Arnaldo Jabor sempre revelou jogo de cintura no trato com a dramaturgia do cotidiano

Lino Tavares
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     Os meios culturais do Brasil colocam uma tarja preta, nesta terça-feira (15/02/2022) pelo falecimento de um dos grandes gênios do cinema brasileiro, artisticamente conhecido como Arnaldo Jabor.
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Arnaldo Jabor sempre revelou jogo de cintura no trato com a dramaturgia do cotidiano Lino Tavares. Os meios culturais do Brasil colocam uma tarja preta,...
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    Foi um desbravador da sétima arte, em nosso país, alavancando com seu talento filmes que marcaram época, alguns dos quais considerados arrojados para os padrões de meados do século passado, pelo conteúdo sensual e erótico de que se revestiam..
    Entre eles, cumpre destacar a produção cinematográfica “Toda Nudez Será Castigada”, com roteiro e direção de Jabor, estrelando no papel principal a premiada atriz Darlene Glória, a quem tive o privilégio de entrevistar, como se vê aqui: https://gibanet.com/darlene-gloria-sucesso-de-toda-nudez-sera-castigada-filme-de-arnaldo-jabor-hoje-falecido/?fbclid=IwAR0O_b_KHW3od8L19Umw1jKZibGtYm-YdhxKGzPfu2nZDmG4OSQNC8Jsjp4
      Filho de um oficial da Aeronáutica e de uma dona de casa, Arnaldo Jabor conviveu desde a infância com uma educação acurada, que embalava os sonhos da juventude da época, sem abrir mão do espírito de sociabilidade e civismo inerente à conduta de todo cidadão íntegro.
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    Adquiriu suas experiências profissionais, desde a adolescência, convivendo no ambiente do chamado Cinema Novo,  lançando na segunda metade do movimento o longa metragem em forma de documentário intitulado Opinião Pública (1967).
    Mesmo tendo vivido o auge da carreira de cineasta no Regime de Exceção, com uma censura forte devido às questões ideológicas da época da Guerra Fria, Arnaldo Jabor sempre revelou jogo de cintura no trato com a dramaturgia do cotidiano, tornando-se um produtor de cinema bem sucedido.
    Além de “Toda Nudez Será Castigada”, uma adaptação da obra de Nelson Rodrigues, o cineasta produziu filmes marcantes e premiados, como Pindorama (1970), O Casamento (1975), Tudo Bem (1978). Eu te amo (1980) e, mais recentemente,  Eu sei que vou te amar.
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     Ironicamente, o cineasta que sobrevivera com sucesso no âmago do regime de governo fechado, vigorante entre 1964 e 1984, teve que procurar novos rumos na década de 1990, a partir da redemocratização plena do país, porque o Governo de Fernando Collor, primeiro presidente eleito pelo voto direto após o “Regime Militar”, acabou com o fomento estatal para a produção cinematográfica nacional.
    Para ganhar o pão de cada dia, ingressou na mídia, onde se tornou um analista político de grande relevância, sem papas na língua e sem sustentar o ranço ideológico de colegas de profissão, Arnaldo Jabor sempre se portou como um crítico feroz das mazelas governamentais que assolaram o país, através da corrupção sistemática que deu margem a escândalos como Mensalão, Petrolão e similares.
    Dando campo à sua verve de escritor, o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor deixa-nos como legado, além de renomadas produções cinematográficas e importantes comentários gravados em vídeo, obras escritas de elevado teor literário e filosófico.

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