Muito além das divergências entre ministros, a crise expõe a urgência de transparência e o fim da política de dois pesos e duas medidas na Justiça brasileira.

Marco Antônio Moura dos Santos

O julgamento que o Brasil acompanha hoje no STF ultrapassa os nomes de Daniel Vorcaro, dos Ministros Alexandre de Moraes ou André Mendonça.

O que está em jogo é algo muito maior: a credibilidade das instituições brasileiras e a confiança do cidadão na Justiça. Quando surgem fatos graves envolvendo autoridades da República, a resposta de uma instituição forte deveria ser simples: investigar, esclarecer e dar transparência.

Não podemos aceitar dois pesos e duas medidas. Não podemos defender investigação rigorosa quando ela alcança adversários e discutir nulidades, competências e procedimentos como instrumentos para impedir o esclarecimento dos fatos quando a investigação se aproxima do próprio poder.

O julgamento que o Brasil acompanha hoje no STF ultrapassa os nomes de Daniel Vorcaro, dos Ministros Alexandre de Moraes ou André Mendonça.

Garantias constitucionais valem para todos. Devido processo legal vale para todos. Presunção de inocência vale para todos. Mas o dever de prestar esclarecimentos também deve valer para todos. Ninguém deve ser condenado antecipadamente. Mas ninguém pode estar acima da possibilidade de investigação.

O que assistimos expõe uma crise que vai muito além de divergências entre ministros. É uma crise de confiança, de credibilidade e de legitimidade institucional.  O Supremo Tribunal Federal, que está politizado e, por isso, dividido, tem enorme responsabilidade na defesa da Constituição. Exatamente por isso, quando fatos atingem integrantes da própria Corte, a resposta precisa ser ainda mais transparente, técnica e rigorosa.

Não se protege uma instituição escondendo problemas. Protege-se uma instituição esclarecendo-os.  O Brasil está cansado da impunidade, dos privilégios, dos acordos de bastidores e da sensação de que as regras mudam dependendo de quem está sendo investigado.

Que se investigue tudo. Que se assegure defesa a todos. Que sejam respeitadas as competências constitucionais. E que cada um responda por seus atos, se comprovadas irregularidades. Instituições não pertencem aos seus ocupantes. Pertencem à República.

O Brasil precisa recuperar uma regra elementar: A LEI DEVE VALER PARA TODOS.

O que estamos assistindo no Supremo deveria indignar todo brasileiro que ainda acredita que a lei deve valer para todos.

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