Personagens de nossa política, como no filme da Branca de Neve... 3

(*) Nelson Valente

Se quiséssemos copiar aqui no Brasil o filme Branca de Neve e os sete Anões, de Walt Disney, criaríamos, sem dificuldades, outro belo conto infantil, recheado de personagens reais.

A presidência da República, no caso, seria a própria Branca de Neve, e seu príncipe encantado, o presidente Luis Inácio Lula da Silva: feliz, saltitante, sempre cantarolando: – ” Eu vou, eu vou, prá escola, agora eu vou..”.

Quanto aos anões, Atchin seria o Plínio de Arruda Sampaio, por estar sempre infestado em suas ventas com o virus da imaturidade e também de manter o seu nariz permanentemente arrebitado: para ser o Dengoso , ninguém melhor que o ministro Guido Mantega, personagem que se assanha a tudo possa trazer e prover dividendos; Feliz seria o ex-ministro José Dirceu, pois seu sorriso, nos últimos meses, sempre está de orelha a orelha; Zangado não poderia deixar de ser o ex-governador José Serra, com o seu costumeiro e emburrado ” nada a declarar”; Dunga é o próprio Levy Fidelix, não só pelo seus caracteres físicos como também pelo seu comportamento político, nem sempre muito claro; para ser o Soneca – advinhem? Quem mais senão o ex-governador Aécio Neves; o Mestre seria, claro, o senador Aloysio Mercadante, com seus entreveros e dissabores; a Bruxa Malvada seria a Dilma Rousseff, a eterna escondida, que vez ou outra, consulta seu espelho mágico indagando:

– ” Espelho, espelho meu, existe alguém mais inteligente do que eu? Como? Tem a Marina! Tem o Serra ! Tem, tem, os milhões de brasileiros!

Há histórias que são emblemáticas, com toda a sua coorte de personagens, fatos e mensagens. Bruxas, fadas e duendes frequentam o imaginário do eleitor e a sua exploração deve ser feita de modo adequado pelos políticos que têm a responsabilidade de “fazer campanha”. A comunicação é menor e a melhor distância entre dois pontos: o diálogo com o eleitorado.

Veja-se o caso de “a lebre e a tartaruga”. Hoje, no mundo dos políticos (em todo território nacional), no uso da técnica do diálogo/pesquisa/questionamento eleitorais, muitos políticos afirmam que a tartaruga chegou primeiro, na famosa corrida, porque a “lebre ficou dormindo”, quando na verdade ela foi sacrificada pelo desejo de ser “esperta”, numa aplicação à fábula da nefasta “lei de Gerson”.

Questionamentos e confrontos de pontos de vista, como são hoje sugeridos pelos escritores brasileiros, jornalistas, eleitores contribuem para a superação do natural egocentrismo da classe política, possibilitando a conquista gradual da autonomia de pensamento político. Assim nascem os indivíduos socialmente críticos, por intermédio da viabilização da sua autoconstrução.

O emprego, nessas questões, da literatura infantil na política, representa um grande conforto, pois ideias, confrontos e interesses transbordam de um contexto extremamente prazeroso para os eleitores. Daí nasce a motivação do voto – e os resultados naturalmente constituem uma consequência desse processo eleitoral.

(*) é professor universitário, jornalista e escritor.

4 thoughts on “Personagens de nossa política, como no filme da Branca de Neve…

  1. Rose says:

    Ótima esta analogia entre políticos e o Brasil, mas confesso que já é bastante antiga, sei de outra convocação :
    "1. José Carlos dos Alves dos Santos – Reuniu um patrimônio de mais de dois milhões de dólares. Preso e condenado pela morte da mulher, Ana Elizabeth Lofrano dos Santos, chegou até a tentar o suicídio na cadeia. Por bom comportamento, cumpre pena em regime semi-aberto.

    2. Ibsen Pinheiro – Deputado pelo PMDB gaúcho, tinha entrado para a história como presidente da Câmara dos Deputados durante o processo de impeachment de Fernando Collor. Após a descoberta de mais de 1 milhão de dólares em suas contas, Ibsen foi acusado de enriquecimento ilícito e irregularidades fiscais e terminou cassado. Hoje, é professor universitário, funcionário aposentado do Ministério Público e conselheiro do Internacional de Porto Alegre.

    3. José Geraldo Ribeiro – Deputado do PMDB mineiro, era mais conhecido como "Quinzinho", numa referência ao percentual que costumava cobrar de propina. Enviava dinheiro para oito entidades assistenciais por ele controladas. Também foi cassado.

    4. Genebaldo Correia – Líder do PMDB na Câmara, foi o primeiro a adotar o expediente de renunciar antes do julgamento. Teve seus bens seqüestrados pela Justiça e respondeu por crime de improbidade administrativa. Tentou ser candidato a deputado estadual em 1998 e perdeu.

    5. Manoel Moreira – Além de ser apontado por José Carlos como um dos anões, contou com um empurrão extra da ex-mulher, que foi à CPI revelar suas falcatruas. Não conseguiu explicar o movimento de 3 milhões de dólares em suas contas. Também renunciou antes da cassação. Foi candidato a deputado estadual pelo PMDB paulista em 1998. Perdeu. Lançou na vida pública a vereadora Maeli Vergniano, envolvida no escândalo da máfia dos fiscais da prefeitura de São Paulo. Foi expulso da igreja em que era pastor.

    6. Ricardo Fiúza – Ministro da Ação Social no governo Collor, era um dos deputados mais poderosos do Congresso. A CPI descobriu que, no período em que chefiou a Comissão de Orçamento, beneficiou uma fazenda sua com verbas federais. Mesmo assim, escapou da cassação. Mais tarde, ficou provado que manipulou documentos da Caixa Econômica Federal para se livrar da acusações da CPI. Hoje, é deputado pelo PFL pernambuano.

    7. Raquel Cândido – Deputada por Rondônia, foi acusada de se apropriar de 800 000 dólares destinados a subvenções sociais e tentou o suicídio duas vezes. Acabou sendo cassada. Em outubro do ano passado, foi presa em Brasília sob acusação de espancar e tentar matar a tiros a dona de casa Raimunda dos Santos. O motivo da briga: uma dívida de 2 500 reais.

    Ah, havia também o "Branco de Neve":
    João Alves – Era o líder dos anões. Comprava a cumplicidade de José Carlos com presentinhos de até 300 000 reais. Na CPI, apresentou uma justificativa antológica para a fortuna que tinha acumulado: alegou que era um homem de muita, muita sorte e ganhara dezenas de vezes na loteria. Renunciou ao mandato de deputado antes de ser julgado, escapando da cassação e da perda dos direitos políticos. Mora atualmente em Salvador, onde tem muitos imóveis.

    Agora chegou a vez do povo eleger :
    "ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS"
    Nós merecemos ??? rs
    Abraços Giba e Nelson

  2. Victinho says:

    Amigo Giba, o pior desta história é que o final não será feliz.
    Excelente post,
    abraços,
    Vitor.

  3. Assi Sales says:

    Inteligente e hilário! E os babacas dos políticos ainda pretendiam impedir de se fazer humor com as suas idiossincrasias!

  4. Dú Pirollo says:

    Meu caro amigo Giba, boa noite!!!
    Belo texto de Nelson Valente, gostei da bruxa… mas fiquei com pena dos demais integrantes da literatura infantil…
    É meu amigo, precisamos urgentemente de uma reforma política e que o povo se empenhe mais no bom senso.
    Parabéns pela excelente postagem!
    Abraços e muita paz!!!

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