade econômica, mobilidade, limpeza, iluminação e ocupação dos espaços públicos.
Um Centro vivo precisa ter pessoas circulando, trabalhando, morando, estudando e consumindo. Segurança é condição indispensável, mas sozinha não resolve.
Precisamos estimular a ocupação dos imóveis, facilitar investimentos, recuperar espaços públicos e criar condições para que famílias e empreendedores tenham novamente interesse em permanecer no Centro. E há uma questão de gestão: diferentes órgãos públicos precisam atuar sobre o mesmo território com objetivos comuns.
Minha experiência em segurança e gestão me ensinou que problemas complexos não são resolvidos quando cada órgão trabalha isoladamente. Como Deputado Federal, posso contribuir buscando aperfeiçoamentos legislativos, recursos e articulação institucional para projetos estruturantes da capital. Não se recupera o Centro apenas ocupando ruas. Recupera-se trazendo novamente vida para o Centro.
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Qual deveria ser o papel da Guarda Municipal de Porto Alegre na segurança pública?
Precisamos abandonar uma discussão baseada apenas no nome da instituição e discutir competências, integração e resultados.
As Guardas Municipais passaram a ocupar espaço importante na segurança urbana. Mas não defendo sobreposição desnecessária de estruturas. Defendo integração. E responsabilidades compartilhadas a partir das competências constitucionais devidas.
União, Estado e Município precisam compartilhar informações, tecnologia e planejamento, respeitando suas competências. A Guarda pode ter papel importante na proteção do patrimônio, prevenção, presença territorial e apoio à segurança urbana.
O cidadão não está interessado em saber de quem era formalmente a informação. Ele quer que as instituições conversem e que o Estado funcione. O cidadão não quer disputa entre instituições. Quer integração e resultado.
Tendo atuado como Diretor-Geral da Secretara Municipal de Segurança do Município de Porto Alegre, atuado diretamente na estruturação, encaminhamento, defesa e gestão do programa PORTO ALEGRE SEGURA. O programa foi contratado em setembro de 2020, com investimentos de aproximadamente R$ 60,8 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e contrapartida do Município.
O programa tem como objetivo fortalecer a atuação do Município na segurança pública, por meio da modernização das estruturas de comando e controle, da ampliação do uso de tecnologias de monitoramento e inteligência, da qualificação da Guarda Municipal e da Defesa Civil e da melhoria da infraestrutura operacional da Secretaria Municipal de Segurança (SMSEG).
Os investimentos entre outros, estão direcionados à modernização do Sistema de Comando e Controle, incluindo a ampliação da infraestrutura do Centro Integrado de Coordenação de Serviços de Porto Alegre (CEIC), o desenvolvimento do sistema FiscPOA e a implantação de soluções de videomonitoramento, cercamento eletrônico de veículos, reconhecimento facial e análise inteligente de imagens.
Assim como são destinados ao fortalecimento operacional da Guarda Municipal e da Defesa Civil e à qualificação da gestão da segurança municipal. Entre as principais entregas estão a implantação de 225 câmeras de videomonitoramento urbano e 292 câmeras de cercamento eletrônico com leitura automática de placas, além da aquisição de 160 câmeras corporais, viaturas, motocicletas, equipamentos de proteção individual, equipamentos táticos, drones e estruturas para atuação em emergências.
O programa também contempla a ampliação física do CEIC e a reforma da sede operacional da Guarda Municipal, no Parque Marinha do Brasil. Essas estruturas proporcionarão melhores condições de trabalho, maior integração entre os órgãos públicos e mais capacidade de coordenação e resposta às ocorrências.

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As inundações mostraram vulnerabilidades de Porto Alegre. Como preparar a cidade para novos eventos climáticos?
Primeiro precisamos mudar a lógica: prevenção não pode aparecer apenas depois da tragédia. Sistemas de proteção contra enchentes exigem manutenção permanente, fiscalização, planejamento, protocolos e responsabilidades claramente definidas. Bombas, diques e comportas não podem ser lembrados somente quando começa a chover. Também precisamos melhorar sistemas de alerta, planos de contingência, treinamento das equipes e capacidade de resposta.
E existe uma dimensão maior: adaptação climática exige planejamento de longo prazo e participação dos três níveis de governo.
Um Deputado Federal pode atuar na legislação, no orçamento, na fiscalização e na construção de programas nacionais de prevenção e resiliência. O custo da prevenção sempre precisa ser comparado com o custo humano, econômico e social da tragédia. Prevenção não começa quando a água sobe. Começa muito antes da chuva.
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Porto Alegre ajuda ou atrapalha quem quer abrir uma empresa e gerar empregos?
Precisamos fazer muito mais para facilitar a vida de quem produz. Existe uma mudança de mentalidade que considero essencial: o empreendedor de boa-fé não pode ser tratado pelo Estado como suspeito permanente. Precisamos simplificar processos, digitalizar serviços, reduzir tempo de espera e diferenciar atividades de baixo e alto risco.
Isso não significa ausência de fiscalização. Significa fiscalização inteligente. O Estado precisa concentrar energia onde existe risco real e facilitar a vida de quem quer trabalhar dentro da lei.
Emprego não nasce por decreto. Alguém precisa investir, assumir risco, contratar e produzir. Quem gera emprego precisa encontrar no Estado segurança e simplicidade, não uma corrida de obstáculos.

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O cercamento eletrônico atingiu seu potencial máximo?
Tecnologia é uma ferramenta extraordinária, mas câmera sozinha não produz segurança. O verdadeiro salto ocorre quando transformamos imagem em informação, informação em inteligência e inteligência em ação operacional. Precisamos integrar sistemas, bancos de dados, leitura de placas, identificação de veículos procurados, análise de padrões e centros de comando.
E tudo isso precisa funcionar em tempo adequado para apoiar quem está na rua.
Defendo uma política muito mais ampla de integração tecnológica da segurança pública. Não faz sentido termos excelentes bancos de dados e sistemas se as informações não chegam de maneira rápida a quem precisa tomar a decisão. Câmera registra. Inteligência transforma o registro em ação.
O projeto de cercamento eletrônico em Porto Alegre, ainda está em desenvolvimento, sendo muito bem conduzido pela atual gestão da Secretaria Municipal, que manteve um projeto em execução e aprimorou de forma muito significativa e com elevada visão gerencial e de futuro.
Temos muito a crescer, mas com a certeza de que a Secretaria Municipal de Segurança está no caminho certo.
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Como enfrentar a questão da população em situação de rua conciliando ordem pública e assistência social?
Esse é um daqueles temas em que respostas simplistas produzem pouco resultado. Não existe uma única causa para alguém estar em situação de rua. Temos pobreza, ruptura familiar, dependência química, transtornos de saúde mental e outras situações. Portanto, precisamos começar por diagnóstico individualizado.
Acolhimento, saúde, assistência social, tratamento para dependência, qualificação e reinserção precisam estar disponíveis. Mas política social não significa abandonar a ordem pública.
O espaço público pertence a todos. Também precisamos enfrentar organizações criminosas que exploram pessoas vulneráveis e utilizam determinados territórios para tráfico e outras atividades ilícitas. Humanidade com quem precisa de ajuda; firmeza com quem explora a vulnerabilidade.
Precisamos de atuação multidisciplinar e com uma transversalidade horizontal, entre as distintas secretarias municipais e rede de apoio; assim como com transversalidade vertical, com a devida integração entre as distintas esferas governamentais do município, estado e união.
Logicamente sem esquecer da importante participação dos Organismos privados que compões a rede de apoio, suporte e proteção social.
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Como destravar a mobilidade urbana em uma cidade sem espaço para novas grandes vias?
Precisamos parar de pensar mobilidade apenas como construção de novas avenidas. Uma cidade moderna precisa combinar diferentes modais. Transporte coletivo eficiente, integração metropolitana, tecnologia de gestão de trânsito, alternativas de mobilidade e melhor utilização da infraestrutura existente precisam fazer parte da solução.
Porto Alegre também precisa pensar sua relação com a Região Metropolitana. Centenas de milhares de deslocamentos não começam e terminam dentro dos limites municipais. Esse é justamente um campo em que a União pode contribuir com infraestrutura e programas de mobilidade integrados.
Mobilidade não é fazer o carro andar mais. É fazer as pessoas chegarem melhor ao destino.
Um sistema de transporte baseado no tráfego rodoviário tem limites físicos e operacionais, e a partir de determinado ponto no processo de desenvolvimento das cidades, o deslocamento das pessoas efetuado por meio de transporte de massa passa a ser fundamental para garantir uma mobilidade adequada no território urbano. Precisamos avançar nos modais fluvial, das linhas de metrô, isoladamente ou complementadas com bicicletas, motocicletas e do modal ferroviário, mesmo na região metropolitana.

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As PPPs seriam a solução definitiva para a saúde básica municipal?
Eu evitaria falar em solução definitiva. AS PPP, concessão, organização social ou gestão direta são instrumentos. O que precisamos avaliar é qual modelo entrega melhor atendimento ao cidadão com qualidade, transparência e custo adequado.
Não sou contrário à participação privada. Pelo contrário, acredito que ela pode contribuir muito. Mas parceria público-privada não pode significar simplesmente transferir um problema. Precisamos de contratos bem elaborados, metas, indicadores, fiscalização, transparência e avaliação permanente.
Na saúde, a pergunta central precisa ser: o cidadão foi atendido? Em quanto tempo? Com qual qualidade? A que custo? Não tenho compromisso com o modelo de gestão. Tenho compromisso com o resultado para o cidadão.
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Como fomentar a cultura sem transformá-la em um ralo de recursos públicos?
Primeiro, reconhecendo que cultura é parte importante da identidade e pode gerar atividade econômica, turismo e desenvolvimento. Mas recurso público exige critérios.
Defendo transparência, editais claros, avaliação e prestação de contas. Também precisamos estimular patrocínio privado, parcerias, utilização dos espaços públicos e aproximação entre cultura, turismo e economia criativa.
O papel do Estado deve ser criar oportunidades e critérios, e não decidir politicamente quem merece reconhecimento artístico. Cultura precisa de liberdade para criar e transparência quando utiliza dinheiro público.
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Qual deveria ser o “Ponto Zero” para os primeiros 100 dias de uma gestão de Porto Alegre?
Eu começaria por uma palavra: gestão. Os primeiros 100 dias deveriam servir para estabelecer prioridades, responsabilidades, metas e indicadores públicos.
E, entre as prioridades, colocaria dois temas muito concretos: segurança e resiliência urbana.
Precisamos saber exatamente as condições da infraestrutura de proteção contra enchentes, definir responsabilidades pela manutenção e acompanhar permanentemente sua capacidade operacional. E precisamos recuperar espaços da cidade em que a população deixou de se sentir segura.
Mas os 100 dias não devem ser utilizados apenas para anunciar programas. Precisam estabelecer um sistema de gestão que permita ao cidadão acompanhar o que foi prometido, o que foi executado e o que ainda não foi entregue. Os primeiros 100 dias precisam organizar os próximos quatro anos.
Em Porto Alegre, os mandatários precisam estabelecer seus PLANOS DE GOVERNO (PROGRAMA DE GOVERNOS) e encaminhá-los previamente à Câmara Municipal. Sendo projetos a serem considerados como “imposições” e sujeitos ao controle e fiscalização do Poder Legislativo Municipal.
Assim sendo ao iniciar o mandato a gestão municipal irá iniciar de forma mais ativa e com um período menor de diagnósticos, pois os partidos e candidatos deverão realizá-los com mais profundidade antecipadamente.

V — VISÃO DE FUTURO
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Como o senhor projeta o cenário político nacional para os próximos dez anos? Conseguiremos superar a polarização?
Eu acredito que podemos superar a polarização destrutiva, mas não devemos confundir isso com eliminar divergências. Democracia pressupõe divergência. O problema começa quando deixamos de discutir ideias e passamos a enxergar quem pensa diferente como inimigo.
O Brasil precisa recuperar a capacidade de construir consensos mínimos em torno de algumas questões fundamentais: segurança, equilíbrio fiscal, educação, desenvolvimento, respeito às instituições e às liberdades.
Também acredito que o cidadão deva ser cada vez mais exigente.
A tecnologia ampliou o acesso à informação e tornou muito mais difícil esconder resultados ruins atrás de discursos.
Minha expectativa é que avancemos de uma política excessivamente centrada em personagens para uma política mais preocupada com propostas, processos e resultados.
Precisamos trocar a política dos inimigos pela política das soluções.
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Com Inteligência Artificial e cibercrimes, como deve ser a formação do policial da próxima década?
O policial do futuro continuará precisando daquilo que sempre foi essencial: coragem, equilíbrio, preparo físico, conhecimento jurídico e capacidade de decisão.
Mas precisará também de novas competências.
Crimes digitais, inteligência artificial, drones, análise de dados, reconhecimento de padrões, investigação financeira e novas formas de comunicação já estão modificando a segurança pública.
Isso significa que a formação policial também precisa mudar.
Precisaremos de profissionais capazes de operar tecnologia e, ao mesmo tempo, compreender seus limites jurídicos e éticos. Quanto maior for o poder da tecnologia, maior precisa ser a responsabilidade de quem a utiliza.
E existe algo que considero fundamental: tecnologia deve ampliar a capacidade do policial, não retirar dele a capacidade de pensar.
O policial do futuro precisará dominar tecnologia sem perder aquilo que nenhuma máquina substitui: discernimento, equilíbrio e responsabilidade.
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Qual é a reforma essencial de que a escola pública brasileira precisa?
Precisamos voltar a colocar aprendizagem no centro da escola. Uma criança precisa sair da educação básica sabendo ler, escrever, interpretar, raciocinar matematicamente e compreender o mundo em que vive. Parece elementar, mas sem essa base todo o restante fica comprometido.
Também precisamos valorizar professores, melhorar a gestão escolar, medir aprendizagem e enfrentar a evasão. E acredito na importância de valores como responsabilidade, respeito, disciplina e convivência. A escola deve preparar o jovem para continuar estudando, entrar no mercado de trabalho, empreender e exercer plenamente sua cidadania.
Não existe desenvolvimento econômico sustentável sem educação de qualidade.
A primeira obrigação da escola é garantir que o aluno aprenda.

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Telemedicina e participação privada na gestão hospitalar são caminhos para enfrentar os problemas do SUS?
São instrumentos que podem contribuir, mas não existe solução única. O SUS tem enorme importância para o Brasil e atende milhões de pessoas. A questão é como melhorar sua eficiência e capacidade de atendimento. A telemedicina pode ampliar acesso, especialmente onde faltam especialistas, reduzir deslocamentos e melhorar o acompanhamento de pacientes.
Da mesma forma, diferentes modelos de gestão podem ser utilizados quando demonstrarem melhores resultados. O que não podemos fazer é transformar a discussão em uma disputa puramente ideológica entre público e privado.
Precisamos perguntar: qual modelo entrega melhor atendimento, em menor tempo, com qualidade, transparência e sustentabilidade?
O Estado precisa estabelecer políticas, regular, fiscalizar e garantir acesso. A execução pode admitir diferentes modelos quando forem adequados.
Na saúde, minha discussão não é público contra privado. É resultado a favor do paciente.
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A solução para a infraestrutura do Rio Grande do Sul é conceder rodovias, portos e hidrovias à iniciativa privada?
Concessões são instrumentos importantes, principalmente diante da enorme necessidade de investimentos em infraestrutura. Mas eu evitaria falar em concessão total como solução automática.
Cada projeto precisa demonstrar viabilidade, benefício ao usuário, segurança jurídica e capacidade de investimento. Quando a iniciativa privada puder investir e operar com eficiência, devemos utilizar essa capacidade.
Mas contratos precisam ser bem construídos e fiscalizados. O cidadão não pode substituir uma infraestrutura pública ruim por uma concessão ruim.
O Rio Grande do Sul precisa pensar sua logística de maneira integrada: rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias. Nossa produção precisa chegar aos mercados com mais rapidez e menor custo. Concessão não é objetivo. Infraestrutura funcionando é o objetivo.
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O MERCOSUL deve focar no comércio ou criar uma frente integrada de inteligência de fronteira?
Não considero que seja uma escolha entre uma coisa e outra. O MERCOSUL nasceu com forte dimensão econômica e comercial, mas a integração regional precisa acompanhar os problemas contemporâneos.
E crime organizado transnacional é um deles. Drogas, armas, lavagem de dinheiro, contrabando e outras atividades criminosas atravessam fronteiras.
Por isso defendo maior cooperação entre os países em inteligência e segurança, sempre respeitando a soberania nacional e os ordenamentos jurídicos de cada país.
O Rio Grande do Sul possui uma posição geográfica que torna essa discussão especialmente importante para nós. Precisamos facilitar a integração para quem produz e trabalha e dificultar cada vez mais a circulação das organizações criminosas. Precisamos de fronteiras abertas à integração e cada vez mais fechadas ao crime.
Quando o Governador do Estado foi Antônio Britto, uma das políticas públicas foi de fortalecer a visão de que o Rio Grande do sul não era o final, o extremo do país, mas sim o centro do MERCOSUL. Foi estabelecido um grande processo de construção de projetos e programas com a intenção de fortalecer e estimular a integração do Estado, com o CODESUL e com províncias do CRECENEA argentino e com cidades e departamentos no Uruguai. Na área da segurança pública tivemos um grande avanço nas relações institucionais, na cooperação policial e na troca de experiências, formação e treinamento com as Organizações de outros Países.

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O que precisa ser atualizado nas nossas leis para reduzir o sentimento de impunidade?
Esse é um tema em que precisamos evitar respostas simplistas. Não acredito que aumentar penas para todos os crimes, isoladamente, resolva o problema. Precisamos olhar para o sistema como um todo.
Temos que enfrentar com maior rigor a reincidência criminal, o crime organizado, crimes violentos e organizações que continuam comandando atividades criminosas inclusive a partir do sistema penitenciário.
Também precisamos melhorar investigação, produção de prova, integração de bancos de dados e execução penal. Uma lei extremamente severa que não é aplicada produz menos resultado do que uma legislação clara, proporcional e efetivamente cumprida.
O cidadão precisa recuperar a percepção de que o crime produz consequência. E qualquer mudança deve respeitar Constituição, devido processo legal, contraditório e direito de defesa. Não basta aumentar a pena no papel. Precisamos aumentar a certeza de responsabilização.
A certeza da punibilidade é mais eficaz que uma grande quantidade de leis duras, severas, que não são cumpridas pela sociedade e não são exigidas pelo ente público.
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A estrutura burocrática atual do Estado resistirá às transformações tecnológicas?
Não da forma como está. O cidadão já realiza operações bancárias, compras, reuniões e inúmeras atividades pelo celular.
Não faz sentido continuar obrigando essa mesma pessoa a enfrentar procedimentos desnecessários, papéis e deslocamentos para acessar serviços públicos que poderiam ser digitais.
Mas digitalizar não significa simplesmente transformar um formulário de papel em PDF. Precisamos redesenhar processos. Governo digital significa integração de dados, simplificação, transparência e serviços construídos a partir da necessidade do cidadão.
E existe uma consequência importante: quanto mais digital e rastreável for o Estado, maior tende a ser nossa capacidade de controle. Digitalizar o Estado não é colocar a burocracia na internet. É eliminar a burocracia desnecessária.
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O senhor teme que o cerco à liberdade de expressão e de imprensa se intensifique?
Tenho preocupação sempre que o Estado amplia excessivamente sua capacidade de controlar o debate público. Liberdade de expressão e liberdade de imprensa são pilares da democracia.
Isso não significa que alguém possa cometer crimes ou causar danos sem responsabilidade. O ponto fundamental é outro: quem define os limites, segundo quais regras e com quais garantias?
Precisamos de leis claras, devido processo legal, contraditório e direito de defesa. E devemos ter extremo cuidado com mecanismos que possam produzir censura prévia ou permitir que governos controlem opiniões simplesmente porque são incômodas. A democracia precisa ser capaz de conviver com crítica, inclusive crítica dura.
Eu defendo liberdade também para quem discorda de mim. Liberdade de expressão só é verdadeira quando também protege a palavra de quem pensa diferente de nós.

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Como o Coronel Marco Santos gostaria de ver o Rio Grande do Sul daqui a 20 anos? E qual tijolo espera ter colocado nessa construção?
Quero ver um Rio Grande do Sul seguro, desenvolvido e novamente confiante no seu futuro. Um Estado em que nossos jovens não precisem sair porque não encontram oportunidades.
Um Estado com interior forte, agricultura competitiva, indústria inovadora, infraestrutura funcionando e cidades preparadas para enfrentar os desafios climáticos.
Quero um Rio Grande em que o cidadão respeite as instituições porque as instituições também respeitam o cidadão.
E, naturalmente, quero uma segurança pública forte, integrada, tecnologicamente preparada e com seus profissionais valorizados.
Qual tijolo gostaria de colocar nessa construção?
Quero contribuir para mudar a forma como tratamos segurança pública no Brasil. Segurança não pode ser apenas resposta à crise do dia. Precisa ser política de Estado, com planejamento, integração, metas, orçamento, tecnologia, valorização profissional e avaliação de resultados.
E existe algo ainda maior. Depois de uma vida de serviço público, quero poder olhar para trás e saber que ajudei a deixar um Estado e um País melhores para os nossos filhos e para as próximas gerações.
Se eleito Deputado Federal, qual será minha prioridade? Segurança pública será minha principal área de atuação. Mas não pretendo tratá-la isoladamente.
Quero trabalhar pela integração nacional da segurança, enfrentamento ao crime organizado, valorização dos profissionais, aperfeiçoamento da legislação e fortalecimento da capacidade de coordenação do Estado brasileiro.
Ao mesmo tempo, um Deputado Federal precisa votar sobre economia, orçamento, educação, saúde, liberdades e todas as grandes questões nacionais. Por isso quero exercer um mandato baseado em três princípios: responsabilidade, coerência e prestação de contas.
O eleitor precisa saber como seu Deputado votou, por que votou e quais resultados está buscando.
Quero ser uma voz da segurança pública, sem deixar de ser representante de todos os gaúchos.
Meu objetivo não é deixar um nome. É ajudar a deixar um caminho.
Se o eleitor gaúcho entender que minha experiência pode contribuir, estarei preparado para representá-lo. Porque acredito que experiência gera responsabilidade.
Depois de décadas trabalhando na segurança pública e na gestão, poderia simplesmente acompanhar os acontecimentos e fazer críticas. Mas acredito que chega um momento em que precisamos decidir se vamos apenas observar ou se estamos dispostos a participar. Escolhi participar.
Não considero a política uma recompensa pela minha carreira. Considero uma nova forma de serviço.

Bate-Bola
Respostas curtas e diretas, a essência do entrevistado em poucas palavras.
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Um livro:
O Evangelho segundo o Espiritismo.
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Um filme:
Um Senhor Estagiário. “Porque experiência não envelhece, pode continuar contribuindo.”
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Uma música:
Querência Amada. De Teixeirinha “Porque fala das nossas raízes e do orgulho de ser gaúcho.”
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Um hobby:
Partida de Xadrez, leitura e uma boa roda de chimarrão. “São momentos em que reorganizo as ideias.”
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Uma frase que guia sua vida:
“Precisamos estar sempre com nossa mala pronta, com o plano elaborado e o staff escolhido.”
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Um político brasileiro:
Dom Pedro II
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Um político internacional:
Angela Dorothea Merkel
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Um militar brasileiro:
Tenente Coronel Cecílio dos Santos, patrono do 13º Batalhão de Polícia Militar do Rio Grande do Sul, com sede em Erechim. De soldado a Coronel, um caminho trilhado com valores e princípios. Meu querido pai.
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Um militar internacional:
General José de San Martín.
“Pela liderança, estratégia e pelo papel decisivo que desempenhou na independência sul-americana.”
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Um estrategista brasileiro:
Marechal Rondon, Cândido Mariano da Silva Rondon
Sua atuação ligou regiões remotas por milhares de quilômetros de linhas telegráficas e combinou missão militar, integração nacional e diplomacia.
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Um estrategista internacional:
“Sun Tzu, pela compreensão de que estratégia é conhecer o cenário, antecipar movimentos e buscar o resultado antes mesmo do confronto.”
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O Rio Grande do Sul:
“Minha terra, minhas raízes e meu compromisso.”

Encerramento
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Um livro biográfico sobre Marco Santos teria qual título? Por quê?
“O Homem que Insistiu em Existir.”
Porque, para mim, existir é muito mais do que simplesmente passar pelo mundo. Sempre acreditei que precisamos ser parte do mundo em que vivemos, participar dele e procurar fazer alguma diferença, por menor que seja a nossa contribuição.
Não precisamos realizar grandes feitos para justificar nossa passagem. Às vezes, fazemos diferença na vida de uma pessoa, na formação de um profissional, em uma decisão tomada corretamente, em uma palavra dada e cumprida ou simplesmente na maneira como exercemos nossas responsabilidades.
Minha vida teve diferentes momentos: família, Brigada Militar, segurança pública, ensino, gestão, estudo e tantos outros desafios. Em todos eles procurei não ser apenas espectador. Errei, acertei, recomecei, aprendi e continuei.
Talvez seja esse o sentido de “insistir em existir”: não aceitar passar pela vida de maneira indiferente. É continuar acreditando que, enquanto tivermos disposição, conhecimento e capacidade de contribuir, temos também a responsabilidade de participar.
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Qual conselho você deixa para os jovens?
Eu diria aos jovens que nunca houve um momento tão importante para participar da construção do futuro quanto o que estamos vivendo agora. Cada geração recebe um legado das gerações anteriores e, ao mesmo tempo, assume a responsabilidade de entregar um mundo melhor para aqueles que virão depois. Essa é uma das grandes responsabilidades da vida em sociedade.
Por isso, acredito que precisamos fortalecer os vínculos entre as gerações. Os jovens possuem energia, criatividade, inovação e capacidade de transformação. Os mais experientes carregam conhecimento, memória, sabedoria acumulada e lições construídas ao longo de décadas de vida.
Uma sociedade equilibrada não coloca gerações em conflito. Ela promove diálogo, respeito e cooperação entre elas. Precisamos valorizar nossos idosos, reconhecer sua contribuição para a construção das famílias, das comunidades, das instituições e do próprio país. Da mesma forma, precisamos investir nos jovens, oferecendo educação de qualidade, oportunidades de desenvolvimento, acesso à cultura, à ciência, à tecnologia e ao mercado de trabalho.
Minha mensagem aos jovens é simples: estudem, trabalhem, sonhem, inovem e tenham coragem de assumir responsabilidades.
Mas nunca percam a capacidade de ouvir, de aprender, de respeitar as pessoas e de construir pontes entre diferentes gerações, ideias e realidades.
O futuro não será construído apenas por máquinas, algoritmos ou tecnologias. O futuro continuará sendo construído por pessoas.
E quanto melhores forem os nossos valores, melhores serão também as sociedades que construiremos para as próximas gerações.
Tenho confiança nos jovens, tenho confiança nas famílias, tenho confiança nas instituições e, acima de tudo, continuo acreditando na capacidade das pessoas de transformar positivamente o mundo em que vivem.
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Marco Santos por Marco Santos, quem é?
Quem sou eu?
Sou Marco Santos. Um homem simples, de família, nascido em Passo Fundo, que aprendeu desde cedo o valor do trabalho, da responsabilidade, da palavra e do respeito às pessoas.
Sou marido da Ana Lúcia, pai do Rafael e do Tiago. Sou amigo dos meus amigos e alguém que valoriza profundamente as relações construídas ao longo da vida.
Ingressei muito jovem na Brigada Militar e dediquei décadas ao serviço público e à segurança. Fui policial, oficial, instrutor, gestor e comandante. Cada função trouxe responsabilidades, desafios, erros, acertos e, principalmente, aprendizado.
Sou formado em Direito e continuo estudando porque acredito que conhecimento nunca está concluído. Quanto mais aprendemos, mais percebemos o quanto ainda precisamos compreender.
Tenho convicções e valores firmes, mas não me considero dono da verdade. Procuro ouvir, refletir e reconhecer quando é necessário mudar.
Acredito na família, no trabalho, no conhecimento, na responsabilidade, na liberdade e no valor da palavra. Acredito também que ocupar qualquer posição profissional, social ou pública, só faz sentido quando podemos contribuir com as pessoas e com a sociedade.
Talvez isso explique bem quem sou: alguém que não quer simplesmente passar pelo mundo, mas fazer parte dele e procurar fazer alguma diferença, por menor que seja.
Como costumo dizer, precisamos insistir em existir: participar, construir, servir e deixar alguma contribuição no caminho.


Gilberto Vieira de Sousa é Jornalista (MTB 0079103/SP), Técnico em Sistemas de TV Digital, Fotografo Amador, Radioamador, idealizador e administrador dos sites GibaNet.com, AssessoriaAnimal.com.br e cotajuridica.com.br, jornalista no Programa Lira em Pauta, Correspondente internacional na Rádio Vai Vai Brasile Italia FM, jornalista no Programa Meio Ambiente com Renata Franco.
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