O Brasil não precisa de narrativa, precisa de direção.

Marco Antônio Moura dos Santos

“complexo de vira-lata”, popularizado na época por Nelson Rodrigues, sempre foi uma crítica ao hábito brasileiro de se perceber como menos do que se é. (RODRIGUES, Nelson. À sombra das chuteiras imortais. São Paulo: Cia. das Letras, 1993. p.51- 52: Complexo de vira-latas.)

O “complexo de inferioridade” é um alerta para uma nação que não se vê como forte. O problema não é dos brasileiros se sentirem inferiores, o impasse, ainda maior e mais perigoso, é  do governo tentar fazer a nação acreditar que está em uma situação melhor do que realmente está.

O discurso não soa fraco, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala de uma disposição para abandonar o “complexo de vira-lata”. Mas somente palavras não podem mudar a realidade. E o Brasil precisa mais do que discursos. Precisa de resultados!

O "complexo de vira-lata", popularizado na época por Nelson Rodrigues, sempre foi uma crítica ao hábito brasileiro de se perceber como menos do que se é.
Capa do livro “À sombra das chuteiras imortais” de Nelson Rodrigues

O que os cidadãos experimentam em seus cotidianos não é uma história, é um estado de insegurança, instabilidade e imprevisibilidade. O “complexo de vira-lata” não será combatido com frases de efeito. Se enfrenta com um Estado que funcione, com uma economia estável, onde exista segurança nas ruas e haja respeito às instituições. Onde o povo tenha saúde e educação pública de qualidade; ou seja, que tenhamos um Estado eficiente e que faça entregas à população.

Negar problemas não fortalece o Brasil! Ao contrário, irá enfraquecê-lo. Ignorar a realidade não gera confiança. Gera descrédito. E o descrédito custa caro, dentro e fora do país! O Brasil não será respeitado porque fala alto. Ele será respeitado quando tiver uma gestão melhor. E isso exige liderança, responsabilidade e políticas públicas devidas. Exige coragem para enfrentar a verdade e não para escondê-la.

O verdadeiro patriotismo não está no discurso. Está na capacidade de entregar um país melhor para a sua população.

E é exatamente isso que falta. Falta gestão e direção. Precisamos de compromissos com objetivos e metas.  E não se trata de ideologia, de política partidária, mas sim de responsabilidade com o país. Nós não precisamos provar nada para o mundo. Precisamos “consertar o Estado”. E “consertar o Brasil” exige mais do que palavras. Exige ação, mudança de postura e de rumo. Porque, no final, os cidadãos não vivem de discursos, eles vivem de realidade. E é por isso que nossa nação precisa dar um passo à frente, com seriedade e com compromisso real com quem vive, trabalha, produz, desenvolve e sustenta este país.

O verdadeiro patriotismo requer lucidez. Exige reconhecer falhas, corrigir rumos e assumir responsabilidades. Sem isso, o discurso vira apenas um exercício de convencimento e não de liderança. O brasileiro não precisa ser convencido de que não é inferior! Ele precisa viver numa nação que funcione melhor. Segurança, oportunidade, previsibilidade, respeito institucional, ética e justiça social; é isso que constrói orgulho nacional, não slogans!

No fim, o debate não é sobre o “complexo de vira-lata”. É sobre governança. O Brasil não será respeitado porque diz que é grande; mas sim quando for demonstrado, de forma consistente, que o Estado é capaz de entregar qualidade de vida, estabilidade e futuro à população.  No entanto, se recebermos migalhas, ou necessitarmos viver “virando latas” para sobreviver, nunca iremos dar valor ao nosso povo e nunca seremos respeitados.

Não necessitamos demonstrar aos outros que não somos “vira-latas”. Nós precisamos reforçar ao povo brasileiro que somos sim um país com potenciais imensos e que possuímos a aptidão para colocarmos toda esta capacidade em favor do povo, para que ele tenha uma vida melhor!

Se há algo a ser modificado, não é apenas um conceito. É a distância entre discurso e realidade. Porque Estado forte não é o que fala alto.  É o que entrega, é o que é eficiente.

Menos discurso. Mais resultado. Esse é o caminho.

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